Atraso das Fases do Sono

Sono – Avanço e Atraso das Fases do Sono


Se você quer saber o que é Atraso das Fases do Sono e Avanço das Fases do Sono, que afetam muito mais pessoas do que imagina, fique até o final deste artigo que a psicóloga clínica Eliane Aversa, especialista em Sono, que trabalha com Terapia Cognitivo-Comportamental, principalmente com distúrbios do sono, atendendo no tratamento das insônias, vai abordar sobre isso.

Síndromes do Avanço e Atraso das Fases do Sono

Hoje, nós vamos explicar sobre aquelas pessoas que dormem e acordam muito cedo, e das que dormem e também acordam muito tarde. Esses transtornos são descritos como uma síndrome do avanço das fases do sono e uma síndrome do atraso das fases do sono.

Como é sabido, o sono é regido por um ritmo circadiano, que nós conhecemos como relógio biológico, distribuído em 24h, que alterna períodos entre sono e alerta, que é a nossa vigília, e esses intervalos são regulares, de repetição.

Esse ritmo tem a participação de um hormônio importante – que é o hormônio do sono –, que é a melatonina.

Teste de Insônia
Teste que tem objetivo de quantificar o grau de insônia da pessoa.

Síndrome do Atraso das Fases do Sono

Na síndrome do atraso das fases do sono, ou seja, o sono vem bem mais tarde do que a maioria das pessoas, há uma alteração nesse ritmo circadiano. Essas pessoas adormecem bem mais tarde, muito além da meia-noite, e têm muita dificuldade em acordar cedo e serem produtivas pela manhã.

Mesmo tendo essa síndrome, elas dormem com regularidade, só que dentro do horário delas. Por exemplo, uma pessoa que vai dormir às quatro da manhã e acorda meio-dia, tem uma regularidade, isso não é considerado insônia; simplesmente, tem uma alteração no padrão do ritmo circadiano.

Essas atividades, esse tipo de transtorno, têm uma incompatibilidade com as normas da sociedade, então, normalmente, as pessoas têm dificuldade de se relacionar bem no trabalho, na escola, são até vistas como alunos ou trabalhadores bastante preguiçosos, carregando esse estigma. Mas é uma condição crônica e precisa acontecer, pelo menos, por um mês para ser considerada uma forma de fechamento de diagnóstico.

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Esse atraso das fases do sono é bem típico do jovem; então, são essas pessoas que são mais produtivas, mais criativas, à noite; e pela manhã, têm uma dificuldade muito grande de engrenar o sistema de alerta.

Como ainda é uma condição desconhecida, muitas vezes, é tratada erroneamente como insônia. A prevalência entre os adolescentes é grande, de 7% a 16%, e nos adultos, bem menor, de 0% – 15%. E tanto no sexo feminino quanto no masculino.

Diagnóstico

Para se fazer um bom diagnóstico, é importante uma entrevista clínica, o uso de actigrafia – é um relógio que vai medir todo o movimento que a pessoa passa a ter tanto em repouso quanto em atividade. É registrado por vários dias até que se possa fechar um diagnóstico.

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É importante fazer, muitas vezes, uma polissonografia, que é para excluir outras doenças, fazer um diagnóstico diferencial, como doenças que tenham esse sono desregulado, como a narcolepsia e apneia do sono.

Tratamentos

Os tratamentos incluem uma boa higiene do sono, uma regularidade para que todo o cenário do sono seja bem controlado, bem propício; exercícios físicos também, muitas vezes, funcionam bem para a pessoa entrar nesse padrão de sono-vigília, estar bastante ativa, alerta durante o dia.

O recurso medicamentoso também é importante, muitas vezes, ocorrendo a suplementação desse hormônio que, normalmente, produzimos, que é a melatonina.

Frequentemente, essas pessoas, dentro do tratamento, recorrem a várias condições para facilitar o despertar. Então, recorrem aos familiares para ficarem atentos para que não percam a hora pela manhã; pacientes colocam vários despertadores ao mesmo tempo para irem levantando e desligando esses despertadores, e não ficarem na cama e nem cochilarem novamente.

E, de modo geral, mediante a esse transtorno, escolhem carreiras muito mais flexíveis, como seguranças noturnos, pessoal que trabalha em call center, casas noturnas… Não trabalham mais como freelancers, mais independentes para adaptar essa qualidade de sono deles com uma rotina de trabalho.

Algumas pessoas também recorrem aos cochilos diurnos ou noturnos para também tirarem essa grande diferença. De um modo geral, a queixa delas é que têm bastante prejuízos sociais e ocupacionais, de leves até graves.

Para começar o tratamento, qualquer um daqueles que seja proposto, é bem importante que as pessoas estejam muito descansadas. Então, um dos primeiros tratamentos a que se recorre é a terapia de luz, que é chamada de fototerapia. Pode ser natural, pela luz solar, ou artificial – de preferência, que esse tratamento seja feito com acompanhamento de especialistas.

Artificial, existem lâmpadas, caixas de luz com, aproximadamente, 10 mil lux, que é a pessoa exposta, em média por 30 minutos, na hora habitual de despertar, para que comece a ficar mais vigilante, mais alerta, mais cedo. A melatonina também é bem comum estar sendo usada em conjunto.

Mas o resultado do tratamento é bastante individual e é considerado um transtorno difícil de tratar. Então, o que se aplica? Luzes fracas à noite e luz brilhante ao acordar. Isso vai ajudar as pessoas a avançarem a fase do sono e luz brilhante à noite vai atrasar a fase do sono. Até mesmo, muitas vezes, pedimos para usar óculos escuros à noite para que não tenham nenhum tipo de contato com a luz e esse sono chegar mais cedo.

