Cefaleia Crônica Diária

Cefaleia Crônica Diária – Enxaqueca


Se você quer saber tudo sobre enxaqueca crônica e cefaleia diária crônica, fique até o final deste artigo que vamos falar mais sobre isso hoje. E quem vai detalhar melhor sobre este assunto é o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista, fundador da Clínica Regenerati e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções, Neurologia Geral e tudo o que há de novo no mundo da Neurociência.

A Cefaleia Diária Crônica ou a Enxaqueca crônica é um grupo de entidades de patologias de dores de cabeça que acomete uma gama de pessoas.

O que é uma Cefaleia Crônica Diária?

Primeiro, tem que ser uma cefaleia primária, que não é devida ou secundária a alguma outra coisa, ou seja, ela não tem outra causa, como, por exemplo, um tumor, um aneurisma, um sangramento, uma vasculite, uma infecção ou uma inflamação. Ela é devida a uma disfunção primária dos sistemas nervosos central e periférico, como, por exemplo, os nervos do trigêmeo e a sensibilização do cérebro.

Logo, a cefaleia primária é uma coisa inata, da pessoa. Então, o paciente tem que ter a dor de cabeça em uma frequência de 15 dias ou mais no mês, por pelo menos 03 meses, nos últimos 12 meses.

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Ou seja, não precisam ser três meses seguidos, podem ser 03 meses ao longo dos 12 meses e desses 15 dias de dor de cabeça, tem que ter pelo menos 08 dias com sinais de gravidade, como, por exemplo, uma cefaleia de dor moderada a alta intensidade. Isso traz a definição de uma cefaleia diária crônica: 15 dias de dor no mês, mais de 03 meses e com pelo menos 08 dias ou mais de moderada a alta intensidade.

E o que é a intensidade da dor? Uma dor fraca é aquela em que a pessoa tem as dores de cabeça dela, mas faz todas as coisas do seu dia a dia sem nenhum prejuízo e sem tomar remédio; ou seja, segue o seu dia normalmente e sem interrupção ou problema.

Dor moderada é quando o indivíduo tem a dor de cabeça e realiza as suas tarefas do dia a dia mais devagar, com interrupções, não faz com a mesma velocidade, intensidade e concentração que faria normalmente se não tivesse dor.

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A dor grave é aquela em que no momento da dor, a pessoa está incapacitada. Então, não consegue trabalhar, se divertir, sociabilizar e, basicamente, fica parada e incapacitada pela dor naquele momento. E, todas elas, mesmo da mais fraca que seja, entram na conta dos dias de dor para ter a definição.

Tipos de Dores de Cabeça Crônicas que Existem

Quais são os principais tipos de dores de cabeça crônicas que existem?

Enxaqueca Crônica Diária

Existe a enxaqueca crônica diária propriamente dita, que precisa ter pelo menos 08 dias com características de dor de enxaqueca, que é de moderada a alta intensidade, especialmente que pulsa e lateja; que tem náuseas; vômitos; incômodo com a claridade, com o barulho, com o cheiro; que piora se a pessoa faz atividade física; se desce a cabeça, começa a latejar mais e dessas a outras características. E pode ter aura ou não, que são aqueles fenômenos de luz no olho, etc.

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Cefaleia Tensional Crônica

A cefaleia tensional crônica é quando a pessoa sente uma sensação de aperto, como se tivesse uma faixa ou uma tiara ao redor da cabeça, e não têm sintomas associados, como náusea, vômitos, incômodo com a claridade, barulho, por exemplo. Normalmente, ela é de leve a moderada intensidade, que pode chegar a grave também, mas não é a regra. E da mesma forma, tem que ter 15 dias ou mais de dor no mês, em 03 meses.

Dores de Cabeça por Abuso de Analgésicos

É considerado abuso de medicamentos quando a pessoa toma analgésicos três dias ou mais por semana, durante quatro semanas seguidas, no mínimo, e tem dor de cabeça pela falta do analgésico. A pessoa sente uma dor inespecífica, que pega quase toda a cabeça, é mais contínua e só alivia se toma um analgésico. E, se ela não o fizer, vem a dor. E, igualmente, tem que ter mais de 15 dias no mês desse tipo de dor.

Cefaleia Hípnica

A hípnica é a cefaleia em que a pessoa é acordada de madrugada – especialmente, quem tem mais de 50 anos de idade –, por uma dor de cabeça intensa e contínua. Ela não vem com sintomas outros associados, como de enxaqueca, de náusea, de enjoo ou de incômodo com claridade, barulho, etc.

