Atomoxetina

Atomoxetina – Novo Medicamento para TDAH

Se vocês querem saber sobre a Atomoxetina, um novo medicamento para o TDAH, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista, fundador da Clínica Regenerati e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções, TDAH e todos os maiores problemas que fazem parte do dia a dia do nosso público, vai abordar sobre isso.

E não esqueçam de deixar tudo que desejam saber mais nos comentários dos artigos e vídeos para que saibamos o que gostariam de ter como tema para que possamos fazer novos conteúdos com o desejo do que precisam saber, quais são as demandas de vocês.

O que é a Atomoxetina?

Atomoxetina é o inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina.

E o que é isso? Ela faz com que, na fenda sináptica do neurônio, a noradrenalina que seja liberada, fique mais tempo lá e tenha mais noradrenalina na transmissão entre os neurônios. Ela aumenta a quantidade de noradrenalina nas transmissões entre os neurônios. Isso acaba tendo um efeito adrenérgico positivo no cérebro e tem indicação para o tratamento de TDAH.

Ela é o primeiro medicamento não estimulante aprovado pelo FDA para o tratamento de TDAH. Isso é muito importante porque é um medicamento que funciona para o TDAH, mas não é um estimulante, não é um psicoestimulante como o metilfenidato ou as anfetaminas.

Indicações da Atomoxetina

Ela é indicada para TDAH em adulto e crianças maiores de 6 anos de idade, indivíduos que tenham efeitos adversos ou como piora dos tiques ou taquicardias com os estimulantes, ou que tenha alguma contraindicação aos estimulantes, como, por exemplo, piora de manias ou no caso de bipolares, ou abuso dos estimulantes, em que a pessoa acaba dando desvio de uso ou fazendo abuso dos estimulantes como das anfetaminas.

E também é indicada para não respondedores / refratários ao metilfenidato e à lisdexanfetamina, em que pode vir como complemento terapêutico para o TDAH.

Interações da Atomoxetina

As principais interações dela são, por exemplo, com o tramadol, ou o famoso Tramal, (aumenta o risco de convulsões em pacientes que tomam o antidepressivo também). Ela é um medicamento que inibe a 2D6, como, por exemplo, a paroxetina e a fluoxetina, que são medicamentos que inibem o CIP2D6, e pode aumentar a concentração plasmática da atomoxetina.

Então, ficar atento porque é muito comum o paciente com TDAH precisar de medicamentos antidepressivos também. E a paroxetina e a fluoxetina tendem a aumentar a concentração plasmática da atomoxetina, logo, pode precisar ser reduzida a dose dela.

E tem contraindicação com o IMAO, porque acaba aumentando mais ainda a concentração das noradrenalinas nas fendas sinápticas e pode ter uma sobredose. E tem que ter uma interrupção de 14 dias após parar o IMAO para começar a atomoxetina.

Uma observação importante: com a administração com o metilfenidato, não aumenta os efeitos colaterais cardiovasculares daqueles observados com o metilfenidato sozinho.

Ou seja, se toma a atomoxetina junto com o metilfenidato, a pessoa não tem mais efeitos adversos do que aquele próprio que o metilfenidato traz sozinho, mostrando que pode ter uma associação com os estimulantes, que não vai ter uma somatória de efeitos colaterais deles.

Funcionamento da Atomoxetina no Corpo

Ela tem uma meia-vida de aproximadamente 05 horas, ou seja, a cada 05 horas o nível de concentração do sangue cai pela metade. Mas isso não está diretamente relacionado ao funcionamento no corpo, porque ela é diferente, gasta muito mais tempo para virem os resultados. Não importa se a meia-vida é relativamente curta, assim como nos estimulantes, porque o efeito não é imediato.

O metabolismo é hepático e tem pouco ou nenhum aumento de dopamina no sistema de recompensa. O que isso importa? A dopamina no sistema de recompensa é o que facilita as pessoas a terem o comportamento de adicção, vício, dependência ou abuso.

O que pode acontecer, por exemplo, com as anfetaminas, especialmente as de liberação imediata, se a pessoa começa a abusar e a tomar em doses muito maiores? Vai ter um efeito dopaminérgico de sensação de recompensa.

