Diferença Entre Luto e Depressão

Luto e Depressão – A Diferença Entre Luto e Depressão


Luto e Depressão. Você já passou por um luto alguma vez na sua vida? Conhece alguém que já passou por isso?

Meu nome é Lara Miranda, sou psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalho com Coaching e PNL, e conversamos sobre Ansiedade, Depressão, Carreira, Relacionamentos e as dificuldades que vão acontecer ao longo da sua vida. Então, vem comigo se você tem interesse nesse assunto que vamos falar hoje.

Diferença Entre Luto e Depressão

É muito comum que as pessoas confundam o momento do luto com a depressão. E eu escuto muito no consultório, paciente chegando e falando sobre a queixa de que está deprimido por causa de um momento de luto.

Eu costumo brincar e falar muito que o luto, na verdade, faz parte do processo de vida, mas que ninguém sofre porque alguém morreu. E quando falo sobre isso, as pessoas ficam assustadas, porque estão vindo com a queixa da morte e eu vou falar justamente que não, que você não está sofrendo pela morte de alguém, mas que está sofrendo pelo impacto que a morte daquela pessoa tem na sua vida.

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Um exemplo disso, vou compartilhar com vocês, aconteceu comigo. Quando eu tinha 08 anos, o meu pai faleceu e no momento em que cheguei no velório dele, que eu vi a cena do caixão e tudo, a primeira pergunta que eu fiz para minha mãe foi: “quem vai pagar a minha escola”?

E a preocupação: eu era apaixonada na minha escola, uma escola particular, cara, eu ouvia a conversa entre eles de que era difícil pagar por ela, e eu não queria sair dela. Então, não tinha a ver com a morte do meu pai, a minha primeira preocupação já foi: “quem vai pagar minha escola”?

Quantas vezes estamos vivendo esse momento e nos perguntamos: “o que vai ser da minha vida sem o meu pai, a minha mãe, o meu filho”? E não conseguimos pensar nesse futuro, ele se torna um buraco negro e vem o sofrimento em cima disso.

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Fases do Luto

Primeiro, o importante é entendermos as fases do luto, porque existe uma fase, é um momento de elaboração e costumamos classificar isso em cinco estágios.

Estágio da Negação

O primeiro é o estágio da negação. Esse é aquele momento em que “eu não acredito, meu pai morreu, como assim?”. No meu caso, era uma apresentação de um show de dança e nós saímos para uma festa e voltamos para um velório.

Então, negamos, “como assim, mas ele estava muito bem, não tinha nada, não estava doente” e negando o tempo inteiro. “Não conseguimos viver sem ele, ele era o eixo da família, o provedor”, e são várias afirmações nesse sentido que trazem uma ideia negativa mesmo.

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Daquele momento, causa uma desordem total. Porque é negação, você não está enfrentando o problema, não está olhando para ele e nem para sua capacidade de resolvê-lo.

Algumas pessoas ficam por esse período ou um tempo maior; outras, conseguem passar por isso em um curto espaço de dias. Mas isso depende muito, não existe uma regra de que você vai conseguir com uma semana, um mês e assim por diante.

Os estágios não têm essa condição de tempo; isso depende de como você vai vivenciar cada um deles. Então, no momento da morte, eu conheço casos de pessoas que enterraram as esposas e logo depois foram para o escritório trabalhar. Isso é uma maneira que a pessoa tem de olhar para vida e seguir em frente. Já existem aqueles que vão para o quarto, não querem receber ninguém em casa e vão se fechar.

O importante disso é respeitar quem é você. Mas acontece que o meio traz uma condição de cobrança o tempo inteiro, o meio em que você vive. Então, tem pessoas, por exemplo, que não têm foto de ninguém em casa, mas quando alguém morre, ela coloca tudo quanto é porta retrato em casa e é a maneira de fazer presente quem se foi.

Conheço um caso de um amigo que eu conheci recentemente: a esposa dele faleceu há três anos e ele fala que ela era a mulher da vida dele. E no dia em que me conheceu, me abordou sabendo já que eu era psicóloga e veio me perguntar o que eu achava, porque as pessoas criticam muito o comportamento dele, dizendo que está negando a morte da esposa.

Porque, o que ele faz? Tem uma foto, revelada em um tamanho maior; moramos no mesmo flat, na hora do café da manhã, ele desce e coloca a foto dela na cadeira, sentada em frente a ele, como se estivesse tomando o café da manhã com a esposa. Quando vai sair, coloca a foto dela ao lado do banco do passageiro no carro, porque ela vai com ele.