Hemicrania Contínua

A hemicrania contínua é quando vem uma dor de cabeça em uma metade do crânio, acompanhada de outros sintomas trigêmino-autonômicos, que fica vindo constantemente. E igualmente tem que ter mais do que 15 dias de dor no mês, por 03 meses.

Nova Dor de Cabeça Diária Persistente

A sua definição engloba muitos tipos de dores de cabeça; sendo que a pessoa pode ter uma dor de cabeça nova em diferentes pontos e jeitos. Ou seja, ela, tipicamente todos os dias ou praticamente todos os dias, tem uma nova dor de cabeça, que pode ser desde cefaleia leve, moderada a grave também.

História Natural da Cefaleia Crônica Diária

Como que uma cefaleia crônica diária começa? Esta é uma patologia tipicamente do sexo feminino, por ser quatro vezes mais comum em mulheres do que em homens. E ela acomete cerca de 4% da população mundial; ou seja, 4% da população têm dores de cabeça crônicas.

Ela é tipicamente de uma população jovem e é tida como uma das patologias com maior grau de incapacidade que existe e uma das mais caras também. Não pelo custo com medicamento, por exemplo, mas, especialmente, porque é uma doença incapacitante, muito presente, prevalente e comum na idade produtiva da pessoa. E como ela pega desde, normalmente, os 20 até os 50 anos, e é constante, isso causa uma incapacidade e um custo por não produtividade absurdo.

A pessoa deixa de produzir, não trabalha e nem estuda, ou se faz, não é da mesma maneira que os demais, logo não tem a mesma igualdade de competição com quem não tem a dor de cabeça crônica.

A cefaleia crônica diária, muitas vezes, começa na adolescência ou na pré-adolescência, tendo uma dor de cabeça em alguns momentos e passa meses sem ter. Depois tem outra, e outra antes da menstruação. Na menstruação seguinte tem uma um pouco mais forte e outra mais fraca.

Em seguida, começa a vir em toda pré-menstruação, depois em toda pré-menstruação, vários dias e alguns dias incapacitante. Depois, começa a vir em toda TPM, bem intensa e depois alguns dias fora da TPM.

Depois começa a vir de uma maneira que fica todos os dias ou quase todos os dias, e isso começa a evoluir para dores em outros lugares do corpo. Começa a ter uma sensibilização em outros pontos do corpo e pode evoluir para uma fibromialgia. E essa é a história natural da cefaleia crônica.

A pessoa pode vir a melhorar posteriormente, na pós-menopausa e assim por diante. Mas, isso nem é uma obrigatoriedade. Se a pessoa passou a vida inteira sem controlar a dor de cabeça, quando chegar na menopausa, a dor pode continuar. E também tem outros aspectos da dor, como acabar desenvolvendo outras patologias associadas a uma dor de cabeça crônica, como, ansiedade, depressão, etc.

O que Causa a Dor de Cabeça Crônica?

Qual é a causa biológica da cefaleia diária crônica? Muitos começam a achar que a resposta está no alimento, no cheiro, no hormônio… Mas não é. A pessoa apresenta dor de cabeça crônica, porque tem genética para tal. Se ela não tem genética, não tem dor de cabeça crônica. Ou seja, não é para qualquer um ter dor de cabeça crônica, é para quem pode ter.

A ciência descobriu que existe uma molécula chamada CGRP, que é uma proteína que causa a inflamação dos nervos e é um dos principais elementos causadores de dor nos pacientes de cefaleia diária crônica.

E essa molécula tem seus níveis de produção e essa tendência de produção – porque são ditados geneticamente –, a genética de enxaqueca, dá muito mais do que só a dor de enxaqueca; ela traz uma gama de outros elementos, de outras sintomatologias, e o CGRP propicia dores como um todo.

Se a pessoa tem muito CGRP nas regiões da cabeça, do pescoço e do ombro, essas são as áreas em que ela mais vai ter dor. Se ela começa a ter CGRP no corpo inteiro, onde tem a molécula vai ter dor.

E se ela não tem a genética de enxaqueca, pode tomar vinho, comer chocolate, sair no dia de sol quente, ter flutuação hormonal, o que for, que ela não vai ter dor. Ela pode até ter outros problemas, mas não vai ter dores de cabeça. Se apresenta a genética de enxaqueca e a produção de CGRP, o vinho, o camarão, o chocolate, o álcool, etc, podem ser gatilhos para essa pessoa. Não a causa, sim o gatilho.

Cefaleia Crônica Diária – Enxaqueca

O que Faz uma Dor de Cabeça Esporádica Virar Crônica?

