Doença da Alzheimer

Alzheimer – Outras Demências e o Alzheimer


Se você quer saber sobre Alzheimer e outros tipos de doenças Demenciais, fique até o final deste artigo, que o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista, fundador da Clínica Regenerati e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia como um todo, vai abordar sobre isso.

No conteúdo de hoje vamos explicar o que é a Doença de Alzheimer, quais são seus sintomas, qual é o curso clínico da doença, como ela se distribui nas sociedades, os fatores de risco, qual é o principal tratamento e quais são as outras demências que têm que conhecer.

O que é a Doença da Alzheimer?

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva, fatal, de causa incerta, incurável, que afeta a memória e a cognição.

Olha cada etapa disso: neurodegenerativa significa que tem uma involução, uma degeneração dos neurônios. Progressiva, não é que degenera e para, ela degenera e continua degenerando. Ela é fatal, porque uma vez que a pessoa tem o diagnóstico de Alzheimer, é certo que vai falecer por conta dessa doença.

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De causa incerta, porque não sabemos a causa dela ainda. Incurável, porque ainda não sabemos uma cura. E que afeta, fundamentalmente, a memória e a cognição, porque são os principais sintomas dela e é quando é mais caracterizada.

Antigamente, toda demência era demência senil ou esclerose, não se tinha muito diagnóstico ou diferenciação. Então, falava que o vovô estava ficando meio ruim da cabeça, esclerosado, era demência senil.

Hoje em dia, temos uma gama de diagnósticos diferenciais para podermos dizer exatamente qual é o diagnóstico exato da doença que está fazendo a pessoa ter dificuldades cognitivas, problemas com a memória, com o raciocínio.

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A Doença de Alzheimer tem a forma típica dela, que é em idosos com mais de 65 anos, que é quando tipicamente aparece. Ela tem de início precoce para quando é de menos de 65 anos. E tem as formas hereditárias, que são as puramente genéticas, que começam muito mais cedo, normalmente, em torno dos 45, 46 anos de idade.

Mas, nesses casos raros, têm várias pessoas da família iniciando um Alzheimer bem precoce na casa dos quarenta anos. E também existe o Alzheimer associado à síndrome de Down – os pacientes que têm Síndrome de Down e que chegam até uma idade mais avançada, facilmente evoluem com uma Doença de Alzheimer.

Quais São os Sintomas?

E quais são os sintomas da Doença de Alzheimer? Os sintomas cardinais.

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Comprometimento da Memória

Ou seja, os principais sintomas da doença são os comprometimentos da memória, que é onde ela é mais conhecida – é a doença que deixa a pessoa esquecida, ela perde, inicialmente, a memória episódica, do dia a dia.

Episódica significa de episódio, de você ter ido, lembrar o que almoçou, o que fez de manhã, o que tomou no café da manhã, o que acontece como episódios corriqueiros do dia a dia. E, tardiamente, a doença vai afetando outros tipos de memória, as já mais consolidadas, as visuais, auditivas, evocadas.

E a Doença de Alzheimer vai como se arrancando as páginas: é como se a pessoa fosse escrevendo um livro da vida dela; no final estão as últimas páginas e no início estão as primeiras. A doença é como se fosse arrancando as páginas do final para o início; a memória que está no finalzinho do livro, ela arranca primeiro, as que estão no início, ela demora a arrancar, porque vai arrancando devagarinho as memórias das páginas.

Comprometimento da Função Executiva

Ela também não afeta somente a memória, a Doença de Alzheimer tem comprometimento da função executiva da pessoa, capacidade de julgamento e solução de problemas.

O paciente que tem Alzheimer tem uma grande dificuldade de julgamento das coisas, ele perde a crítica; se ele ver uma coisa que está fora de lugar, que está errada, um comportamento, tem dificuldade em ter julgamento, de ter crítica daquilo.

Dificilmente tem crítica dele próprio e dos seus problemas. Ele esquece que esquece e mesmo que as pessoas digam que está com um problema de esquecimento, ele não consegue ter julgamento disso, não consegue ter uma capacidade crítica do problema que tem.

Além da capacidade executiva que é de fazer coisas propriamente. Uma pessoa que dava conta de fazer uma gama de tarefas, tarefas no computador, de resolver problemas, vai perdendo essas capacidades de solução de problemas, de execução, de capacidades, de funções executivas.

