Papel do Idoso na Sociedade

A Importância do Idoso na Sociedade


Se você quer saber sobre o Papel do Idoso na Sociedade e o futuro de uma humanidade mais idosa, fique até o final deste artigo que o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista, fundador da Clínica Regenerati e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai abordar sobre isso hoje.

Papel do Idoso na Sociedade e Futuro da Humanidade Idosa

Estatísticas

Só para ter uma noção, segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos triplique e passe de 400 milhões de pessoas atualmente para 1.2 bilhões a nível mundial. E isso é muita gente e mais que só um número absoluto, o que vai importar é que isso vai ser uma porcentagem relativa das pessoas muito grande, a espécie humana vai ser proporcionalmente mais idosa, vai viver mais do que 60 anos.

Atualmente, no Brasil, o idoso é alguém que tem mais de 65 anos. No passado, eram de 50 e no futuro breve, provavelmente, o idoso vai ser alguém acima de 70 anos de idade. O conceito de idoso vai mudando de acordo com cada época e com cada sociedade.

Idoso no Decorrer dos Anos

Em uma breve história da Medicina, só para ter noção, nos primórdios da humanidade, quando mal tínhamos conhecimentos científicos, a pessoa chegar vivo até os 30 anos de idade já era um feito, o ser humano nunca teve uma expectativa de vida média muito alta até antes da Revolução Industrial, especialmente mesmo após a Segunda Guerra Mundial.

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A Segunda Guerra Mundial teve uma padronização e uma difusão muito grande de práticas médicas, de conceitos de medicina e de tecnologias médicas que faziam com que as pessoas vivessem mais, como, por exemplo: antibióticos, não existia isso e as pessoas morriam de infecção, porque não tinha o recurso para isso. Então, até antes da Segunda Guerra Mundial, chegar aos 60 anos de idade já era um feito muito significativo, não era uma coisa comum.

O ciclo de vida era mais rápido, as pessoas acabavam tendo filhos na faixa etária da adolescência até os 20 e alguns anos – um monte de filhos – e quando chegava nos 40 anos de idade, normalmente a pessoa já era avó, ou seja, era um avô jovial, estava todo inteirão, firme, estava de maneira geral, saudável.

Mas, como não existiam tratamentos para diabetes, hipertensão, câncer, e nem antibiótico, anticoagulante, vinha uma doença, a pessoa morria de pronto na primeira doença um pouco ameaçadora à vida. E nisso, as pessoas vinham prontamente a falecer sem ficar convivendo com patologias, com as doenças; logo, era uma massa muito grande de jovens e quando vinha a doença, rapidamente o povo morria, não ficava convivendo com ela.

Então, o idoso, antigamente, tinha um papel muito curto na sociedade, ele mal virava idoso, vinha a doença, matava ele. E nisso, assim, as pessoas não tinham que conviver com o papel do idoso, não tinha muito idoso, eles não duravam muito, e o que mudou foi o advento da medicina moderna, com técnicas de prevenção, com diversas terapêuticas para incontáveis patologias: antibióticos, anticoagulantes, cirurgias, tratamentos.

Medicina Moderna

A expectativa de vida avançou em uma velocidade vertiginosa e isso foi gerando uma nova classe social na sociedade que antes não existia que era: pessoas com uma idade mais avançada que estão convivendo com patologias crônicas e que têm demandas de cuidados e recursos que ao mesmo tempo elas têm uma capacidade produtiva reduzida, especialmente em uma sociedade que é cada vez mais veloz e mutável.

Ou seja, essa pessoa nova que surgiu, que é a figura de uma pessoa idosa com doenças, com capacidade reduzida e que demanda recursos para cuidar das suas patologias, dos seus problemas e das suas coisas, e que já não é mais produtiva, em um mundo que tem uma mutabilidade muito grande, é uma figura nova.

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Até muito pouco tempo na sociedade, não tínhamos essa figura, ou vamos dizer, ela existia, mas durava um espaço de tempo muito curto, porque as doenças vinham e levavam as pessoas de uma maneira muito rápida, então, não tinha um grande número de pessoas idosas convivendo com patologias; eram idosos até bem saudáveis, firmes, produtivos, ou a pessoa, vinha a doença e logo falecia.