E pior, ela não melhorar nunca? A pessoa que antes tinha uma dor ou outra, e depois, vira todo dia: passa de uma dor esporádica para uma dor crônica; o que faz isso acontecer é ela ter uma piora da produção do CGRP e um não controle das causas de dor.

O mais comum de alguém ter uma dor crônica é que ele não tem uma dor crônica, mas vários tipos dela. Ele não tem só uma causa de dor crônica, porque se fosse uma só, qualquer médico comum conseguiria tratar, resolver e prevenir.

Se a pessoa começou a ter uma dor que é crônica, a grande questão é que ela tem mais do que um tipo de dor: ela tem dor de enxaqueca, tensional, da neuralgia do nervo craniano, tem bruxismo, dor de abuso de analgésico, dor miofascial referida, ansiedade, dor de sensibilização central, etc. Depende das causas todas que são diagnosticadas para cada caso.

E isso tudo pode ser que a pessoa tenha mais do que uma causa genética para perpetuar a dor. Por exemplo, pode ser que ela tenha a genética de enxaqueca; de síndrome de hipermobilidade ligamentar – que causa redução da propriocepção e a pessoa está toda contraída e não percebe que está contraída; ela pode ter genética de ansiedade e todas essas genéticas ajudam a perpetuar a causa das causas de dor crônica da pessoa.

Características Clínicas Para o Diagnóstico de Cada Tipo de Dor

E quais são as características clínicas para o diagnóstico de cada tipo de dor?

Dores de Enxaqueca

A dor de enxaqueca é aquela que vem muito intensa ou de moderada a grave intensidade, e tem que estar obrigatoriamente associada com náuseas ou vômitos; com enjoos; com incômodo com a claridade, com o barulho, com cheiros.

A pessoa piora com exercício físico – se ela está tendo dor e caminha, sobe uma escada, faz um exercício, a dor começa a piorar ainda mais; ela tipicamente pulsa e lateja, (tem a característica pulsátil, mas não é obrigatório ser pulsátil). E, tipicamente, pega mais um lado do que o outro. E ela pode estar associada com fenômenos de aura: o mais comum é a visão ficar borrada, embaçada, ter luzes e pode perder metade de uma visão, que são os fenômenos de aura de enxaqueca, etc.

Dores Tensionais

A tensional, tipicamente, é aquela dor em faixa, em aperto, uma pressão que é contínua, de leve a moderada e não vem com outros sintomas associados. Ela é mais comum no início do dia ou no final do dia. Tipicamente no final do dia, em que a pessoa vai ficando tensa ao longo do dia e a dor vem no final.

Dor Miofascial Referida

A dor miofascial referida é uma dor meio pegadinha; muita gente não a conhece, inclusive os médicos. É uma dor de cabeça em que a pessoa sente na cabeça a dor, mas a origem dela não está na cabeça, mas nos músculos, em outra região distante de onde ela está sendo sentida.

Isso é igual quando a pessoa está tendo um infarto: o coração – que está no meio do peito –, está infartando, o músculo do coração está morrendo, porque não está recebendo sangue, e a pessoa está sentindo dor no braço esquerdo. O braço esquerdo da pessoa começa a sentir uma dor absurda e não tem nada a ver o braço esquerdo com o coração. O sangue sai do coração para um lado, tanto igual vai para o braço direito.

A questão é que o cérebro refere a dor do coração que está morrendo o músculo, que está infartando, no braço esquerdo. Isso chama-se dor referida e não é o único tipo de dor referida. Se a pessoa, às vezes, está tendo alguma coisa na vesícula, ela sente nas costas, na escápula e assim por diante.

Na questão da cabeça, são vários músculos do pescoço e dos ombros que estão nessa região. O músculo que está inflamado não está passando sangue corretamente nele e a pessoa sente a dor na cabeça, dos lados, no olho…

A dor mais típica de dor referida, que é chamada cervicogênica, é do músculo do pescoço e a pessoa a sente no fundo do olho e, às vezes, na cabeça também. E isso é uma dor de cabeça miofascial referida, que vem do músculo e ela nem sente o músculo, mas em outra região da cabeça.

Neuralgia de Nervos Cranianos

O nervo que está inflamado e fica mandando sinal de dor para o cérebro constantemente, a pessoa sente o couro cabeludo como se estivesse todo sensível, que ela não pode encostar na cabeça, pentear o cabelo, não pode pôr nada na cabeça que sente como se tivesse aquela sensibilidade horrível, como se estivesse hipersensível, qualquer coisa que tocar, encostar, está dando um incômodo muito ruim.

