Dor crônica

O que é Dor Crônica? Causas e Como ela Afeta a Qualidade de Vida

O que é dor crônica? Dor crônica é aquela que persiste além do tempo de cura do tecido danificado, em geral mais que 3 meses. Uma ampla variedade de condições comuns com diferentes fisiopatologias está associada à dor crônica, incluindo câncer (e seu tratamento), doença degenerativa da coluna vertebral, osteoartrite, fibromialgia, vírus da imunodeficiência humana, enxaqueca, neuropatia diabética e neuralgia pós-herpética. As dores podem ser em vários locais do corpo, cabeça, ombros, pernas, olhos, pés, mãos etc… As condições de dor crônica são altamente prevalentes, segundo algumas estimativas que afetam aproximadamente um terço da população adulta.

O que é Dor Crônica?

Quando não tratada é uma patologia muito mais complexa que apenas o fenômeno de percepção de dor. E temos impacto biológico, psíquico, econômico e social numa dimensão muito maior que as pessoas conseguem imaginar.

Considerações Sobre Dor Crônica

Dor é um fenômeno que raramente gera fenômenos visíveis para outras pessoas. Exceto quando alguém está se debatendo, gritando, implorando para que o matem devido a dor ou quando a pele fica inchada, vermelha ou muito pálida, poucas são as manifestações VISÍVEIS de alguém sentindo uma dor.

Numa escala universal de dor, a escala visual analógica de dor (EVA) que vai de 1 a 10, de 1 a 3 é dor leve, de 4 a 6 é dor moderada e de 7 a 10 é dor severa. Normalmente alguma pessoa se manifesta de maneira tão intensa que chega a gerar aflição nas outras pessoas, quando a dor é 9 e 10. Mas todas as dores 4, 5, 6, 7 e 8 causam um imenso prejuízo na vida da pessoa que a possui e muitas vezes não são percebidas por outras pessoas.

Para se ter uma ideia das dores, a dor leve é aquela que a pessoa não tem prejuízo no seu dia-a-dia,  a dor moderada é classificada como aquela dor que a pessoa ainda consegue fazer seu trabalho e atividades sociais, mas com prejuízos, faz mais lento, tem que ter várias interrupções, perde o foco com facilidade e a dor severa é aquela que impede a pessoa de realizar suas atividades. Novamente para se ter uma ideia uma dor moderada seria igual a de quando se bate o dedinho na quina e com essa dor a pessoa ainda tem que andar e trabalhar andando.

Um dos grandes dramas de quem sente dor crônica é a falta de empatia das pessoas próximas. Pois elas não sentem dores continuamente e por não saberem o que é isso acabam achando que é frescura da pessoa que vive queixando-se de dor. O dolorido acaba se isolando e ficando calado para não ser excluído e não ser repreendido com frases “novamente com dor?” “Dor de novo!?” “Ah! Isso é frescura!” “Deixa de ser fraco!”.

Isso não é verdade, quem tem dor crônica não é fraco, não fresco. É portador de uma doença séria que deve ser respeitada, para que ele não fique ainda mais isolado do mundo e das pessoas por causa da dor. E quem tem dor crônica tem que ter a paciência com quem não entende, pois é difícil para quem não vivenciou dor prolongada, saber como é essa experiência. Também é dever do portador da dor crônica conscientizar aqueles que não conhecem essa doença para que eles entendam essa realidade. Brigar com eles e se isolar também não é o adequado, pois isso ajuda a perpetuar a ignorância da doença, fibromialgia e ombros.

Consequências da Dor Crônica

Para ficar didático vamos falar separadamente sobre aspectos biológicos, psíquicos, econômicos e sociais.

Biológicos

A dor crônica é considerada hoje em dia como uma entidade neurológica distinta da dor aguda esporádica, porque ela altera a forma do cérebro funcionar. Num exercício de lógica simples vamos pensar juntos: Um atleta que treina chutar a bola todos os dias, o cérebro dele fica bom é chutar bola. Um matemático que realiza contas de matemática diariamente, o cérebro dele fica bom é fazer contas de matemática, um monge budista que treina o cérebro diariamente para ficar em paz e tranquilo o cérebro dele fica bom em ficar em paz, um pessoa que treina para perceber cheiros diariamente o cérebro fica bem em perceber cheiros, um cérebro que sente dores diariamente fica bom em perceber dor.

Essa atividade de percepção de dor pelo cérebro, realizada diariamente, modifica a forma de funcionar do cérebro. Áreas de inibição da dor ficam menos ativas e áreas relacionadas à percepção da dor ficam mais ativas. Isso foi demonstrado através de ressonância magnética funcional comparando indivíduos normais com portadores de dores crônicas.

