Doenças Psiquiátricas do Idoso

Doenças do Idoso – Doenças Psiquiátricas do Idoso


Se você quer saber sobre as Doenças Psiquiátricas do Idoso, como a depressão, a ansiedade e o delirium, fique até o final deste artigo que o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista, fundador da Clínica Regenerati e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai abordar sobre isso.

Doenças Psiquiátricas do Idoso

Os sintomas psiquiátricos no idoso são comuns e, muitas vezes, negligenciados, porque as pessoas acham que o idoso pode e deve ser uma pessoa sem prazer na vida, apática, rabugenta e resmungona. E não é assim, são doenças e devem ser corretamente diagnosticadas para que possam ser tratadas.

No artigo de hoje, vamos explicar sobre a depressão e a ansiedade no idoso, e o delirium, e as particularidades que os diferem das patologistas no jovem.

Depressão

Primeiro de tudo, em relação à depressão, tem que entender que, por definição, é uma patologia da perda do prazer e não da tristeza – que é presente em uma parte menor das pessoas depressivas. E a principal definição da depressão é a perda do prazer no dia a dia, da esperança, da alegria.

Teste de Depressão (PDQ-9)
Esse teste é adaptado do PDQ-9 para quantificação do grau de depressão

Definição

E no idoso, muitas vezes, isso se manifesta como uma apatia, a presença de sentimentos negativos ou a perda de vontade de sair e fazer coisas, de ver o mundo, de achar que não tem solução para a situação dele, de não ter interesse em novas atividades, de querer só coisas conhecidas e de ter uma desilusão.

Classificação

Como ela é classificada? Em depressão maior, distimia e depressão menor. A depressão maior, às vezes, é mais fácil de ser vista, porque a pessoa está muito debilitada pela depressão; essa é aquela que chora, não consegue fazer nada, está o tempo todo na cama, está sempre mal, sempre com aquela postura de pessoa depressiva. E, nesses casos, tem que ter uma intervenção imediata e forte, tanto de medicamento quanto das outras coisas.

A distimia é um humor levemente depressivo por um período maior de tempo, é aquela pessoa que lembra o Sr. Saraiva, que tudo está ruim, tudo reclama, está sempre irritada, tudo tem problema, tudo ela está mal, tudo está errado, a pessoa só vê o lado negativo das coisas, nada tem valor ou não presta, ninguém presta.

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É aquela pessoa que só põe defeito, às vezes, não aparenta estar depressiva, porque está com energia para reclamar, mas é um tipo de depressão também. E, muitas vezes, isso fica por uma longa data, ela vai ficando assim ao longo do tempo.

E tem a depressão menor que é aquela pessoa que está mais contida. Ela não está tendo grandes sinais nem de emoções negativas presentes, mas tem uma queda nas emoções positivas; está sem brilho na vida. É aquela pessoa que está sem brilho, sem aquela vontade de viver, ela não está reclamando, mas existe – isso é uma depressão menor que também tem que ser detectada para ser devidamente tratada.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pela escala de depressão geriátrica que tem 15 itens que têm que ser perguntados e se a pessoa tem 05 respostas ou mais desses 15 itens, é compatível com uma depressão no idoso.

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Ou tem uma versão mais curta, que são as seguintes cinco perguntas, e se tiver duas respostas positivas para elas, já é compatível com uma depressão no idoso:

  • Você está basicamente satisfeito com a sua vida, sim ou não?
  • Você costuma ficar entediado?
  • Você costuma se sentir desamparado?
  • Você prefere ficar em casa em vez de sair e fazer coisas novas?
  • Você se sente inútil do jeito que está agora?

Epidemiologia

Quem são as pessoas que têm, que tanto de pessoas que têm, como é a epidemiologia da depressão no idoso? Aproximadamente 10% de todos os idosos, saudáveis, têm depressão.

Mas, prestem atenção: aproximadamente 50% dos idosos com alguma doença crônica têm depressão clínica, sejam pessoas que sofreram AVC; infarto do miocárdio ou infarto cardíaco; que tenham Parkinson; Alzheimer; câncer ou que estejam hospitalizadas.