Isso mostra que tem a sensibilização excessiva dos nervos cranianos e se você aperta o nervo craniano, dá uma dor muito ruim: é aquela dor que sobe, que acompanha o nervo. Pode ser tanto dos nervos cranianos da frente, da lateral, como de trás.

Bruxismo

Também tem a causa do bruxismo. É a pessoa que fica apertando os dentes o tempo todo; não precisa rangê-los. E o bruxismo não é só de noite; às vezes, afeta mais durante o dia do que à noite, porque a pessoa tem mais tempo acordada do que dormindo – mas, isso é sinal de que ela está apertando de noite e durante o dia.

Se o indivíduo fica apertando o dente constantemente, os músculos ficam constantemente trabalhando, isso inflama os músculos, as articulações e também é uma causa de dor.

Abuso de Analgésicos

Outra causa de dor é o abuso de analgésicos. É a pessoa que está tomando toda hora analgésico para dor de cabeça e pelo excesso de analgésico, é como se ela ficasse “viciada” neles. E pelo simples fato dela ficar sem analgésico, fica tendo dores de cabeça.

Ansiedade

E o outro elemento para a causa de dor de cabeça é a própria ansiedade. A ansiedade aumenta a percepção de dor. Igualmente, se você pegar uma marreta, quebrar o dedão de uma pessoa que é extremamente ansiosa e quebrar o dedão de um monge faquir – que treina a meditação constantemente –, a percepção de dor da pessoa ansiosa é muito maior do que da pessoa super zen e tranquila.

Isso é tão verdade que os próprios faquires exercitam a capacidade de controle mental, das emoções. E para demonstrar o controle mental deles, andam nas brasas, deitam nos espetos, pegam aqueles espetos e se furam todos, entram em águas geladas dos Ganges, dos rios, das montanhas e ficam por lá. Isso para quê? Para mostrarem que conseguem dominar a percepção sensorial e o controle das dores.

E isso é igual a um lutador de MMA que está tão em fúria que tem que vencer a luta, o cara está todo arrebentado, quebrou o dedo, está o osso para fora, está esguichando sangue e ele continua lutando e ignorando a dor. Depois que vence, ele se vê todo quebrado e percebe a dor.

Se a ansiedade e o controle emocional são maiores, a pessoa tem maior controle da dor também. E quanto mais descontrolada está a ansiedade, maior é o descontrole da percepção de dor também.

Você que está lendo o nosso artigo, escreva nos comentários a história da sua dor de cabeça, da sua enxaqueca, escreva como você vê que está evoluindo ao longo da sua vida e vamos discutir mais sobre a dor de cabeça crônica, para sabermos trabalhar e acabar com isso.

Tratamentos da Cefaleia Crônica Diária

O mais importante de tudo é descobrirmos todas as causas; temos que saber como tratar. Vou falar dos diversos tipos de tratamento. E o tratamento, lógico, depende das causas da dor de cada pessoa, tem que saber o diagnóstico de cada dor, a frequência delas e o grau de incapacidade que proporcionam na pessoa. Com base em todos esses elementos – nos diagnósticos, na frequência, no grau de incapacidade –, o médico faz um plano terapêutico para o paciente.

Eu vou falar de várias opções terapêuticas para vocês conhecerem, mas não necessariamente têm que lançar mão de todas elas.

Medicamentos Convencionais

A primeira e mais comum de todas, e a que todo médico vai lançar mão é de medicamentos, lógico. Medicamentos não são só para aliviar a dor, pelo amor de Deus, entendam: para tratar uma dor de cabeça crônica, você tem que prevenir a dor, não é só remediá-la.

Para prevenir a dor pelos medicamentos profiláticos, os de prevenção, são tipicamente utilizados os antidepressivos, os anticonvulsivantes, os estabilizadores de humor, etc, e não necessariamente a pessoa precisa estar depressiva, com crise convulsiva, hipertensa para poder recebê-los.

Um dos medicamentos mais clássicos para o tratamento de prevenção de dor, que é o que mais tem estudo, é a Amitriptilina. É um antidepressivo que dá sono e ele tem que chegar em doses corretas para ter a prevenção de dor, mas é muito bom.

E tem outros medicamentos antidepressivos que também eu gosto muito de usar, especialmente os duais, como a Venlafaxina ou a Duloxetina, especialmente se a pessoa tem dores também miofasciais e em outros locais do corpo.

