Psicólogo no Tratamento da Dor Crônica

Papel do Psicólogo no Tratamento da Dor Crônica


Psicólogo no Tratamento da Dor. Se você quer saber sobre a relação da Psicologia com a Dor física, como que a Psicoterapia ajuda no tratamento da dor, fique até o final deste artigo que a psicóloga Andrea Cristina Matheus da Silveira Souza, que trabalha na parte Clínica e em Psicologia Hospitalar, faz parte da equipe da Clínica Regenerati, e tem especialização em Dor, pela USP, e em Cuidados Paliativos, pela Universidad de El Salvador, na Argentina, vai falar mais sobre isso.

Papel do Psicólogo Dentro da Equipe de Dor

Hoje, estamos aqui para falar um pouco do porque tem o papel do psicólogo dentro de uma multiprofissional que atende pacientes com dor.

Nesses anos de experiência em que atendo, principalmente a questão de ser psicóloga, na área da saúde, lidando com pacientes que têm vários diagnósticos, eu vejo o quanto é difícil para uma pessoa aceitar o encaminhamento para o psicólogo dentro de uma equipe que cuida da sua dor.

Por que os Pensamentos e Sentimentos Podem Interferir no Aumento ou na Diminuição da Dor?

Uma das questões que mais os pacientes colocam é que quando são encaminhados para o psicólogo, sentem que parece que o profissional que está avaliando-os acha que aquela dor não existe ou que, como as pessoas dizem, é uma dor só emocional, psicológica. E quando o paciente escuta isso, parece que eles estão dizendo que “eu não tenho uma doença, um diagnóstico que justifique aquela dor”.

Teste de Dor Neuropática Lanns-Eva
Esse teste auxilia a determinar se uma dor é neuropática ou não.

E eu gostaria de conversar um pouco com vocês, explicar que é super importante, porque uma das coisas em relação a dor é que é o cérebro que faz dizer se uma pessoa tem dor ou não; então, é no cérebro onde vai identificar a dor.

Pessoas com problemas no cérebro, que chamamos de neurológico, alguns problemas neurológicos não têm dor e esse “problema”, o que vai acontecer? Vai prejudicar a percepção da dor delas e acabar se colocando em situações de risco. E uma pessoa que não sente dor vai queimar a mão, se machucar, pode se cortar e é muito prejudicial. Então, a dor tem esse componente que também é componente de alerta.

O que vemos nessa questão? Por que o psicólogo em uma equipe de dor vai cuidar dela? A dor é interpretada no cérebro e o psicólogo, junto com os outros profissionais, vai abordar esse problema em relação ao seu funcionamento, porque uma das funções vai ativar vários núcleos do cérebro – porque estamos falando da dor em uma pessoa, não só no diagnóstico.

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Principalmente, porque sabemos que vários pacientes com dores crônicas vão ter sintomas de estresse que precisam ser cuidados, pois podem desencadear ou manter alguns quadros dolorosos.

Então, é importante fazermos esse trabalho junto com o paciente, modificando a sua percepção, entendendo como ele vê aquele quadro doloroso, que simbolismo ele dá para aquela dor, que diagnósticos também potencializam ele sentir dor, que vão interferir muito na questão da melhora dele do quadro doloroso.

Duração do Tratamento

A duração do tratamento psicológico, assim como de qualquer tratamento da saúde, depende muito do próprio paciente, da avaliação que é feita; não se tem um período mínimo. Alguns protocolos de psicoeducação, que chamamos – que vamos abordar com o paciente todas as questões de orientação que podem ser feitas em relação à dor –, fazemos no hospital, em torno de 08 semanas.

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É um programa de psico orientação que vai abordar algumas questões específicas relacionadas à dor, como a alimentação, mudança de comportamento, qual a importância dos exercícios, como que o estresse interfere na percepção dele de dor. Então, são várias questões que vão estar sendo abordadas dentro desse processo psicoeducativo ligado à dor.

Porém, o tratamento de mudança de comportamento, para se manter, vai depender do próprio engajamento, interesse do paciente dentro desse processo. Porque é isso que sempre dizemos para ele, alguns problemas vão sendo construídos pelo tempo de vida que a pessoa tem, então não é de um dia para o outro, não é apenas em algumas sessões que conseguimos enfrentar esses problemas que podem estar prejudicando, interferindo, mantendo o quadro doloroso dela.

Vamos dar um exemplo, vários pacientes que vemos têm uma dificuldade muito grande de acreditar que fazer exercício físico é importante para o tratamento de dor deles. Muitos vêm com essa crença de que fazer exercício físico vai potencializar a dor que sentem e sabemos que quanto mais parado você fica, mais vai estar potencializando a sua musculatura a desencadear quadros dolorosos.

Conseguimos isso em um dia? Não. Conseguimos isso em algumas sessões? Não. Precisamos entender qual é a crença, o sentido e como ela foi construída durante todo esse tempo de adoecimento que o paciente tem. Então, é muito difícil; se vamos trabalhar com as crenças, com questões anteriores, não dá para definir a questão do tempo.

Conseguimos definir o tempo quando propomos um protocolo de psicoeducação, é isso que eu queria colocar – essa diferença. Mas quando vamos trabalhar sobre questões estruturais de como vejo aquela situação, eu não consigo delimitar um tempo.

Todas as Correntes da Psicologia Atendem Pacientes com Queixas de Dor?

Outra pergunta que me fazem é se todo psicólogo, toda linha ou só a linha Terapia Cognitivo-Comportamental pode atender pacientes com dor. Não é verdade, temos na SBED, Associação Brasileira de Estudos de Dor, vários psicólogos, de várias linhas, trabalhando com dor.

