O que é AVC

AVC – O Que é e Como Prevenir


O que é AVC. No artigo de hoje iremos falar sobre o AVC, uma doença comum e que, segundo a Organização Mundial da Saúde, vai acometer uma em cada quatro pessoas. E para aumentar a conscientização e saber como preveni-lo, o Dr. Felipe Borelli Del Guerra, médico neurologista, formado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, membro da Clínica Regenerati e especialista em doenças neurovasculares, falará mais sobre o assunto.

E para começar, vale lembrar que no dia 29 de Outubro, temos o Dia Mundial de Combate ao AVC, então, por isso, resolvemos trazer uma série de informações essenciais para vocês aprenderem o que é o AVC e como combatê-lo.

O que é AVC?

O AVC tem 02 tipos: o isquêmico e o hemorrágico. O isquêmico, geralmente, acontece quando você tem um coágulo que acaba entupindo um vaso do cérebro – que pode acabar levando a sintomas neurológicos do AVC.

No AVC, ocorre, eventualmente, a morte do tecido cerebral que leva aos sintomas que a pessoa pode apresentar. E se ele não for tratado de maneira rápida e eficiente, esses sintomas tendem a se tornar sequelas. Enquanto isso, o AVC hemorrágico acontece quando há a ruptura de um vaso sanguíneo ou de um aneurisma cerebral, que já é um tema para outro artigo.

Teste de risco de AVC
Esse é um teste adaptado que ajuda a estimar o risco anual de se ter um AVC

Tanto o AVC isquêmico quanto o hemorrágico são situações muito graves que precisam ser tratadas. O hemorrágico, inclusive, é mais grave do que o isquêmico, porque pode levar a uma maior chance de morte e de sequelas a longo prazo.

Fatores de Risco

Independentemente do tipo, ambos têm como principal fator de risco a idade. E, infelizmente, isso nós ainda não podemos mudar. Outro fator modificável é a hipertensão arterial sistêmica, que é responsável por cerca de 40% de todos os AVCs.

Então, ela precisa ser tratada. Mas, ainda hoje, no Brasil, é uma doença muito negligenciada, principalmente, por ser silenciosa ou porque, às vezes, o adulto, a pessoa jovem e o idoso, não têm o hábito de frequentar o médico ou de medir a sua pressão arterial.

A luta pela recuperação depois do AVC
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Atualmente, sabemos, por estudos de prevalência no Brasil, que cerca de 30% a 40% da população tem hipertensão arterial sistêmica, mas esse número pode aumentar com a idade. E dessa porcentagem, pelo menos um a cada dois não sabe que tem a pressão arterial elevada.

Então, é muito importante estar frequentemente buscando medi-la, seja no posto de saúde, na farmácia ou em uma consulta médica eventual para ser avaliado. E o médico que cuida da pressão arterial não é só o cardiologista; tem vários profissionais, como o clínico geral, o endocrinologista, o nefrologista e também o neurologista. Portanto, o importante é estar em contato com o seu médico para descobrir e tratar a hipertensão arterial precocemente.

Agora que já falamos desse principal vilão que é silencioso, vamos abordar outros fatores que também são muito importantes de serem rastreados e tratados. Um deles é o diabetes, que assim como a hipertensão, é uma doença silenciosa e aumenta com a idade e com a obesidade.

1 a cada 4 terão AVC segundo a OMS
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Para compreender melhor, o diabetes ocorre quando a pessoa tem um nível de açúcar no sangue elevado, de maneira persistente, e a própria insulina do corpo não é capaz de baixar esses níveis de açúcar no sangue.

A longo prazo esse açúcar acaba sendo tóxico para as células do corpo todo e isso pode levar a formação de placas de gordura e, mais para frente, eventualmente, a um AVC. Então, deve ser igualmente rastreado por exames de sangue e laboratoriais, e por meio de uma avaliação médica, já que também se trata de uma doença silenciosa.