É muito comum essa pergunta de certo e errado, mas eu falo que tenho uma dificuldade enorme de dizer o que é certo ou errado em um desses momentos, porque quando me fez essa pergunta de que as pessoas querem que deixe essa foto de lado, para ele, essa foto representa todas as suas memórias; ele não tem interesse em viver outro relacionamento, vive bem com a memória que tem sobre o relacionamento, o tempo dele de casado e não quer se desfazer disso.

Então, a primeira pergunta que eu fiz foi: como você se sente em relação a isso? E disse que acha importante fazer a presença da esposa com ele, porque, com isso, está valorizando quem ela foi na sua vida.

Dessa forma, ele nem vê o luto, já está vendo a história de vida dos dois: que ela era uma mulher magnífica e ele não vai se desfazer disso. Quem sou eu, quem somos nós, para julgar? Se isso está fazendo bem para ele, porque vamos mexer?

Logo, ele está em uma fase da negação, mas já elaborou esse luto. Por quê? Porque não tem a condição de que ela não está mais aqui; a necessidade dele já é de fazer a presença dela com ele de alguma forma.

Estágio da Raiva

Já passando para o segundo estágio, vem a raiva, em que são perguntas do tipo: “Por que Deus fez isso comigo, eu não merecia isso”, “mas o meu pai era uma pessoa tão boa, ele nunca fez mal para ninguém, por que ele foi assassinado?“, “por que ele sofreu um acidente”? E dependendo da causa da morte, são as perguntas que vamos ouvir, que vamos nos fazer e tudo mais.

Então, a fase da raiva talvez seja aquela em que estamos começando a conseguir colocar para fora o nosso sentimento, porque enquanto negamos, nem estamos olhando; já na fase da raiva, começamos a falar sobre isso e a externalizar.

O que é legal, porque, à medida que você está colocando para fora, começa a entrar em contato com o sentimento, a vivência do que aconteceu e o impacto que aquilo trouxe para você.

Estágio da Barganha

Já passando para o terceiro estágio, nós temos a barganha. É como se fosse uma negociação que fazemos com o outro. Então, eu perdi o meu pai, o que eu vou fazer agora? O que isso vai mudar na minha vida?

É como se eu fizesse uma troca: o meu pai morreu, mas eu preciso continuar estudando, porque preciso continuar dando orgulho para ele. Então, estou trocando a morte, tristeza, angústia, falta dele, por um comportamento em que vou tê-lo como presente na minha vida, eu vou continuar sendo a filha que sempre fui.

E assim, eu começo a amenizar, porque era isso que meu pai esperava de mim, é isso que ele me ensinou nos oito anos em que conviveu comigo. E então, começamos a fazer esse tipo de troca, a lembrar do que era importante para quem se foi, como eram as relações, os valores que essa pessoa tinha, o que ela representava na sua vida. E isso começa já a te aproximar da pessoa, saindo daquele estágio de raiva, angústia extrema, agressividade, esses pontos que são comuns nesse momento.

Estágio da Depressão

Depois, nós temos o quarto estágio, que está relacionado à depressão – não como doença, patologia da depressão, porque, muitas vezes, as pessoas entendem luto como depressão.

Só que, nesse momento, é aquela questão de tristeza, de olhar para o seu problema, ver que o cenário não vai mudar e que você precisa fazer alguma coisa sem ter força para fazer aquilo. Quanto mais próxima a pessoa que você perdeu, mais essa fase da depressão vai impactar na sua vida.

Eu conheço um caso em que o esposo perdeu a esposa e ele trabalhava, entregava todo o dinheiro na mão dela, que administrava tudo de casa. Então, quando ela ficou doente e logo depois morreu – foi muito rápido isso –, ele não tinha noção de senha bancária, cartão de crédito, que conta estava paga, o que não estava paga, sobre os compromissos dos filhos, nada disso.

E ele teve que, além de lidar com o luto, a falta da esposa, a tristeza dos filhos, aprender a administrar a vida financeira, de casa, dos filhos, passou por momentos de pagar conta repetida, de deixar contas sem pagar, porque não tinha noção de como estava; até que ele se reintegrasse de tudo isso. E assim, a pessoa começa a se ver como incapaz, porque era o outro que fazia tudo e ele não conseguia; gera outra dificuldade nessa elaboração do luto.

Estágio da Aceitação

Por fim, nós temos a aceitação, porque nesse exemplo que eu estou dizendo, tem a ver com a pessoa conseguir ter o controle, a administração da vida dela e dos filhos. No meu caso que estou compartilhando com vocês, tem a ver com eu entender o que a morte do meu pai podia representar na minha vida.