O que precisa é de fato ter um conhecimento, uma especialização, fazer um curso que te capacite a desenvolver atribuições para cuidar desse paciente com dor, porque são vários aspectos: você precisa de fato de um aprofundamento que vai te ajudar a entender aquela concepção, o paciente que está na sua frente sofrendo com dor – é um indivíduo inteiro que está na sua frente e de fato está sofrendo e sentindo dor.

Os psicólogos, pelo menos os que trabalham com dor, não têm dúvida de que nosso paciente sofre muito e sente aquela dor que está dizendo, e isso é super importante entender: não tem essa questão de dividir se a dor é física ou mental.

Porque quem tem essa dor é um indivíduo e se ele sofre de dor – isso já está colocado pela Associação Internacional de Estudos de Dor –, não importa se tem ou não um diagnóstico, a percepção da dor é o padrão ouro, é a informação que nosso paciente dá e o sofrimento que está vivenciando.

Então, não dividimos essa questão de dor física ou emocional, porque entendemos que é a pessoa que está sentindo e toda vez que eu penso na dor, núcleos no cérebro vão ser ativados, e núcleos neurológicos, e vão estar envolvidos também hormônios.

Portanto, não importa se essa dor tem uma iniciação de uma questão de um corte ou não, esse paciente vai estar modificando o pensamento, apresentando alterações neurológicas, de funcionamento do cérebro, que vão estar potencializando, identificando que aquela pessoa está sofrendo de dor.

Por isso é super importante entender que na hora que você é encaminhado para o psicólogo, não existe uma desconfiança de que você não esteja sentindo aquela dor e sim de que aquela dor pode ter outros aspectos importantes que esse profissional que trabalha com pensamento e que é o psicólogo, precisa estar ajudando na sua avaliação e no seu tratamento.

O Gênero Influencia na Sensibilidade para Percepção de Dor?

Uma das perguntas que fazem para nós é quem sente mais dor, homem ou mulher? Uma das coisas que foi considerada e que foi visto isso em várias pesquisas, é que sim, mesmo em ratos, em outros animais, não só nos seres humanos, os hormônios femininos são mais susceptíveis, deixam as pessoas sentirem mais dor, e isso vai interferir.

Então, quando se faz pesquisa de base – que eles chamam pesquisa de base –, a escolha do animal também é feita em base do sexo que ele é, porque sim, animais fêmeas têm e sentem mais uma sensibilidade alterada em relação a dor.

Por isso também a maioria dos quadros dolorosos, vamos perceber que tem um impacto maior na questão das mulheres. Logo, dentro de uma prevalência, podemos considerar sim que as mulheres sentem mais dor e isso é visto em vários diagnósticos.

Mas isso é um dado estatístico; eu sempre coloco que é super importante não querermos nos enquadrar em um dado estatístico, porque ele sempre leva a questão do geral e não do particular.

Por isso que é importante, dentro da sua avaliação, dentro do seu contato com o profissional de dor, ele permitir você ser avaliado e entender as diferenças que vão ter em relação a esse dado estatístico e não querer te encaixar em dados estatísticos de forma fria, porque cada pessoa é uma pessoa e o tratamento também vai ser individualizado.

Então, uma das coisas importantes para avaliar em relação ao paciente – a avaliação que fazemos no paciente que sente dor – é essa questão, como ele lida com a doença, quais os impactos que teve na vida dele em temos desde sexualidade, sono, relação familiar, trabalho, dele com ele mesmo. Portanto, vamos avaliar todos esses núcleos, esses aspectos importantes que o paciente tem para entendermos como é o impacto da dor na vida dele.

Alterações na Rotina para Controle da Dor

Outro aspecto que colocamos, como eu estava falando, é importante que os pacientes percebam que algumas mudanças poderão ser necessárias na vida deles e se não perceberem que além do profissional, também precisam se comprometer com a questão do tratamento, seguir as orientações, questionar e todas essas questões, eles também não vão se responsabilizar.

Então, tem muito paciente que eu vejo, que acho importante dizer, que se o médico pergunta se faz, “não, eu estou seguindo tudo certinho”, porém, na hora que você pergunta, “ah, mas fez atividade física? Mudou a alimentação? Foi procurar o psicólogo?“ Sabemos que, às vezes, é difícil para o paciente, mas, por exemplo, eu trabalho no serviço público que tem todos esses serviços e são importantes, então é fundamental ver que tem uma questão do próprio paciente em buscar.

E alguns, – isso é outro item que avaliamos –, às vezes negam a questão do problema, não se protegem e falam assim: “ah, essa dor existe, mas eu não estou nem aí” ou qualquer remédio que toma, volta a fazer tudo aquilo que desencadeou o processo doloroso, se expõe, vão limpar.

As mulheres são muito claras: tomam o remédio, melhoram e vão limpar a casa, subir escada, fazer tudo, e isso é importante ver que também avaliamos o quanto que ela se coloca em situação de risco, não entendendo que algumas mudanças vão ser super importantes até para ela controlar o quadro doloroso.

Abordamos esse assunto da Psicologia de forma bastante breve, esperamos que tenha ajudado em vários aspectos vocês que têm dores crônicas e que sofrem com isso.

Assista ao vídeo e saiba mais:

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Mais Informações sobre “Psicólogo no Tratamento da Dor Crônica” na Internet:

Sobre o Autor:
Andrea Cristina Matheus da Silveira Souza

CRP: 06/34.395

Psicóloga no Instituto Emilio Ribas, com cargos de gerencia. Formada pela universidade de Oxford e Coordenadora do curso de dor da USP. Especialista em Dor e em Cuidados Paliativos.









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