Sono e o AVC

Sono e o AVC – Insônia e Apneia do Sono Causam AVC


Se você quer saber sobre as diversas relações entre o Sono e o AVC, como o AVC afeta o sono, como patologias do sono podem causar o AVC, fique até o final deste artigo que o Dr. Felipe Borelli Del Guerra, neurologista pelo Hospital das Clínicas com especialização em Doenças Cerebrovasculares, AVC e médico da Clínica Regenerati, vai abordar sobre isso.

Relação Entre o Sono e o AVC

Hoje, vamos explicar sobre um tema muito interessante que é essa relação entre o sono e o AVC. Já sabemos que o AVC – acidente vascular cerebral – é a segunda maior causa de morte no mundo, só atrás do infarto agudo do miocárdio, e a principal causa de incapacidade no adulto. As doenças respiratórias do sono, assim como outros transtornos do sono, são encontradas em mais ou menos 50% dos pacientes com doenças cerebrovasculares.

O que é a Apneia do Sono?

E neste artigo, vamos estar explicando muito sobre uma já conhecida que é a apneia do sono. Então, a chamamos de um nome que é síndrome da apneia obstrutiva do sono, que é um distúrbio no qual a pessoa fica por alguns momentos sem respirar enquanto está dormindo.

Isso acontece geralmente porque o calibre, o tamanho da via aérea durante o sono, que é o caminho onde passa o ar para chegar aos nossos pulmões, acaba sendo reduzido por uma série de fatores, como a queda da musculatura, a flacidez da musculatura, o aumento de tecidos moles, como a gordura.

Teste de risco de AVC
Esse é um teste adaptado que ajuda a estimar o risco anual de se ter um AVC

E essa doença é muito mais comum nos homens, principalmente de maior idade e que estão acima do peso, principalmente aqueles que têm um pescoço mais comprido e curto. Isso geralmente está presente em mais ou menos 24% dos homens e 9% das mulheres e é o transtorno respiratório do sono mais estudado até hoje e conhecido.

Como Acontece?

O que acontece então nessas apneias, que são as paradas da respiração? Isso geralmente vai levar à queda do oxigênio no sangue e ao aumento do gás carbônico, também no sangue, de maneira intermitente, porque a parada da respiração é rápida, é coisa de segundos, raramente se prolonga por mais de vários segundos.

E isso tudo, que acontece várias vezes à noite, vai levar a várias alterações, no nosso corpo, no nosso metabolismo, dos vasos sanguíneos, dos batimentos cardíacos, da resistência à insulina e dos hormônios, e tudo isso pode levar ao surgimento ou agravamento de doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade e arritmia.

A luta pela recuperação depois do AVC
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Então, disso vem um pouco da relação da apneia com um AVC. E temos um índice que é avaliado durante a polissonografia, que é o exame que faz o diagnóstico da apneia do sono, chamado índice de apneia-hipopneia, que é de paradas de respiração por hora, quantas vezes a pessoa tem isso por hora. Quando esse índice está maior ou igual a 20, foi associado a um risco maior de ter um primeiro AVC.

E também durante a polissonografia, principalmente, a que é feita pelo laboratório, é avaliada a oxigenação continuamente da pessoa durante a noite. E se essa oxigenação acaba ficando por mais de 90% por mais de 10% do tempo de sono – isso pode ocorrer, porque, às vezes, a pessoa pode ter muitas apneias, uma em seguida da outra –, vai acabar ficando com o oxigênio baixo, isso é um fator de risco tanto para doenças cerebrovasculares quanto para cardiovasculares.

E as pessoas que sofrem da apneia do sono, por conta dessas flutuações, do oxigênio, aumento do gás carbônico, têm quatro vezes maior o risco de ter uma arritmia que chama fibrilação atrial, que é uma das arritmias mais comuns da pessoa idosa, e ela pode levar à formação de coágulos e também a um AVC.

1 a cada 4 terão AVC segundo a OMS
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Tratamento da Apneia do Sono

O tratamento dessa apneia do sono é muito importante para poder melhorar a qualidade de vida da pessoa e reduzir a sensação de fadiga, a insônia e o principal sintoma da apneia que é a sonolência diurna.