Comprometimento de Outros Domínios

Também, ela pode ter comprometimento em outros domínios cognitivos, como na linguagem, que é a capacidade de se expressar e compreender tanto através de fala quanto de escrita. É muito comum o paciente com Alzheimer ter um vocabulário que vai ficando cada vez mais reduzido.

A capacidade visuoespacial, que é de ver e ter um processamento do que a pessoa vê, como ter um entendimento da velocidade que um objeto se aproxima até ele, do dimensionamento espacial das coisas e outras coisas nesse sentido.

Mudanças Comportamentais e Psíquicas

Também é comum na Doença de Alzheimer ter mudanças comportamentais e psíquicas. Inicialmente, a mais comum é a apatia: o paciente com Alzheimer vai ficando cada vez mais apático, parado, de menor iniciativa, vai tendo um maior afastamento social, ficando cada vez mais afastado dos outros, maior irritabilidade. Posteriormente, tem maior risco de agitação, agressividade e psicose, e quando, normalmente, vêm essas fases, são estágios mais avançados da doença.

Apraxia

E é comum ter outros sintomas associados à Doença de Alzheimer, como, por exemplo, a apraxia. “Praxis” é a habilidade; apraxia é a perda de habilidade, a pessoa vai perdendo as habilidades motoras já aprendidas.

Por exemplo, ela sabia fazer crochê, vai perdendo a capacidade de fazer crochê; sabia serrar bem a madeira ou martelar, vai perdendo essas capacidades; sabia andar de bicicleta, ela perde a habilidade de andar de bicicleta; sabia dirigir, não vai saber mais dirigir; isso tudo é apraxia, que vai tendo essa evolução também.

Perda do Olfato

Pode acontecer também a perda do olfato. Tendo a perda do olfato, vai ficando somente o paladar e por isso fica muito forte o gosto por comidas salgadas ou doces, especialmente os doces.

Distúrbios do Sono

Tem também os distúrbios do sono, sendo que o mais comum deles é o transtorno de comportamento do sono REM, que é o idoso que começa a mexer e a falar durante o sono.

Convulsão

E cerca de 10% a 20% dos pacientes com Alzheimer desenvolvem crises convulsivas – são comuns e frequentes.

Você que está lendo o nosso artigo a respeito da Doença de Alzheimer, escreva nos comentários “Alzheimer:” e a sua história, a sua dúvida, o que você imagina sobre essa doença, quais são os seus temores, o que gostaria de ler sobre a doença, porque em cima dos comentários vamos acabar elaborando os conteúdos.

Curso Clínico da Doença

Além de entendermos quais são os sintomas, é importante entendermos como a Doença de Alzheimer evolui, porque toda doença tem uma evolução, uma história natural.

Essa história natural é um curso clínico evolutivo de qualquer doença. Um diabetes, se não é tratado, vai evoluindo, a pessoa vai perdendo a sensibilidade, tendo úlceras, amputações, um infarto, outro, até morrer.

Expectativa de Vida Média

Como é a expectativa de vida no Alzheimer? Ele tem uma expectativa de vida média de 08 a 10 anos, mas pode variar entre 03 a 20 anos, a depender do quão comprometido está o paciente no momento do diagnóstico.

Queda Média no Mini Exame

Há queda média de 3 pontos no mini exame do estado mental a cada ano, ou seja, tem até uma velocidade média de progressão esperada pelo mini exame do estado mental.

Pacientes Acima dos 80 anos

E quando a doença inicia em maiores de 80 anos de idade, o declínio cognitivo é mais lento em relação aos pacientes mais jovens.

Declínio Rápido

Olha que interessante, quando o Alzheimer começa em idosos muito idosos, a progressão tende a ser mais lenta, e quando está associado a sintomas de psicose, agitação, agressão, o declínio cognitivo e a evolução da doença são bem mais rápidos também.

Epidemiologia e Fatores de Risco

Em relação a quem é que tem Alzheimer e como são os riscos de se ter, quais são os fatores de risco?

Ele é tipicamente uma doença de pessoas idosas; quanto maior a idade, maior o risco de se ter a Doença de Alzheimer, e é mais comum em mulheres, tem uma preponderância maior no sexo feminino.