Então, eu falo muito que a minha maior dor me trouxe o meu maior amor, porque, através da morte dele, eu conheci o que era um processo terapêutico e aquilo era tão bom, me aliviava tanto, eu sempre falava que ia ser igual a tia Marta, mas eu nem sabia o nome da profissão, eu acho, não tenho lembrança disso.

Logo, para mim era: “eu quero ser a tia Marta”, não era “eu quero ser psicóloga”, porque a tia Marta aliviava a minha dor e para ela era interessante, porque eu saia daquele cenário em que sofria muito em casa, porque eu tive, por muito tempo, uma culpa pela morte do meu pai: ele sempre me acompanhava, então, para mim, eu tinha o levado até aquele teatro onde a tragédia aconteceu.

Mas depois da terapia eu aprendi que o meu pai só estava sendo pai, que foi o que ele fez a vida inteira; e um pai acompanha uma filha de 08 anos e a sua irmã, que tinha seis. Então, ele só estava sendo pai, que era mais um motivo para eu ter orgulho dele.

Com todo esse cenário, eu aprendi que a minha maior dor me trouxe o meu maior amor. E o meu pai, mesmo na ausência dele, na morte, me encaminhou na vida; foi ele que me deu direção, apresentou a carreira, realizou esse meu sonho de vida, de profissão. Então, para vocês verem como que tem essa questão da tristeza; mas as pessoas julgam muito.

Eu vou contar uma história que me marcou muito: uma amiga minha perdeu os dois filhos por uma doença genética que não foi muito esclarecida na época qual era a causa, mas algo como uma incompatibilidade de genes entre ela e o marido.

A medula dos filhos parava de produzir glóbulos brancos em um determinado momento da vida e ela os perdeu com uma diferença de idade de 01, 02 anos entre um e outro. Os dois faleceram com a mesma doença e ela me contou sobre ter conversado com algumas pessoas e que umas diziam que precisava parar de chorar; que já era hora de voltar a viver, porque os filhos dela já tinham morrido, mas que ela tinha a vida dela para seguir.

Complicado falarmos isso, porque algumas pessoas precisam chorar por muito tempo. E entender o seu momento, o seu tempo, a sua fase, é importante. Agora, a partir do momento que você percebe que já começa a fazer outros pensamentos como esses que estou descrevendo sobre as fases do luto e consegue evoluir nesse processo, é diferente. Quando ela ouvia isso, de que não podia mais chorar, que tinha que seguir em frente, tinha um marido, um trabalho, para ela, isso era como se precisasse esquecer os filhos.

Logo, só conseguiu ir adiante quando deu um novo significado para a vida, em que usou a morte para acolher. Ela trabalha muito em igreja, com atividades voluntárias, e acolhe adolescentes, dependentes químicos, que acabam abraçando-a e chamando-a de mãe. Então, hoje fala que vê um pouco dos dois filhos dela nesse trabalho que faz.

Isso é ressignificar. Não significa que ela deixou de sofrer, de se lembrar dos filhos ou de sentir a falta, nada disso, ela encontrou um novo significado para aquela morte dos filhos dela e é uma coisa que acalenta o seu coração.

Formas de Lidar com o Luto e a Depressão

É muito importante pensar nisso, do que vai acalentar o seu coração, o que vai seguir a sua vida; não entendam que todo luto vai virar uma depressão e isso é importante: diferenciar o que é um processo natural, uma reação do que você está vivendo, da sua experiência e do que é uma doença.

Existem algumas pessoas que realmente evoluem para depressão, mas uma dica para vocês: como saber se estou deprimido, se estou caminhando nesse processo de elaboração do luto ou não? Depende de quanto o luto está afetando a sua vida. Nesse caso que eu citei para vocês sobre o rapaz que perdeu a esposa, ele, aos poucos, foi retomando os compromissos da vida e conseguiu administrar tudo e tomar frente com os filhos, e eles seguiram.

Agora, quando esse tempo vai aumentando muito e a pessoa não consegue trabalhar, estudar, ela vai abrindo mão do seu dia a dia, é hora de procurar um neurologista, um psiquiatra, porque, além de estar vivendo uma experiência que é natural, a reação que você está tendo, está causando um comprometimento maior, então nesse momento você busca essa ajuda, porque isso vai te ajudar.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Se você gostou, curte o artigo e até a próxima!

Mais Informações sobre este assunto na Internet:

Sobre o Autor:
Lara Beatriz Siqueira Miranda

CRP: 06/000717IS

Psicóloga com experiência hospitalar no grupo de obesidade, cirurgia bariatrica e Coach profissional com certificação internacional. Especialista em Terapia Cognitiva-Comportamental e Terapia para perda de peso.









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