E o tratamento costuma ser feito com o CPAP, que é um aparelho que coloca geralmente no nariz, ou em toda a face, que vai levar, para os seus pulmões, um ar com pressão positiva e vai evitar que haja o colabamento da sua via aérea, que é o local onde passa o ar para chegar aos pulmões – isso é o principal tratamento.

É lógico que existem outros tratamentos, como prótese dentária, mudança de posição na cama para poder facilitar o sono e reduzir as apneias, e principalmente perda de peso.

Estudo sobre as Condições

O maior estudo que já foi feito até hoje com pacientes com apneia de sono relacionando com AVC chama SAVE. Ele não foi capaz de mostrar que tratando a apneia do sono, você teve de fato uma redução a longo prazo de AVC ou de infarto do miocárdio.

Porém, esse estudo tem uma série de limitações, como o pouco tempo de uso do aparelho pelas pessoas que participaram do estudo, que impede de fato chegarmos à conclusão de que tratar a apneia de fato não vai reduzir o risco de ter AVC.

Embora então talvez não esteja tão claro que tratamos apneia, reduzimos o risco AVC, mas sabemos que se tratamos a apneia, melhoramos outras coisas, principalmente, uma delas é a pressão arterial: quando estamos controlando a apneia do sono, controlamos as nossas medidas da pressão arterial e a hipertensão, que é a pressão arterial elevada; é o principal fator de risco para o desenvolvimento do AVC.

Então, se estamos controlando a pressão arterial, temos um ganho direto de prevenir o AVC, então o CPAP é recomendado pela grande maioria dos especialistas para quem tem apneia do sono para ajudar a prevenir doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

E você que está lendo esse artigo, escreva nos comentários o que está achando, se está gostando do conteúdo, se tem alguma dúvida, se tem alguma experiência que gostaria de compartilhar.

Estatísticas

E também temos outros dados, outras curiosidades, que o tempo total de sono, o quanto a pessoa dorme, também está relacionado à chance de ter uma maior mortalidade por doença cardiovascular, cheias de infarto, arritmia súbita.

Geralmente, pessoas que dormem acima de 9 horas ou abaixo de 6 horas têm maior evidência de que isso está relacionado. Porque o sono em excesso e em falta podem provocar alterações no nosso corpo, mudanças na produção de hormônios, na pressão arterial, mudanças de uma série de coisas que podem levar a maior incidência das doenças cardiovasculares.

Inclusive, sabemos que o nosso ritmo do dia a dia tem muita interferência em decorrência do sono, tanto que não é à toa que cerca de 50% de todos os AVC ocorrem entre o período da manhã, de 6 a 12 horas. E geralmente isso pode estar relacionado à variabilidade na pressão, na frequência cardíaca, que ocorrem logo após a pessoa acordar.

Outra curiosidade também é que a insônia após AVC é muito comum, em cerca de 57% das pessoas, e geralmente tem uma causa multifatorial, sendo principalmente a dificuldade em se adaptar à nova vida, eventualmente uma nova sequela, depressão por conta do evento que aconteceu, que traz alguma incapacidade nova que não tinha. Então, tem que ser tratada, pois pode interferir na reabilitação da pessoa e na recuperação.

E isso é muito importante para as pessoas que fazem plantão, profissionais de saúde, de segurança pública, que têm trabalho noturno, porque as pessoas que têm um trabalho noturno – seja regular ou de maneira irregular, uma, duas vezes por semana – têm um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares e AVC, especialmente o AVC. Quem faz isso ganha um aumento de risco de 4% de AVC – quando a pessoa trabalha de maneira noturna por cinco anos.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Então é isso, fiz um artigo um pouquinho curto para vocês saberem um pouquinho sobre sono e AVC. Espero que tenham gostado; se gostaram, curtam o artigo e compartilhem com quem acham que podem se interessar.

Mais Informações sobre este assunto na Internet:

Sobre o Autor:
Felipe Borelli Del Guerra

CRM: 185.538

Neurologista Clínico do HCFMUSP e Hospital Santa Paula. Especialista em doenças cérebrovasculares.








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