Também está inversamente relacionada com grau de escolaridade, quão mais baixo é o grau de escolaridade, maior o fator de risco; quanto maior a escolaridade, maior o grau de estímulo mental, menor o risco. Mas, lembrem-se, não é algo que exclua a doença, é um fator protetor ou um fator de risco, não é nenhuma coisa garantida e nem uma coisa certa de que vá ter uma proteção ou certeza da doença.

As pessoas que são hipertensas e não têm um bom controle da hipertensão, igualmente com o do colesterol ou do diabetes têm maior risco de desenvolver Alzheimer.

O sedentarismo talvez seja um dos fatores de risco maior, um dos mais fortes relacionados à Doença de Alzheimer. E talvez um dos elementos que mais proteja é a pessoa sair do sedentarismo e manter um ritmo de atividade física contínua.

Igualmente as doenças da microvasculatura, como o tabagismo e o alcoolismo, também propiciam maior risco de Alzheimer. Assim como a apneia do sono, a insônia e o sono fragmentado, tudo que fragmenta o sono e diminui a proporção do sono profundo, do sono de ondas lentas – esse sono profundo é quando vem o sistema glinfático e faz a limpeza do cérebro durante a noite.

Então, se a pessoa tem um sono curto por insônia ou privação do sono, ou tem apneia do sono ou um sono fragmentado, com muitos microdespertares, não vai conseguir ter um sono profundo. E não tendo um sono profundo, tem maior risco de acabar desenvolvendo um Alzheimer pela simples falta da limpeza do cérebro.

Se a pessoa tem uma depressão que não é tratada corretamente ou outras doenças psiquiátricas descontroladas, maior o risco de desenvolver também um Alzheimer. Se ela tem epilepsia descontrolada, com crises frequentes, maior o risco de desenvolver também.

Traumas cranianos – quem teve repetidos traumas cranianos – também é um fator de risco. Pessoas que têm deficiências nutricionais, que ficam desnutridas, especialmente de algumas vitaminas, principalmente as do complexo B, maior o risco de desenvolver Alzheimer.

Medicamentos de uso prolongado, especialmente os anticolinérgicos e benzodiazepínicos de longa duração, por muitos anos e de meia-vida longa, têm maior risco de desenvolver Alzheimer. E para algumas pessoas e alguns tipos de medicamentos para colesterol, afetam a memória no momento em que ela usa e a longo prazo também.

Tratamento

Qual é o tratamento da Doença de Alzheimer? Ela não tem um tratamento de cura, tem apenas de sintomas, o tratamento não modifica a doença. “Ah, vamos tratar para a doença não evoluir” Isso não existe, tratamos para melhorar os sintomas, mas infelizmente a doença vai evoluir com ou sem tratamento.

Medicamentos

Os principais medicamentos são os anticolinesterásicos. Isso é para impedir que a acetilcolina seja degradada e tenha mais acetilcolina no cérebro, como a donepezila, galantamina e rivastigmina. Rivastigmina tem oral e por adesivo; galantamina é oral e donepezila oral também.

E esses medicamentos, como um todo, têm efeitos colaterais comuns, como náuseas e vômitos, e acabam melhorando a memória, especialmente a que a pessoa ainda tem dentro dela – fica mais fácil de acessar a memória que ainda tem dentro dela, mas não impede que as páginas continuem sendo arrancadas.

Existem também os antagonistas de receptor NMDA, que são, por exemplo, a memantina. Ela é indicada para as fases moderada e avançada da Doença de Alzheimer, porque acaba diminuindo a toxicidade da doença e um pouco da inflamação, e podemos trazer um pouco de neuroproteção.

É extremamente comum o uso de antidepressivos na Doença de Alzheimer, porque é comum ter também junto a depressão. E a própria depressão piora os sintomas cognitivos do paciente, além de ter a própria apatia e outros elementos que fazem a pessoa ficar com uma dificuldade de convívio maior.

Às vezes, é necessário utilizar antipsicóticos, desde para regularizar o sono, como para reduzir alucinações, agitações e psicoses. Às vezes, estabilizador de humor. Ele ajuda a não deixar o idoso ficar indo do choro ao riso descontrolado, que é uma incontinência emocional, uma labilidade afetiva.

E não é medicamento, mas suplementos que funcionam para a Doença de Alzheimer, como o Souvenaid. Ele é um suplemento patenteado com uma gama de nutrientes que estimulam o cérebro e estimulando o cérebro, isso acaba conseguindo reduzir a evolução da doença em cerca de 20%, 25% na taxa de progressão – e é um suplemento muito bem estudado e que realmente tem uma eficácia comprovada.