Dos anticonvulsivantes, existe um clássico que é o Topiramato. Ele é muito bom para quando tem a enxaqueca e também outras características. Existem também o Ácido Valproico, que é outro anticonvulsivante, e a Pregabalina, que é especialmente boa quando há outras dores difusas e também características de fibromialgia.

Igualmente tem os betabloqueadores, como o Propranolol e outros para pressão, que servem muito bem para poder ter a prevenção de dores de cabeça. Existem outros também, mas não vêm aqui ao caso, não são tão clássicos e tão usuais.

Existem os medicamentos abortivos. São medicamentos que têm que ser classificados para cada tipo de intensidade e de dor. Eu, normalmente, faço medicamentos para dores leves, moderadas, graves e muito intensas, e também para eventos gatilhos.

Para as dores leves, que vão de leve a moderada, eu ponho medicamentos relaxantes musculares e um anti-inflamatório. A pessoa usa um, dois ou três relaxantes musculares diferentes e/ou uma combinação: um relaxante muscular e um anti-inflamatório. E se chega a ser até moderada, pode usar os quatro: os três relaxantes musculares diferentes e um anti-inflamatório.

Quando há uma dor de moderada a intensa, que seria de uma enxaqueca típica, eu já tenho um pacote em que a pessoa tem que usar na primeira hora de dor, logo no começo e todos juntos. Normalmente, eu deixo uma Dipirona de 01 grama ou o Plasil – dois comprimidos de Plasil de 10mg, porque não é só para enjoo, ele também ajuda a combater a dor –, e deixo também o Sumax Pro, que é o Sumatriptana com o Naproxeno.

Pode ser também separado: Sumatriptana com Naproxeno. O Naproxeno é um anti-inflamatório; o Sumatriptana é um medicamento próprio para enxaqueca, que também ajuda a cortar a dor e atua na contração dos vasos.

E se isso não melhorar assim que a pessoa tomar – em 30, 45 minutos – tem que dar uma repetida na dose logo no começo mesmo, porque tem que ser para cortar a dor logo no início. O nome é abortivo, porque é para abortar a dor.

A dor de cabeça grave ou muito intensa, quando vem muita náusea, a pessoa está vomitando, ou com uma dor em que é preciso ir para o Pronto-Socorro, porque está muito ruim, para não ir ao Pronto-Atendimento, eu passo o Sumax injetável – que é o sumatriptana injetável –, a pessoa o aplica subcutâneo, eu deixo medicamentos sublinguais, como, por exemplo, o Feldene, que é um anti-inflamatório sublingual; o Dipirona sublingual e o Vonau Flash, que dissolve também.

O paciente põe tudo debaixo da língua, aplica injeção, fica quieta, porque o Sumax injetável dá um efeito colateral muito forte: a pessoa sente no peito, dá uma sensação parecida com desfalecimento, que passa rápido, mas a dor some também. A dor melhora muito rápido, em 5 minutos ela vai embora.

E eu deixo também medicamentos para eventos gatilhos. Eventos gatilhos são quando a pessoa sabe que vai ter um evento que vai piorar a dor dela. Por exemplo, vai ao churrasco à tarde, no salão e vai estar cheio de criança fazendo barulho, vai estar aquele pagode, vai ter álcool, barulho, sol, luz, muita claridade, vai ter aquele inferno, tudo de ruim para poder ter dor. Não vai ter nenhuma sombra, vai estar só aquela claridade de concreto ótima para quem tem enxaqueca.

Sabendo que vai para essa situação, primeira coisa: eu mando ela se hidratar muito, arrumar alguma sombra, se refrescar e já tomar, antecipadamente, um Naproxeno e um Naramig.

O Naramig dura 12 horas e o Naproxeno ou um Bi-Profenid, que dura mais tempo. A pessoa toma isso ainda em casa mesmo para ir com o negócio protetor e evitar ter a dor. São medicamentos que ela pode tomar.

Ou, por exemplo, vai chegar a TPM, fazemos uma mini profilaxia com Naramig e um Bi-Profenid de 12 em 12 horas, dois ou três dias da TPM.

Detox

Além dos medicamentos, existe também a forma de fazer o detox. O detox é para quando a pessoa tem o abuso de analgésico. Nós damos o medicamento que é o Clorpromazina, o Amplictil em gotas – “amargo pra danado” –, e o corticoide, por exemplo, a Prednisona em altas doses.

São medicamentos que começam e param. Ao contrário dos profiláticos, em que a pessoa usa por um longo período – tipo 06 meses ou mais que precisa tomar o medicamento –, o detox é para um curto período. O corticoide, ela usa por uns 05 dias; o Amplictil, por uns 15 a 30 dias e depois tira. É justo para que a pessoa consiga aguentar a abstinência da retirada dos analgésicos que está fazendo abuso.