Fatores de Risco

Quais são os fatores de risco para a depressão no idoso? Primeiro de todos, sexo feminino, é mais prevalente em mulheres; segundo, pessoas isoladas socialmente, ou seja, senhoras e sozinhas, maior o risco de depressão.

Terceiro, caso – pode ser homem ou mulher – tenha tido uma alteração do status civil, a pessoa ficou viúva, divorciada ou separada, ou seja, teve alguma grande perda de companheiro, também é um grande fator de risco para depressão.

Quarto, baixo status socioeconômico; quinto, condições médicas gerais comórbidas, a pessoa que tem estado de saúde geral ruim, quem tem dor descontrolada; insônia; comprometimento funcional, ou seja, a pessoa que tem dificuldade em fazer coisas do dia a dia dela; e, fundamentalmente, comprometimento cognitivo.

Tratamento

O que é possível fazer para tratar a depressão no idoso? Antes de tudo, claro, antidepressivo; por quê? É a maior taxa de eficácia por custo financeiro e de tempo.

E os medicamentos clássicos para os idosos sempre vão ser: primeiro, a sertralina, que, de todos, é um antidepressivo muito benigno para o idoso, tem um perfil de segurança muito grande. Também são muito boas a paroxetina quando tem um perfil de ansiedade muito grande; a mirtazapina quando tem insônia e perda de apetite; a venlafaxina quando tem ansiedade e dor também.

Existem vários outros, sempre tem que verificar a interação medicamentosa e o grau do problema do paciente, tem que ser individualizado; mas sempre temos que pensar nos antidepressivos clássicos primeiro.

Sempre tem que pôr o exercício físico, que é terapêutico para a depressão: 150 minutos por semana de atividade física aumenta a frequência cardíaca em 50% da linha de base. Também é extremamente importante e fundamental a exposição à luz solar, que ajuda a combater a depressão. Por isso é muito comum pôr os vovozinhos para tomarem sol.

Ter também sessões de psicoterapia, idosos podem fazer psicoterapia sim. Existem psicólogos que são especializados na parte geriátrica, em idosos, que conseguem entender e ter uma visão deles. Não é uma psicoterapia voltada para fazer uma análise, lembrar da infância, o que for, mas para conseguir lidar com os problemas deles de finitude e de limitações que as pessoas acabam desenvolvendo.

E também os cuidados colaborativos, porque com uma rede de cuidados do idoso, ele não vai se sentir sozinho e vai sentir que está inserido em algo – isso é extremamente poderoso para combater a depressão.

Sinais de Alerta

E quais são os principais sinais de alerta que se tem que ter com a depressão do idoso? O principal de todos é aquele idoso que teve o primeiro episódio na vida de depressão, especialmente, após os 50 anos de idade, que nunca teve histórico familiar nenhum de depressão, nem histórico pessoal, e, depois de idoso, aparece do nada.

Sempre tem que investigar alguma doença neurológica de base ou até mesmo uma doença orgânica. Por exemplo, eu já fiz diagnóstico de um câncer de um paciente, uma pessoa trabalhadora rural, que desenvolveu uma depressão aos 60 anos de idade; não tem histórico nenhum de depressão nele, na família, nos pais, nos irmãos, nada. E ele me apareceu com uma depressão grave, não estava respondendo aos medicamentos antidepressivos, medicamentos corretos em associação.

Então, o que eu fiz? Investiguei e acabei achando um câncer pequenininho na base da língua que deu para poder ser plenamente curado. Logo, o sinal de alerta é este: nunca achar que é apenas uma depressão nesses casos – quando a pessoa nunca teve, nem teve na família e surge uma depressão nova.

Igualmente depressões novas, mesmo que a pessoa tenha tido antes, mas que estão extremamente refratárias ao tratamento medicamentoso. Por exemplo, a pessoa teve já uma depressão no pós-parto e agora, na casa dos 60, está tendo outra, mas muito grave, em que está tomando 02, 03 remédios e não melhora nada. É extremamente importante investigar outra doença neurológica de base, pois a causa dessa tamanha depressão pode ser, por exemplo, um Parkinson, Alzheimer ou outra doença.