Estímulos

Em relação aos estímulos, falamos da parte de medicamentos, suplementos, tem a parte de estímulos do paciente – e para isso existem diversas profissões e formas de estimulá-lo. Desde terapia ocupacional, que pode criar um ambiente rico, cheio de estímulos, formas de estimular o raciocínio e a memória, tarefas, reabilitação de capacidades.

Fisioterapia, que ajuda a manter o equilíbrio, a dupla tarefa, o raciocínio, pôr em desafio e pôr a pessoa em atividade física, propriamente. Treinos cognitivos, inclusive, temos várias empresas que os ofertam, que são jogos para treinar a memória, o raciocínio.

Um que é extremamente bom que é a atividade física, que já é muito bem recomendada em 150 minutos semanais, que têm que ter componente aeróbico, de aumentar a frequência cardíaca em pelo menos 50% do nível de base, e, se possível, também com outros elementos de treino de ganho de massa e treino de equilíbrio.

E o ideal disso tudo é vir dentro de uma rotina de atividades. A rotina é extremamente boa para o paciente com Alzheimer – ter rotina para tudo: acordar, tomar café da manhã, fazer exercício físico, exercícios mentais, almoço, sonequinha da tarde, entre outros exemplos. Quanto mais tem rotina, melhor para o paciente com Alzheimer; o cérebro gosta de rotina, ela faz bem para o cérebro e isso o ajuda a ficar bem.

Manejo de Comorbidades

No manejo das comorbidades, é extremamente importante ser tratado o sono do paciente com Alzheimer, porque ele facilmente inverte o sono do dia pela noite, de ficar dormindo de dia, acordado de noite, ou então de ficar dormindo muito cedo, tipo 6 horas da tarde, e ficar acordado já de madrugada, ou com sono muito fragmentado, de ficar levantando a madrugada inteira.

É extremamente importante cuidar da parte cardiovascular do paciente, desde pressão, diabetes, colesterol, peso e outras comorbidades. E de outras doenças neurológicas associadas ao paciente com Alzheimer, porque ele pode acabar desenvolvendo outras patologias, como polineuropatia, tremores, quedas, epilepsia e demais doenças mais que também têm que ser tratadas para que tenha uma vida digna e com qualidade, e que seja melhor para todo mundo.

Isso tudo é muito importante e é muito importante também um assistente social para orientar a respeito dos direitos do idoso, os deveres em relação ao idoso, o estatuto do idoso e todos os aparelhos que existem na sociedade para ajudar no cuidado e no manejo do paciente com Alzheimer.

Outras Demências

Não é só o Alzheimer, existem outras demências e que são fundamentais de serem conhecidas para que o médico possa ter um diagnóstico diferencial em relação ao Alzheimer, como, por exemplo, a demência vascular, que é quando vai tendo muitos micros AVCs no cérebro e ele vai perdendo função devido à multiplicidade de micros AVCs.

A demência frontotemporal, que afeta as regiões frontal do cérebro e a temporal, e nessa não afeta tanto a memória, mas afeta muito o comportamento e a linguagem do paciente.

A demência de Corpos Lewy ou Corpos de Lewy é uma demência em que vêm sintomas de demência, esquecimentos, alucinações, paranoia, junto de sintomas parkinsonianos logo no início do quadro demencial.

Existem outros vários tipos de demência e é importante que não pense que exista somente a Doença de Alzheimer. O diagnóstico específico faz muita diferença para entender o prognóstico e até mesmo no manejo correto do tratamento da Doença de Alzheimer.

Se conhece alguém que tenha Doença de Alzheimer, algum familiar que tenha ou lide com um paciente com Alzheimer, envie o link desse artigo para essa pessoa, pois você pode estar ajudando-a a entender um pouco mais dessa patologia que é tão comum, tão prevalente e que vai ficar cada vez mais prevalente ainda na sociedade que está cada vez mais velha.

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Sobre o Autor:
Willian Rezende do Carmo

CRM: 160.140
RQE: 50.546

Fundador da clínica Regenerati. Médico do Sirio Libanes, BP Mirante e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Neurologista especializado em dor, sono e disturbio do movimento (Parkinson e tremor).








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