Outra técnica utilizada é chamada de cronoterapia, ou seja, é uma técnica que vai modificar o nosso relógio biológico, esse ritmo circadiano, manipulando os horários de sono.

Ele pode acontecer de duas formas: você fica acordado uma noite inteira e no dia seguinte inteiro até chegar, por exemplo, às 23h e tentar engrenar todos os dias e dormir no mesmo horário.

Ou pode ser gradativo: se orienta a pessoa a dormir cada vez mais tarde, em termos de 3h, durante uma semana de tratamento. No primeiro horário, vai dormir às 5h; no outro dia, às 8h; no outro, às 11h; às 14h; às 17h; às 20h; até chegar no horário das 23h, que seria um horário padrão, compatível com a sociedade. Então, dorme das 5h às 13h; depois, das 8h às 16h; e vai virando o relógio biológico em uma semana.

E se faz uma manutenção a partir disso, quando se chega no horário desejado – essa técnica exige um cronograma bem disciplinado tanto para a hora de dormir quanto para a hora de levantar.

Síndrome do Avanço das Fases do Sono

Antes, explicamos sobre o atraso e as fases de sono comuns nos jovens. Em contrapartida, existe o avanço das fases do sono, que é um distúrbio, que também é do ritmo circadiano, que faz com que alguém vá dormir e acordar mais cedo, pela manhã, em comparação com a maioria das pessoas, com as regras sociais. É uma desordem do sono caracterizada por um desequilíbrio entre o relógio interno e as normas da sociedade.

Normalmente, essas pessoas sentem uma sonolência excessiva à noite, e no início da noite, e adormecem muito cedo. E é o sono considerado dos idosos, que têm um sono muito mais cedo, dormem umas 6h, acordam pela madrugada, acham erroneamente que têm insônia e pedem para tratar essa insônia para conseguirem dormir até 6h, 7h, um horário mais convencional.

Essa prevalência também não é muito exata, mas, em média, atinge 1% das pessoas.

Diagnóstico

Para um correto diagnóstico, a mesma coisa: deve ser usado todo o levantamento de uma história clínica, registros do sono, diários do sono, para se ter uma ideia de quais são os horários frequentes de acordar e levantar. Bastante uso da actigrafia, que é uma espécie de relógio que vai monitorar todo o padrão de atividade e de repouso de cada indivíduo.

Esses sintomas devem estar presentes por volta, pelo menos, de uns três meses e também pode ser feito o diagnóstico diferencial tanto para depressão quanto para apneia do sono.

Tratamentos

Nesse caso, do atraso das fases do sono, o tratamento mais eficaz é considerado o uso de fototerapia – ‘foto’ é luz. Então, também, como nós acabamos de abordar, melatonina é suscetível à luz na sua produção, é produzida no escuro.

E se retrai, para de ser produzida na presença de luz. Logo, isso é um recurso que se utiliza. A exposição a uma luz bem forte vai suprimir a produção de melatonina e melhorar a regulação do ritmo circadiano.

Os idosos têm muito menos probabilidade de receber luz brilhante diária e produzir um ciclo de sono-vigília satisfatório. Assim sendo, é importante que sejam expostos ao sol, principalmente, pela manhã, quando já estão no horário bom; mas, à noite, é indispensável que recebam muita luz para atrasar o sono e consigam chegar mais perto de um padrão que a sociedade usa.

Portanto, se querem dormir das 22h às 6h, começam a ter sono às 20h e vão acordar umas 3h, 4h, que é considerado pouco para eles, inclusive porque já têm poucas atividades, já têm a aposentadoria, então, seria importante dormirem um pouquinho mais tarde para o bem-estar deles.

Além da melhora do sono, com essa exposição à luz, muitas vezes, é percebida uma redução dos sintomas, inclusive, pertinentes à demência e à própria depressão nos idosos.

Logo, é necessário também manter, rigidamente, o ciclo de sono-vigília desejado a partir do momento em que se consegue instalar um padrão novo com a aplicação da luz, por uns 30 minutos à noite, enquanto faz todas as atividades.

Como não tem luz solar à noite, se recorrem às mesas de luz e lâmpadas mesmo, com a mesma quantidade que abordamos para o atraso das fases do sono, em torno de 10 mil lux. Ou seja, quando ficar realmente difícil a exposição à luz natural, se recorre à luz artificial.

Estudos também mostram, inclusive, que essa terapia de luz, brilhante, forte, é muito eficaz também na diminuição dos cochilos diurnos, aumenta o nível de atividade, a pessoa se sente mais disposta para passar o dia, fazer atividade física e também aumenta os níveis de melatonina durante a noite, que é esse hormônio natural – e deve ser usada por meia hora, enquanto as pessoas fazem essas outras atividades.

Então, isso era o que queríamos detalhar hoje para vocês: que existem esses transtornos tanto do sono mais comum no jovem quanto no idoso e como as terapêuticas são feitas a partir do diagnóstico preciso desses transtornos.

Se você se identifica com esses problemas ou conhece alguém que sofre com esses transtornos, procure os especialistas em Medicina do Sono, que são as pessoas mais indicadas para diagnosticá-las, orientá-las e tratá-las.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Mais Informações sobre este assunto na Internet:

Sobre o Autor:
Eliane Aversa Lopes

CRP: 06/10.857

Psicóloga da UNIFESP. Especialista no setor de distúrbios do sono, Psicoterapia Cognitiva-Comportamental, Tabagismo e Terapia de casais.











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