Então, vai querer cada vez mais doses maiores e, por isso, os estimulantes podem ter risco de abuso e de comportamento adictivo. Já a atomoxetina não tem esse risco, porque não atua na dopamina no sistema de recompensa.

Ao contrário dos estimulantes, pode não exacerbar tiques em pacientes com Síndrome de Tourette e TDAH. Por exemplo, a pessoa que tem TDAH e fica ainda com tique, os estimulantes podem ter o risco de aumentá-lo; já a atomoxetina, não.

E, por exemplo, em transtornos comórbidos, como depressão, não parecem comprometer a eficácia na redução dos sintomas do TDAH. Por que, o que é isso? Por exemplo, a pessoa que tem TDAH e também está com uma depressão ansiosa, se não trata a depressão e a ansiedade antes, e toma o psicoestimulante, não vê a melhora se tomar o psicoestimulante sozinho.

Se ela está depressiva e ansiosa, e toma o estimulante, não melhora o efeito cognitivo dela, não fica mais focada, atenta, não tem ganho com aquilo se não for tratada a ansiedade e a depressão dela antes.

Já a atomoxetina parece que traz um benefício independente de a ansiedade e a depressão terem sido tratadas antes ou não. Os estimulantes, se não trata antes a ansiedade, é capaz de piorar mais ainda e acabar que a pessoa tenha até efeito contrário, ficando mais agitada, dispersa, ainda; e com a atomoxetina não tem esse problema.

Eficácia da Atomoxetina

O que os estudos mostraram da eficácia para o tratamento do TDAH? Ela melhorou o funcionamento executivo, que é a capacidade de executar as coisas, de pegar uma tarefa, dar início, meio e fim, fazer a execução correta durante a tarefa, tanto em adultos jovens quanto em adultos com TDAH, e mostrou uma redução de 30% dos sintomas da condição em relação ao placebo na questão da melhora do funcionamento executivo.

Então, nos pacientes que usam a atomoxetina, em relação ao funcionamento executivo, que é um dos principais problemas do TDAH, teve uma melhora de pelo menos 30% dos sintomas em relação ao placebo. É um pouco menor do que os estimulantes, que teve uma melhora de 40%, tanto, por isso, que são medicamentos de primeira escolha, mas a atomoxetina também não fica tão para trás, é uma melhora muito significativa.

Essa melhora pode durar até algum tempo depois da interrupção da atomoxetina, o que é interessante; já o estimulante, assim que você para tem a perda do efeito, do benefício. Já a atomoxetina, se você está usando já há um ano seguido e para, parece que o efeito ainda mantém-se benéfico mesmo após ter parado.

Também pode incluir a melhora do autocontrole emocional, que igualmente é uma função executiva, ou seja, ela tem melhora nas capacidades executivas e até também na autorregulação emocional.

Mas atenção, só ressaltar que a terapia cognitiva / o treinamento de habilidades em funções executivas segue ainda sendo padrão-ouro para melhora do funcionamento executivo no TDAH.

Uso da Atomoxetina

Sobre o uso da atomoxetina, tem que ser iniciada com doses de 40 mg por dia ou até mesmo doses menores, como de 25 mg, e pode aumentar para 80 mg / dia após 7 dias mais ou menos. Pode aumentar até para 100 mg / dia após duas, quatro semanas, que seria a dose máxima. Em uso off-label já chegaram até o uso de 120mg / dia, mas não é de bula.

Se tem um aumento rápido da dose do medicamento, vai ter mais perda de fome, que é a hiporexia, a perda do apetite, e pode acontecer até sonolência também, caso tenha um aumento muito rápido da dose.

E tem maiores taxas de abandono nas duas primeiras semanas, é quando os pacientes mais têm chance de abandonar o tratamento por conta dos efeitos colaterais, caso seja aumentado muito rapidamente a dose.

Se a dose inicial for baixa, permite a detecção de pacientes que podem ser especialmente sensíveis aos efeitos adversos do medicamento, caso possa ter uma taquicardia, um aumento da pressão.

Em relação à dose única pela manhã, com ou sem alimentos, versus duas vezes ao dia, a dose única pode aumentar os efeitos gastrointestinais, mas a dose duas vezes ao dia pode fazer a pessoa esquecer a segunda tomada – lembre-se que o paciente é TDAH e pode ter dificuldade de lembrar da tomada do remédio.