Outro fator de risco é o tabagismo, porque quem fuma, tem 2 vezes mais chances de ter um AVC do que quem não fuma. Logo, é muito importante reconhecer que isso eventualmente é necessário ser parado e entender que é possível fazer tratamento para parar de fumar.

Você reconhecendo que isso é um problema e que deve ser tratado, já é o primeiro passo. E com auxílio médico, de medicações, do psicólogo, e, às vezes, com a ajuda da terapia em grupo, é possível conseguir atingir esse objetivo.

O colesterol elevado também é um fator de risco a ser considerado e, assim como, a pressão alta e o nível de açúcar no sangue elevado, é uma condição silenciosa. E podemos descobri-lo, em exames laboratoriais, em consultas e em check-ups de rotina.

Quem também deve ser citado como um grande vilão é o sedentarismo. No século XXI, apesar de termos mais disponibilidade de academias, de áreas ao ar livre e oportunidades para realizarmos atividade física, por exemplo, estamos fazendo cada vez menos exercícios.

Muito possivelmente, isso acontece por sobrecarga de trabalho. Às vezes, acabamos deixando para outra hora ou para outra semana, sempre protelamos o início; mas é muito importante sermos ativos. As pessoas que praticam atividade física regularmente, pelo menos meia hora, 3 vezes por semana, têm um risco muito menor de ter um acidente vascular encefálico, que é o AVC.

Então, voltando aos fatores de risco, o álcool e o uso de drogas também se enquadram nesta lista. O álcool é como se fosse “uma faca de dois gumes”, porque sabemos que um cálice de vinho por dia, uma pequena dose, entre 15 e 30 gramas por dia, é benéfico para a saúde cardiovascular e pode trazer benefícios.

Porém, a ingestão indiscriminada, diária e em grandes quantidades, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, eleva a pressão arterial e, principalmente, aumenta o risco de se ter um AVC.

No nosso dia a dia, atendemos, frequentemente, pacientes – muitas vezes jovens –, que têm pressão arterial elevada e que ingerem álcool em grande quantidade. Geralmente, é por causa do grande consumo de álcool que pode haver a precipitação do evento de AVC hemorrágico, porque o álcool age nas nossas células de coagulação e nas plaquetas, e diminui a eficiência delas. Então, é muito importante evitar o consumo em excesso e desenfreado.

Assim como é importante prevenirmos as doenças cardíacas, que também podem levar ao AVC, seja porque o coração, às vezes, bate fraco e isso pode fazer com que ele junte coágulo e, eventualmente, um desses coágulos pode ir para o cérebro.

Ou por causa das arritmias, principalmente, sendo a fibrilação atrial, a arritmia mais comum no idoso. E, assim como as outras doenças, também é silenciosa e pode se manifestar, na primeira vez, como AVC, porque ela faz com que se forme coágulo, devido ao excesso de batimentos, e ele acabe indo para o cérebro.

E essa arritmia pode ser descoberta por meio da avaliação clínica ou por meio de exames, como Holter e eletrocardiograma. Então, as doenças do coração também podem levar a um AVC. Porém, é prevenível se for feito um acompanhamento médico precoce para descobri-los antes que seja instalado o AVC.

Formas de Reconhecer o AVC

Muitas pessoas podem se perguntar ou ter dúvida se o AVC e o derrame são a mesma coisa. E sim, eles são a mesma coisa. Como esses termos foram consagrados pelo uso popular, ficou-se decidido que seriam sinônimos e que poderiam ser utilizados de maneira intercambiável.

Dito isso, é importante saber que ele pode se apresentar de diversas maneiras, mas a forma mais simples de identificar é quando a pessoa tem o que chamamos de déficit neurológico focal, que, geralmente, é quando o paciente apresenta uma fraqueza em um lado do corpo.

Por exemplo, uma boca torta; uma dificuldade para sorrir; uma perda de sensibilidade em um dos lados; uma dor de cabeça forte, súbita, de maneira muito intensa, chegando com maior intensidade no primeiro minuto; uma tontura ou vertigem muito intensa, que a pessoa não tinha antes.