Você que está lendo o artigo sobre as doenças psiquiátricas do idoso, escreva nos comentários o que acha disso, quais são suas dúvidas, o que gostaria de ler nos próximos artigos em relação às doenças psiquiátricas do idoso ou aos outros temas para que possamos ter ideias do que vocês gostariam de ler para produzirmos novos conteúdos.

Ansiedade

Agora vamos abordar sobre a ansiedade no idoso. Ela é definida como uma preocupação excessiva e persistente que é difícil de controlar, e que causa sofrimento e prejuízo significativo à pessoa – ela tem que ter sofrimento e um prejuízo por conta dessa preocupação excessiva e persistente que não consegue controlar.

Definição

Nos idosos, é comum isso vir como uma forma de medo da morte ou de doenças. Lógico, é importante saber que nos idosos tem uma tendência a diminuir a ansiedade, mas, às vezes, podem surgir ansiedades novas ou dar continuidade a ansiedades que a pessoa já tinha.

Classificação

Como se classifica a ansiedade? A ansiedade pode ser generalizada, que é aquela ansiedade com tudo; fobia social, que é a ansiedade em relação a lidar com outras pessoas; fobias específicas, como de elevador, aranha, sapo, chuva.

Tem o transtorno de pânico, em que a pessoa fica tendo crise de pânico; e o transtorno de estresse pós-traumático, em que a pessoa sofre algum trauma e fica revivendo aquilo, e depois fica reverberando na psicologia da pessoa e gerando um transtorno que é de ansiedade também.

Diagnóstico

O diagnóstico da ansiedade é feito através da presença de ansiedade ou de uma preocupação excessiva associada a pelo menos dois dos sintomas seguintes: inquietação ou sentimento de tensão ou a pessoa ficar tensa; ficar facilmente cansada; dificuldade de concentração ou mente que fica em branco; irritabilidade; tensão muscular propriamente dita e perturbação do sono – que seja a dificuldade em iniciar o sono, permanecer dormindo ou um sono inquieto ou insatisfatório.

Epidemiologia

Quais são os idosos que têm ansiedade? São pessoas tipicamente que já tiveram ansiedade ao longo da vida. A ansiedade tem uma curva em ‘U’ invertida: a pessoa nasce não ansiosa, vai aumentando, subindo na casa dos 20. O pico é na casa dos 30 anos, nos 40 vai caindo, nos 50, 60 e depois vai tendo cada vez menos. Ou seja, quanto maior a idade, normalmente, menor a presença de ansiedade – tem uma diminuição da ansiedade com a evolução da idade.

Fatores de Risco

Mas, ainda assim tem pessoas que têm isso como uma tendência genética; é igual um Pinscher que nasceu ansioso e vai morrer ansioso, e assim são algumas pessoas. E diante disso tem o principal fator de risco, que é a genética; é muito comum famílias de ansiosos e a pessoa ser ansiosa desde bebê, criança, desde o pai, vovô, o biso e todo mundo é ansioso. E a história de ansiedade não controlada ao longo da vida, aumenta o risco de ansiedade na velhice.

O sexo feminino é o maior também fator de risco para transtorno de ansiedade; pobreza; eventos adversos recentes na vida, como perdas de entes queridos; reveses financeiros; doenças físicas. E se a pessoa, especialmente, tem alguma doença inflamatória crônica, maior o risco de desenvolver uma ansiedade, pois ela está relacionada com inflamação crônica.

Tratamento

E quais são os principais tratamentos para o transtorno de ansiedade? O principal tratamento é com antidepressivo, não é benzodiazepínico, são antidepressivos focados em ansiedade – antidepressivo não é só para depressão, ele também ajuda a tratar transtorno de ansiedade.

E os clássicos para isso são: escitalopram, sertralina, paroxetina e também, em menor proporção, a fluoxetina, fluvoxamina e venlafaxina. Também pode ser utilizado para o transtorno de ansiedade a buspirona, um medicamento que não é tarja preta, não vicia, não causa dependência e trata a ansiedade, mas tem que ir progredindo a dose.