Medicamentos Biológicos

Existem os medicamentos novos que são os biológicos. Esses medicamentos novos são as tidas “vacinas” da enxaqueca ou os medicamentos anti-CGRP – foi descoberto que a molécula CGRP causa a dor.

O anticorpo monoclonal anti-CGRP tira o CGRP: a pessoa aplica, ele vai ficar no corpo circulando, limpando, retirando as moléculas de CGRP e isso reduz em média 50% o número de dias de dor e a intensidade das dores.
E tem três tipos: o Fremanezumab – que é o mais jovem – é uma injeção – vem a injeção, a pessoa tira a agulha, aplica subcutânea, na gordura da barriga, e pronto, acabou. Pode ser aplicado mensalmente ou trimestralmente. E pode ter uma aplicação única – que dura três meses – ou mensal.

O Emgality é em forma de caneta, que a pessoa tira a tampa, destrava, põe na barriga, aperta o botão, o negócio sozinho desce – o êmbolo – e aplica na pessoa. Ele faz um barulho quando termina e pronto, terminou a aplicação. Essa tem que ter uma aplicação, no primeiro mês, de duas canetas e depois, uma por mês.

O terceiro é o Pasurta, que é o Erenumab. O Pasurta é endovenoso: a pessoa vai no local de um centro de infusão, pega o acesso venoso, corre o medicamento e pronto. E esse também é de aplicação mensal.

Todos esses medicamentos são extremamente benignos, os efeitos colaterais são mínimos – para dizer praticamente nada. Mais comum é dar uma sensibilidade no local da aplicação; às vezes, a pele fica com uma marca por alguns dias e tem uma dor na região. Quando muito, a pessoa pode ter, às vezes, um pouco de rinite, de faringite, mas isso é em menos de 5% dos casos.

E tenho vários pacientes que estão utilizando e somente um deles teve queixa de efeito colateral. São um elemento a mais e uma ferramenta a mais muito importantes no tratamento das dores de cabeça crônicas.

Procedimentos

Temos também os procedimentos, que são realizados por médicos e para os diversos tipos de problemas, por exemplo, o agulhamento muscular profundo. Não é acupuntura, são agulhas parecidas com as de acupuntura, mas são maiores: o médico pega essa agulha e perfura os músculos várias vezes para soltá-lo.

A dor miofascial é justamente do músculo que está duro, contraído, inflamado e a toxina não sai de dentro do músculo. Quando o médico vai com a agulha, ele perfura várias vezes e o músculo relaxa, solta, tira as toxinas – elas saem de dentro dele – e o sangue volta a passar dentro do músculo, de uma maneira normal, para limpá-lo, soltá-lo e para ele voltar a funcionar de uma maneira normal.

Existe também a infiltração dos pontos gatilhos, que é quando o médico pega uma seringa com anestésico – o anestésico e um corticoide de depósito – e vai colocando nos pontos gatilhos – nos músculos –, para poder anestesiar o músculo e desinflama-lo também.

É muito comum de fazermos associada. Eu faço tipicamente a infiltração do ponto gatilho, do músculo, da seguinte forma: anestesio, depois que está anestesiada, vou com agulha perfurando para poder a pessoa tolerar a dor da agulha. E assim solta a musculatura, o que ajuda muito e trata a dor, o componente da dor miofascial, o componente muscular da dor.

Eu também faço o bloqueio de nervo craniano. O bloqueio eu faço com corticoide de depósito e com um anestésico potente para poder anestesiar e desinflamar o nervo que está inflamado e manda sinais de dor. Eu pego os nervos supraorbitais, temporais e occipitais maior e menor. Ou seja, eu faço o bloqueio anestésico na frente, na lateral e posterior.

Isso dá uma sensação de anestesia da cabeça; dura algum tempo e mesmo depois que o anestésico passa, o nervo fica dessensibilizado e diminui muito essa sensação de sensibilidade do couro cabeludo. Ele é justo para tratar a neuralgia do nervo craniano.

Também faço a aplicação da toxina botulínica terapêutica. É o Botox terapêutico, mas não é só com o Botox. Existem diversas marcas de toxina botulínica e eu aplico no Protocolo PREEMPT, que é nas partes frontal – na parte da testa –, na lateral da cabeça, nos músculos da mastigação – que estão relacionados com o bruxismo –, na parte occipital, no pescoço e nos ombros.