O que é Dor Crônica?

Extraído de artigo público: Pain Medicine, Volume 12, Issue 7, July 2011, Pages 996–1004, https://academic.oup.com/painmedicine/article/12/7/996/1840819

Além da mudança na atividade neuronal também há mudança em outros aspectos do sistema nervoso autônomo, como cardiovascular, sexual, apetite e sono.

O portador de dor crônica tem uma perda da sensibilidade dos receptores de barorreflexo (quem percebe a pressão do sangue) e acabam tendo pressão sanguínea mais elevada. Tanto por ter mais adrenalina pela dor, como pela perda da sensibilidade do receptor de barorreflexo.

Da mesma forma o eixo hipotalâmico fica disfuncional e diminui a secreção de hormônios relacionados à produção de testosterona e também tem uma grande diminuição da libido. E isso é uma resposta natural de todo animal. Pois se está com dor o cérebro sabe que tem algo machucado ou estragado e se o corpo está machucado e/ou estragado não momento de fazer filhotes. Isso é resposta da evolução para sobreviver.

Também o hipotálamo e várias outras estruturas neurológicas estão relacionadas ao processo de sono. E distúrbios do sono estão presentes em 60-90% dos pacientes com dor crônica. Desde sono fragmentado, sono superficial, sono agitado, sono não restaurador, despertares precoces.

Como toda dor também é um processo emocional, a dor acaba afetando o sistema límbico e também afeta os hipocampos. Então é extremamente comum de se ver o portador de dor crônica ter esquecimentos, especialmente os de memória de curto prazo.

Por último a dor crônica ao longo de muitos anos seguidos acaba gerando uma atrofia de estruturas cerebrais e assim acaba levando a um estado irreversível de demência.

Psíquicos

A prevalência de distúrbios do humor, como depressão e ansiedade, são muito mais comuns em quem tem dor crônica. A prevalência de ansiedade e depressão vai de 33% a 50% e ela aumenta proporcionalmente com Intensidade da Dor, a frequência da dor e a duração da dor. Tanto que em patologias com um grande volume de intensidade, frequência e duração de dor é grande o número de tentativas e de suicídios.

Mesmo em quem está com a depressão tratada e não está pensando em suicídio, a dor crônica comumente leva a pessoa a ter uma síndrome de catastrofismo. A pessoa começa ver o mundo sobre a ótica da dor e só espera o pior das pessoas, do mundo e da vida. A pessoa somente vê a chance de dar errado. A série médica de televisão “House” trabalhou os dramas do personagem que tinha uma dor crônica e que era viciado em analgésicos potentes.

É comum a pessoa que tem dor crônica adotar uma postura de evitação de conflitos e de maior temor frente a toda e qualquer atividade. Igual a um cachorro que apanhou muito na vida e tem medo de tudo, a pessoa que tem dor crônica tem apanhado muito das dores dela. Assim acaba evitando de argumentar para se defender ou de tentar se posicionar ou quando se defende, especialmente no meio da dor, acaba fazendo de maneira explosiva e desproporcional ao momento.

Econômicos:

A dor crônica é muito cara na vida da sociedade. Existem custos diretos com saúde, como medicamentos, médicos, fisioterapia, internação, etc. E existem os custos não médicos relacionados a perda de produtividade, estas mensuradas em dias perdidos de trabalho.

Ainda existem um outro grande impacto não é possível mensurar que é a baixa produtividade e a queda do consumo. Quem tem dor não conseguem ter a mesma performance para competir por uma promoção ou de ter uma maior produção. Também movimenta menos a economia por sair menos e ter comportamento de evitação.

Para se ter uma ideia dos gastos da dor crônica, ela chega a representar 0,42% do PIB de um país. E como base de comparação no Brasil todo segmento de logística e transportes, avião, trem, caminhões, navios, carros e toda a cadeia de pessoas envolvidas na logística como companhias, empresas, pessoas individuais, chega a 4% do PIB.

Esse gráfico é se ter uma ideia do custo das doenças somando custos diretos mais custos de dias perdidos.

Dor crônica

Reproduzido de artigo público Pain Rep. 2018 Sep-Oct; 3(5): e656. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6181463/

Sociais:

As pessoas com dor crônica são mais isoladas e se isolam mais das outras. Tem mais dificuldades para conseguir e manter trabalhos. Tem mais dificuldade de manter amizades, por simplesmente faltarem com frequência a eventos sociais. A visão de catastrofismo gera muita desconfiança nas relações e sempre acaba esperando o pior e por isso fica difícil desenvolver uma relação de confiança.

Referências:






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