E a própria pregabalina também é muito bem indicada para transtorno de ansiedade, porém tem que ficar atento aos efeitos colaterais. E pode utilizar os famosos benzodiazepínicos, como o clonazepam, que é o Rivotril; o Alprazolam, que é o frontal; ou até o diazepam – esses todos devem ser usados com muita parcimônia para poder reduzir os sintomas de ansiedade agudos, mas não serem uma terapêutica a longo prazo.

É extremamente importante utilizar terapia cognitivo-comportamental, que é especialmente boa para tratar sintomas de ansiedade. Além disso, os hobbies têm um poder extremamente forte para controlar a ansiedade; aquilo que a pessoa faz tendo prazer, tendo gosto, que ela esquece da vida e do mundo, ajuda a reduzir a ansiedade.

Exercícios físicos, especialmente aqueles de alta intensidade, que aumentam bastante a frequência cardíaca, têm um poder de alívio da ansiedade, de válvula de escape da ansiedade, maior do que outros. Até mesmo porque a ansiedade é a doença que faz o povo se preparar para a luta ou fuga; se você faz exercícios físicos, está como se pondo o corpo para fazer essa luta ou fuga, e isso acaba dando vazão ao que o corpo queria fazer.

Também tem uma evidência muito grande na meditação mindfulness, mas não para a crise de ansiedade. Uma vez que a pessoa controlou a ansiedade com medicamentos, terapia e outras coisas, a meditação é muito boa para manter a pessoa e prevenir recaídas. E a ioga também tem uma grande evidência no manejo da ansiedade.

Sinais de Alerta

E ao que tem que ficar alerta? Tanto o médico quanto o paciente têm que manter esse alerta na presença de agitação psicomotora, uma piora da insônia, mesmo com o tratamento correto.

Se o paciente está recebendo tratamento médico correto e está piorando a agitação, a insônia, isso é um sinal de alerta máximo, porque algo está errado: o medicamento está tendo efeito reverso ou o paciente está com outra patologia que está fazendo-o ficar pior. Especial atenção quando isso acontece com os benzodiazepínicos, porque podem ter efeito reverso, que é chamado de paradoxal.

Delirium

Também vamos explicar sobre o delirium, uma condição neuropsiquiátrica que afeta o funcionamento global do cérebro, que é um estado confusional, agudo, caracterizado por uma alteração do nível de consciência e da capacidade reduzida de atenção. É aquele idoso que tem alguma coisa no corpo que não está conseguindo deixá-lo como na sua melhor capacidade de raciocínio e lucidez.

Isso se desenvolve de uma maneira rápida; o delirium se desenvolve em um curto período de tempo, geralmente, em horas a dias, ele tende a flutuar ao longo do dia: tem momentos em que o idoso está todo confuso, depois parece que está bom; em seguida fica todo ruim de novo.

Ele normalmente é causado por alguma condição médica subjacente, tipicamente infecção – é a causa número um de delirium –, e intoxicações medicamentosas, seja retirada de medicamentos ou entrada de substâncias no corpo – tanto a falta quanto a colocação de novos medicamentos também afetam.

Depois têm outras condições médicas, como insuficiência cardíaca; outras isquemias; trombose; e assim por diante. O delirium pode ocorrer de duas maneiras: tanto o hiperativo, em que o idoso fica agitado, quanto o hipoativo, em que vai ficando cada vez mais sonolento e apagado.

Você que conhece alguns idosos ou seus familiares, envie o link deste artigo para essa pessoa, porque vai ajudá-la muito a entender mais sobre o universo mental do idoso. Até mesmo para compreender a como fazer a leitura das emoções deles e assim fazer diagnósticos no tempo correto e preciso, e ajudar o idoso a ser corretamente tratado.

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Sobre o Autor:
Willian Rezende do Carmo

CRM: 160.140
RQE: 50.546

Fundador da clínica Regenerati. Médico do Sirio Libanes, BP Mirante e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Neurologista especializado em dor, sono e disturbio do movimento (Parkinson e tremor).









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