A ação prolongada do medicamento proporciona alívio dos sintomas durante as 24 horas do dia, fazendo isso em oposição aos medicamentos estimulantes que fazem efeito só durante o período de efeito do medicamento.

Em relação à ausência do efeito, à ressaca, ou ao efeito de fim abrupto do medicamento, não tem. Ela demora a fazer efeito, o medicamento gasta várias semanas para chegar a dar efeito, tem que esperar pelo menos quatro semanas ou até mesmo 12 semanas.

Dura muito tempo no corpo e se para o medicamento por “x”, “y” motivo, não tem efeito de ressaca de fim abrupto do remédio.

E, que nem explicamos, a meia-vida do medicamento é curta, mas isso não importa nesse caso, porque atua de uma maneira diferente, aumentando a recaptação da noradrenalina nos neurônios e esse efeito é muito prolongado.

Os benefícios adicionais podem continuar crescendo até 6 meses de uso do medicamento. Então, é um medicamento que tem que ter paciência, você tem que começar a tomar, começar devagar, subir devagar, esperar dar efeito e ainda vai continuar dando efeito até algum tempo ainda, mantendo o uso da medicação.

Pode ser associada aos estimulantes para benefícios adicionais, ou seja, o paciente está usando já algum psicoestimulante, ainda tem efeitos residuais, pode acrescentá-la aos estimulantes para ter uma somatória de benefício, caso ainda tenha sintomas residuais do TDAH.

Efeitos Colaterais da Atomoxetina

Fadiga, especialmente em crianças, sonolência (se é tomada uma vez por dia, chega a dar 9% de sonolência; duas vezes por dia, 4,5%). Dor de cabeça, irritabilidade, insônia (se toma uma vez por dia, dá 9,5% de risco de insônia; duas vezes por dia, 17% de risco de insônia), hiporexia, que é a perda do apetite.

O efeito colateral mais comum são as náuseas (uma vez por dia, 34% de risco de náusea; duas vezes por dia, 17% de risco de náusea). Hesitação urinária, que é um atraso entre o momento que a pessoa decide urinar e em que começa realmente a micção.

Retenção urinária (é mais comum em homens mais velhos; mesmo que a bexiga esteja cheia, a pessoa tenta urinar e não consegue). E disfunção sexual, como redução da libido e orgasmos anormais.

Então, é um medicamento que tem efeitos colaterais, sendo que os principais são a náusea e também a perda do apetite. E pode, esses em crianças, dar fadiga, algum grau de sonolência (de 4,5% a 9% de risco de sonolência), e também insônia – é engraçado, pode dar sono durante o dia e insônia à noite, que vai de 9% a 17% de risco. Mas, de maneira geral, é um medicamento que também é bem tolerado.

Contraindicações da Atomoxetina

As principais contraindicações são o uso concomitante com o IMAO, exceto conforme indicadas interações medicamentosas, mas, de maneira geral, não é indicado.

Caso a pessoa tenha algum distúrbio cardiovascular grave, que possa piorar com aumentos clinicamente importantes de frequência cardíaca e pressão, também não é indicado iniciar atomoxetina, porque o efeito noradrenérgico, em casos mais raros, pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão.

E quando a pessoa tem alergia comprovada à atomoxetina.

Então, as contraindicações absolutas são pequenas.

Uso em Populações Especiais

Na população especial, estão:

  • Gestantes: durante a gravidez, estudos controlados não foram realizados; alguns em animais mostraram poucos efeitos adversos, especialmente náuseas. O uso em mulheres com potencial para engravidar requer ponderação dos benefícios para a mãe versus potenciais riscos para o feto. Geralmente, deve ser descontinuada antes de uma gravidez planejada;
  • Crianças: é indicada para o uso pediátrico, tanto que faz parte do tratamento TDA, TDAH em crianças – uma das indicações da atomoxetina é para o uso pediátrico;
  • Idosos: doses mais baixas podem ser melhor toleradas;
  • Insuficiência renal: geralmente, não é necessário ajuste de dose;
  • Insuficiência hepática moderada: reduzir para 50% da dose normal;
  • Insuficiência hepática grave: reduzir para 25% da dose normal.
  • Insuficiência cardíaca: usar com cautela, pois pode aumentar a frequência cardíaca e a PA – não usar caso haja anormalidades cardíacas estruturais.

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