Assim, o que surgiu e vai crescer? Em poucos anos, começarão a surgir milhares e logo milhões de pessoas que vão ter sua capacidade física reduzida, conviver com patologias crônicas, não ser mais produtivas economicamente de maneira geral, e facilmente solitárias.

Por quê? A sociedade, hoje, é muito fluida, as pessoas facilmente mudam de lugares, viajam… Antigamente, vinha a família, a pessoa nascia naquela cidade, crescia, tinha os filhos, estava a família toda naquela região, nunca saia dela e todo mundo ficava no mesmo local.

Nas sociedades mais desenvolvidas, é comum ter a pessoa chegando na idade do vestibular, de fazer a faculdade, já viajar para outro local, fazer faculdade, às vezes, em outro estado, depois vai trabalhar em outro e casa por lá… Assim, as famílias são menores, isso acaba gerando idosos que estão ficando sozinhos na velhice.

Porque antes tinham os filhos que eram, vamos dizer assim, o plano de aposentadoria do idoso, quem garantia o cuidado da velhice do idoso eram os filhos, porque estavam por perto, eram numerosos.

Idoso na Atualidade

Hoje em dia, com pessoas que vão virar idosos, tiveram um, dois, três filhos quando muito, e os filhos, muitas vezes, estão distantes dos pais, facilmente mudam de cidade para trabalhar, mudam de localidade. E se não tem uma rede social para esse idoso, gera um problema que é: idosos solitários.

Isso já é um problema em sociedades que convivem com esse fluxo de deslocamento das pessoas muito grande, como no Japão ou em Londres, na Inglaterra, na qual tem uma população idosa grande; e é comum que os filhos não fiquem na cidade dos pais.

E tanto que foi interessante uma reportagem que eu vi de idosas fazendo pequenos crimes para serem presas para ficarem em uma prisão de mulheres e idosas, em um local onde têm companhia.

Só de ter companhia de outras pessoas, comerem juntas, fazerem exercícios, coisas juntas, isso, para elas, era melhor do que estar livre em um apartamento, em que estão fechadas sem ninguém, não interagem com ninguém, não visitam ninguém, não falam com ninguém, os filhos não vão visitar e nem é de maldade, é porque tão cuidando da vida deles, estão muito ocupados.

E para você ver: gerou um fenômeno em que o povo acabou achando melhor ser preso para estar em contato com outras pessoas do que ficar vivendo “livre”, em um apartamento, em uma vida solitária.

O que acontece é que a sociedade vai ter que encarar essa realidade de frente que é: vai ter os idosos e vão ser pessoas que vão conviver com patologias, vão demandar recursos, pessoas, espaço na sociedade, e uma sociedade organizada melhor para eles.

E um sistema financeiro que funcione melhor para o custeio de uma vida na terceira idade e das diversas patologias, do lazer, da alimentação e das demais demandas todas que envolvem os problemas da terceira idade.

Dessa maneira, a sociedade, se não estruturar os aparatos sociais, as instituições, leis, os espaços físicos e as atividades dedicadas aos idosos, eles facilmente vão ser vistos como um estorvo. Por quê?

Se a sociedade não tem um local, um espaço, pontos, pessoas, estruturas para esse idoso viver, conviver, passar o tempo, cuidar de si, todo mundo, vai vê-los como um estorvo, porque têm demandas e alguém vai ter que cuidar dessa demanda. Se não é organizada a sociedade para isso, alguém vai ter que, normalmente o filho, parar a vida para tentar fazer o cuidado e isso só vai dificultar tudo.

Papel do Idoso na Sociedade

O que Fazer pelos Idosos?

Então, para pensarmos em um futuro de uma humanidade com mais idoso e não vê-lo como um estorvo, precisamos discutir isso agora e mudar a cultura em relação ao idoso. Ele não pode ser visto como um estorvo, um problema, um ser que tem que ser alijado da sociedade.