É uma aplicação bem mais extensa; se você imaginar que na estética, o médico de estética aplica umas 50 unidades de Botox, por exemplo, na de enxaqueca são 200 e é uma aplicação terapêutica. Tanto que ela é coberta pelos convênios.

E também existe o procedimento de acupuntura. Na acupuntura são várias agulhas. Ela não é o agulhamento muscular profundo, mas também é feita para poder relaxar a musculatura, diminuir a ansiedade e ter o controle de dor. Ela é outro procedimento associado para o tratamento de dor crônica.

Terapias Físicas e Educacionais

É extremamente importante a fisioterapia. Ela pode vir tanto para soltar os pontos gatilhos, para apertá-los e trabalhá-los; soltar o músculo; como, fundamentalmente, e muito mais importante, é ter um trabalho de consciência corporal: é o treino de propriocepção – fazer a pessoa treinar a consciência corporal para perceber a diferença de ela estar tensa, contraída, e não perceber e nem ver.

E não vê mesmo; ela está apertando os músculos da mastigação e nem vê. Nós treinamos a capacidade dela de perceber que está fazendo isso e nem via antes. E quem faz esse treino – que é com um monte de coisas de primeiro, soltar os músculos, aliviar a dor; depois de ter treino de consciência corporal, de alongamento, de fortalecimento – é o fisioterapeuta especialista em dor.

Igualmente tem o trabalho feito pelo dentista especialista em dor, que solta a musculatura da mastigação, trabalha exercícios de consciência. E tem também uma técnica que é a do aparelho LIVA, que pega de dois a três dentes, uma placa que quando a pessoa aperta – é só de um lado que tem a plaquinha, do outro não –, ela vê que tem um corpo estranho na boca e “opa, deixa eu parar de apertar”. Isso ajuda a pessoa a parar com o hábito da mordida, de aperto, do bruxismo.

Existe também a psicoterapia da dor. Ela é extremamente importante para quem tem dor de cabeça crônica – qualquer dor crônica –, porque a pessoa acaba tendo uma visão de mundo própria de quem tem dor crônica.

Isso é muito legal, porque eles trabalharam isso no House. O House era uma pessoa que via as coisas de uma maneira catastrófica; isso chama-se, na psicologia de visão, de catastrofismo (o indivíduo acaba vendo um mundo pela ótica da dor). E o trabalho do psicólogo especialista em dor é fenomenal, porque ele ajuda a pessoa a sair da visão do personagem, de parar de “vestir a camisa” de quem é um dolorido crônico.

Também tem o trabalho de treino motor do biofeedback. A pessoa que tem as dores e se contrai, nós colocamos aparelhos para podermos fazer a leitura da contratura do músculo e dizer para a pessoa “você está contraído”. Como ela não está vendo, o aparelho mostra o grau, o número de contração. Se ela relaxa, consegue relaxar, o aparelho diz que está relaxada.

Logo, ela tem o aparelho para fazer esse treino de percepção, para dizer que ela está relaxada e quando está contraída, e isso ajuda o paciente a ganhar consciência e a perceber a diferença entre um estado e outro.

Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)

A estimulação magnética transcraniana (EMT) é quando usamos campos magnéticos sobre o cérebro, através do crânio – transcraniana – para prevenirmos ou aliviarmos a dor. Existem essas funções.

Para prevenção de dor, podemos utilizar um protocolo clássico que é do centro de dor – é o mesmo protocolo de fibromialgia –, em que atuamos no centro motor e isso acaba ajudando a pessoa a ter um maior controle motor e uma menor percepção de dor; e também, no F3. Isso ajuda a prevenir a dor de cabeça. E tem que fazer sessões periódicas.

Assim como funciona para o alívio do status de enxaquecoso. A pessoa que está tendo enxaqueca que não para, são um dia, dois, três, faz no ponto F3 e pode fazer a 10 Hertz ou um protocolo theta burst, que é muito rápido. E isso a ajuda a sair do status enxaquecoso. É uma forma de tratamento de crise, para tirá-la da crise.

Outro tipo é para quem tem uma enxaqueca normal, está tendo o episódio. É um aparelho que chama eNeura: a pessoa põe atrás da cabeça e dá um único estímulo, um único pulso magnético muito intenso, que bloqueia a crise. E começa da parte de trás do cérebro – onde começa a depressão alastrante de leão –, inicia um processo de cancelamento da crise de enxaqueca. Ele funciona, tem FDA Approved, só não vende aqui ainda no Brasil, mas nos Estados Unidos.

