Avaliação Neuropsicológica completa

A Neuropsicologia é a ciência que estuda as relações entre a cognição, o comportamento e as disfunções cerebrais. Surge como disciplina independente por volta da década de 40, e seu desenvolvimento se deve, principalmente, aos avanços nos conhecimentos sobre o funcionamento cerebral e da psicometria. Ela também foi beneficiada pelos avanços tecnológicos ocorridos no último século, como o desenvolvimento de novas técnicas de observação do cérebro, como a tomografia computadorizada, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons, etc. (Pinheiro, 2005)

A avaliação neuropsicológica é o método utilizado para a investigação da relação entre duas instâncias: estrutura (cérebro) e função (comportamento) (Mäder, 1996). Envolve interpretação de dados obtidos em entrevistas com o paciente e/ou familiar, informações médicas e resultados de desempenho nos testes neuropsicológicos.

Historicamente, nas décadas seguintes a 2ª. Guerra Mundial, o uso de testes psicológicos para estudo da disfunção cerebral foi realizado em pacientes com dano focal, baseados em tumores, acidentes com arma de fogo e cirurgias. Nas duas últimas décadas, os estudos neuropsicológicos passaram a abranger pesquisas com indivíduos com dano cerebral mais difuso, como na doença de Alzheimer, doença desmielinizante e AIDS (Rao, 1996).

A avaliação neuropsicológica é semelhante à um teste ergométrico do cérebro. Nesse teste é avaliado o desempenho de várias funções neurológicas que o cérebro possui, como a atenção e concentração na execução de tarefas, a abstração, os diversos tipos de memória, a capacidade de aprendizado, a velocidade e a acurácia de raciocínio, a capacidade inibitória, capacidade visual espacial e áreas da linguagem (Mesulam, M-Marsel, 1987). Ela também pode envolver a análise de traços de personalidade, de sintomas de ansiedade ou depressivos e outros parâmetros, conforme a necessidade.

Esse procedimento permite identificar possíveis alterações no desempenho cognitivo do paciente através da comparação dos resultados obtidos por ele com dados já normatizados de uma população geral com as mesmas características de gênero, idade e/ou grau de escolaridade  ou com os da própria pessoa em futuros testes.

 A avaliação neuropsicológica é muito utilizada para ajudar a obter o diagnóstico de doenças como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtornos de aprendizagem, autismo, comprometimento cognitivo leve, diversos tipos de demência (como no Alzheimer, demência vascular, demência frontotemporal), transtornos cognitivos em doenças evolutivas como epilepsia e esclerose múltipla. A avaliação neuropsicológica também é utilizada como parâmetro para ajudar a guiar, bem como definir a possibilidade de realizar cirurgias para epilepsia, cirurgias para implante de DBS na Doença de Parkinson. Também permite mapear os possíveis comprometimentos cognitivos após um AVC.

Avaliação neuropsicológica também pode ajudar a definir um mapa no planejamento de tratamento para reabilitação cognitiva em pacientes que sofreram danos neurológicos como sobreviventes de AVC, sobreviventes de traumatismos cranianos, pacientes com comprometimento cognitivo leve ou pacientes com algum outro distúrbio psiquiátrico que leve a comprometimentos cognitivos. A prática ajuda a definir um plano terapêutico para a reabilitação cognitiva (Lefèvre, B, 1998).

Avaliação neuropsicológica também pode ser utilizada como um rastreio global do funcionamento geral do cérebro, na modalidade de check-up neurológico no qual as performances obtidas são comparadas ao longo dos anos.

A bateria de testes neuropsicológicos é organizada de acordo com o objetivo da avaliação e o período para a aplicação da mesma vai variar de paciente para paciente. Como são várias funções cognitivas a serem avaliadas, o procedimento envolve várias sessões, conforme o combinado entre o profissional e o paciente, e no final do processo é emitido um relatório que será entregue ao mesmo. Portanto, é um teste que requer paciência para obter o resultado das análises, mas vale muito a pena de ser realizado.

Procedimento realizado por Vilma Borba Leandro Ferreira Jardim

Referências Bibliográficas:

Lefrèvre, Beatriz. Tecnologia em [Re]Habilitação Cognitiva: uma perspectiva multidisciplinar/ Fernando César Capovilla; Maria de Jesus Gonçalves; Elizeu Coutinho Macedo (Org.). - São Paulo: EDUNISC, cap. 3, pg. 73, 1998.  

MÄDER, M.Joana – Avaliação Neuropsicológica – Aspectos Históricos e Situação Atual – Psicologia Ciência e Profissão, ano 16, no. 3: 12-18, 1996.

 Mesulam,M-Marsel, M.D., Weinstraub, Sandra, Ph.D. Principles of Behavioral Neurology. M-Marsel Mesulam, M.D. F.A. Davis Company, Philadelphia. Cap. 2, 71 -76, 1987.

PINHEIRO, M. Aspectos Históricos da Neuropsicologia: subsídios para a formação de educadores. Educar, Curitiba: Editora UFPR, 2005, n.25, p. 175 – 196.

 RAO, S.M. – Neuropsychological Assessment – Neuropsychiatry – cap. 3, 29-45, 1996.

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