Além disso, pode ser associado a outras alterações neurológicas, como alteração na fala: a pessoa tende a desenvolver uma fala enrolada e a ter dificuldade de engolir; ela pode apresentar alteração na visão, tanto com perda visual de um olho, em que, às vezes, se queixa que apaga toda a visão de um lado e só consegue enxergar com o outro. Ou os objetos podem ficar duplicados, o que leva a uma queixa de visão dupla.

Portanto, esses são os sinais mais comuns. Outros sintomas podem incluir: perda da habilidade de se comunicar, tanto de entender a linguagem falada, quanto a emissão dela. E, geralmente, essas alterações da linguagem e da fala acontecem muito com a fraqueza do lado direito. Assim sendo, quando esses sintomas ocorrem, você deve rapidamente pensar em um AVC.

E para facilitar no diagnóstico, possuímos um mnemônico clássico, um lembrete chamado SAMU, em que temos: “S”, de Sorria: se a pessoa sorri e a boca realmente não faz um sorriso bonito, você pode pensar que ela está tendo um derrame.

“A”, de Abrace: caso a pessoa seja incapaz de abraçar, de levantar os braços e de mantê-los erguidos para poder abraçar o outro, provavelmente ela pode estar tendo um AVC. “M”, de Música: se a pessoa não consegue cantar ou falar, ou seja, se a fala fica enrolada ou se ela não consegue entender a música, é para suspeitar de um acidente vascular cerebral.

E “U”, de Urgente: é muito importante reconhecer o AVC o quanto antes, uma vez que o tratamento deve ser feito precocemente, com o intuito de proporcionar os melhores resultados. Então, lembre-se do SAMU: Sorria, Abraço, Música e Urgente.

Como Proceder Após a Identificação de um Caso de AVC?

Tendo reconhecido um AVC, você deve ligar, imediatamente, para o serviço de socorro – telefone 192, do SAMU. Eventualmente, se estiver em uma situação em que o serviço de urgência possa demorar ou na qual não consiga acesso a um telefone para ligar, o ideal é que essa pessoa que está sofrendo o AVC seja removida para o hospital mais próximo.

Ao fazer isso, evite levá-la em um local com poucos recursos, porque é necessário fazer tomografia e medicá-la com um remédio chamado trombolítico, que dissolve os coágulos, principalmente os do AVC, e eles só estão disponíveis em hospitais maiores.

Ou seja, não costumam ser encontrados em UPAs e nem em postos de saúde. Então, é muito importante que ao reconhecer o AVC, você vá para o lugar certo, para que a pessoa aumente as chances de receber essa medicação, que melhora consideravelmente o desfecho dos pacientes que sofrem de acidente vascular cerebral isquêmico.

Além disso, nos últimos anos, surgiu um tratamento, a trombectomia mecânica, que, assim como o cateterismo – feito em infarto –, retira o coágulo do vaso sanguíneo. Com isso, podemos restabelecer a circulação do cérebro em até 24 horas após o AVC. Fato que abriu o leque de possibilidades de tratamento desta condição médica e que tem reduzido consideravelmente as sequelas dos nossos pacientes.

Diante de tudo o que foi exposto aqui, concluo que a ideia deste artigo é fazer com que você reconheça o AVC, previna-o, e se estiver diante de um caso, saiba que deve levar o paciente o mais rápido possível para o hospital, para que ele possa ser atendido e receber a medicação adequada.

Então, se você gostou do conteúdo de hoje, curta e compartilhe para que cada vez mais as pessoas se conscientizem do que se trata o AVC, como identificá-lo e do que pode ser feito quando se depararem em uma situação como esta.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Mais Informações sobre “O que é AVC” na Internet:

Sobre o Autor:
Felipe Borelli Del Guerra

CRM: 185.538

Neurologista Clínico do HCFMUSP e Hospital Santa Paula. Especialista em doenças cérebrovasculares.









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