Os idosos vão ocupar um papel maior e vão ter um maior protagonismo na sociedade pelo simples fato de, proporcionalmente, serem em maior número. Então, só de saber que serão proporcionalmente em maior número, já precisamos estar preparados para isso, porque serão protagonistas da sociedade. Hoje, eles ocupam um papel pequenininho, daqui a pouco, vão ter um papel grande na sociedade.

Acontece que um futuro melhor para o idoso começa agora mesmo, fazendo a discussão no dia a dia e discutindo de uma maneira simples e natural para criar essa cultura de valorização do idoso e uma que envolva economia disso, de participar, colocar o idoso na nossa rotina, estruturas sociais, físicas, clubes, coisas públicas, centros de saúde, cuidar da saúde desde a juventude para o envelhecimento saudável.

Isso tudo tem que ser debatido e conversado, na terceira idade, da velhice para deixar de ser tabu, porque tudo que é relacionado à morte, doença, é tabu, porque nos lembra de coisas que não queremos: ninguém quer lembrar que vai ficar velho, morrer, vai ter a doença.

Mas, se não lidamos com esses problemas abertamente, se não falamos sobre isso abertamente, não faz eles deixarem de existir, e o pior, chegamos em um momento de vivenciar isso sem recursos.

Por exemplo, se nós começarmos a debater mais sobre o papel do idoso na sociedade e ter a percepção de que o idoso quer ter a sua independência e não ser uma pessoa isolada, ele não vai ficar tendo como esperar isso só dos filhos e familiares, vão surgir demandas de condomínios especializados, por exemplo.

Projetos que Fazem a Diferença

Empresários, se dediquem a criar condomínios, prédios ou condomínios de casas, residências, que tenham: serviços prontos e adequados, como de saúde; sempre uma enfermeira presente, um professor de Educação Física, um médico, um fisioterapeuta, profissionais para fazer atividades de lazer; dia do cinema, viagens com a turma do condomínio, coisas de entretenimento, hidroginástica.

Imagina, quem não queria ficar idoso e ter isso para si? É claro, isso é uma coisa, ainda mais pessoas que você vai poder conviver e ter as mesmas lembranças, músicas que ouviu no passado, festas com música que a pessoa gostou. Imagina eu, quando estiver velhinho, ainda curtindo o Skank, as músicas dos anos 90, 80, e junto com a mesma galerinha que curtiu essas músicas comigo. E ter esportes adequados para o idoso não fazer nada que saia quebrando.

Isso tudo pode ser realizado em condomínios, porque vai ter demanda, o idoso vai ter que morar em algum local e eles vão precisar disso, e se fazemos coisas nesse sentido, vai atender demandas, vai gerar maior qualidade de vida, sociedades que integram e fazem a pessoa participar mais da vida da sociedade como um todo, o idoso não vai sentir que é um estorvo e tem que ficar jogado a dependência de outros.

E isso tudo é uma coisa muito importante para ser discutida agora, por quê? Será uma realidade muito próxima e é um papel que construímos mudando a cultura de nós que estamos jovens agora, e até mesmo dos idosos que já estão convivendo e têm que ter para si uma consciência de que têm que participar da sociedade, de que são parte da vida, eles não têm que ser escondidos e o idoso tem que viver e vivenciar a vida de uma maneira plena.

Você que está lendo nosso artigo, escreva nos comentários “papel do idoso na sociedade:” e o que achou do conteúdo, o que acha do papel do idoso na sociedade, quais são suas dores, o que te preocupa, o que você já viu de boas ideias, porque isso tudo ajuda a difundir ideias, projetos para que seja construída uma sociedade melhor para os idosos que nós seremos também.

Assista ao vídeo e saiba mais informações:

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Sobre o Autor:
Willian Rezende do Carmo

CRM: 160.140
RQE: 50.546

Fundador da clínica Regenerati. Médico do Sirio Libanes, BP Mirante e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Neurologista especializado em dor, sono e disturbio do movimento (Parkinson e tremor).









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