Estimulação Elétrica de Nervos Cranianos

A estimulação elétrica dos nervos cranianos é uma forma de tratamento da crise e de prevenção também. Quando a pessoa tem a dor frontal, você pode pôr o Cefaly para estimular os nervos frontais e ele vai dando um choque de baixa intensidade, bem rápido, causando um tipo de anestesia do nervo frontal, que vai ajudar a aliviar as dores, especialmente as frontais.

Da mesma maneira, tem o Cefaly occipital, que se põe no nervo occipital e ele também fica dando disparos que causam tipo uma anestesia no nervo occipital, que vai ajudar com as dores de trás.

E existe outra forma que é a do estimulador do nervo vago. Quem tem enxaqueca já percebeu que quando está vindo a dor, se dá uma vomitada, a dor começa a aliviar. Todo mundo que tem enxaqueca crônica já viu isso e é porque quando a pessoa vomita, tem o estímulo do centro do vômito, que é junto do núcleo do nervo vago.

Então, tem um estimulador que parece uma caixa pequena: o indivíduo coloca na região do pescoço – onde passa o nervo vago –, dá um estímulo, e ele estimula o nervo vago em vários aspectos. Pode até vir o reflexo nauseoso, mas causa um alívio da dor e ele ajuda a tirar a pessoa da dor.

Há outro estimulador de nervo periférico, chamado gammaCore, que estimula o nervo vago e funciona muito bem. É mais uma forma de atuar sobre as crises de enxaqueca.

Existe outro que é de nervos sensoriais nociceptivos periféricos, como o do braço, que é o Nerivio. O Nerivio é parecido com aquele negócio de braço que a pessoa põe para carregar o celular; pode ficar debaixo da blusa, do que for, e ele dá um estímulo elétrico nociceptivo nos nervos que estão na região.

Isso vai atuar no centro do portal da dor e esse estímulo é baixo, mas vai chamar a atenção do cérebro para outro estímulo que vai ganhar primazia em relação ao estímulo de dor.

Ele serve tanto para aliviar a dor, quanto para prevenção. E tem uma grande vantagem que a pessoa pode estar trabalhando normalmente, põe o negócio, liga – ele é controlado pelo celular – e aquilo vai atuando enquanto a pessoa segue a vida trabalhando. Tem um alívio e também não tem ainda fora dos Estados Unidos. Tem FDA Approved.

Estimulador Elétrico de Músculos (TENS)

E outra forma de tratar a dor é com estimuladores musculares periféricos, que são os TENS. Neles, passa uma corrente elétrica entre os dois polos existentes e essa corrente vai fazer com que o músculo dê uma contraída – que pode contrair sustentado, soltar, contrair rápido, fazer várias formas de contratura do músculo –, que causa um relaxamento do músculo. E relaxando o músculo, vai melhorar a perfusão, a passagem de sangue no músculo e isso causa um alívio da dor.

Existem vários tipos de TENS: tem os TENS profissionais, que são aplicados pelos fisioterapeutas, mas existem os portáteis, que o próprio paciente compra e tem na farmácia hoje em dia, como um branco, que é o TENS da G-Tech; tem o Tanyx e vários outros.

Compra isso na internet, a pessoa põe e controla no próprio aparelho. Seja como for, é uma coisa de fácil acesso e ajuda muito no tratamento da dor sem ser com medicamentos.

Objetivo Terapêutico

Com todos esses aparatos e essas terapêuticas, temos o objetivo terapêutico que é muito claro: o paciente deve ficar sem dor. O objetivo principal: a pessoa ficar plenamente sem dor, zero dor, por pelo menos seis meses seguidos. E, se a pessoa tem crônica de muitos anos, o ideal é 12 meses seguidos sem dor.

Toleramos três dias ou menos de dor no mês. Até 03 dias, consideramos ainda um sucesso terapêutico. Se a pessoa está fazendo o tratamento e ainda está tendo mais do que três dias de dor no mês, é sinal de que ela ainda precisa de mais terapêuticas ou mudar a estratégia terapêutica para ter um melhor controle das dores dela.

Caso você conheça alguém que tenha dor todo dia, sofra com as dores de cabeça crônicas, com a enxaqueca crônica, envie o link deste artigo para ela, porque pode ser que você mostre o caminho do fim de suas dores.

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Assista ao vídeo e veja as explicações do Dr Willian Rezende sobre cefaleia diária crônica:

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Sobre o Autor:
Willian Rezende do Carmo

CRM: 160.140
RQE: 50.546

Fundador da clínica Regenerati. Médico do Sirio Libanes, BP Mirante e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Neurologista especializado em dor, sono e disturbio do movimento (Parkinson e tremor).







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