Herpes-Zóster – Sequelas do Herpes-Zóster
Se vocês querem saber sobre as possíveis Sequelas do Herpes-Zóster, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e que no canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai explicar sobre isso.
Sequelas do Herpes-Zóster
São um tema extremamente importante, as sequelas do Herpes-Zóster, popularmente conhecido como cobreiro.
Muitas pessoas já ouviram falar do zóster, mas poucas sabem dos riscos que traz a longo prazo. O Herpes-Zóster é causado pela reativação de um vírus, Varicela-Zóster, o mesmo vírus da catapora da infância.
Após a catapora, o vírus fica adormecido nos nossos nervos e pode causar, depois, o Herpes-Zóster, quando é reativado por causa de uma queda do sistema imune. Mesmo que a pessoa não tenha tido a catapora, cerca de 89% – 90% da população carrega o vírus Varicela-Zóster no corpo.
Então, praticamente todo mundo tem esse vírus no corpo e basta ter uma queda importante do sistema imune para ele ser reativado e surgirem aquelas manifestações cutâneas, aquelas ‘bolhazinhas’ com aquela dor imensa, normalmente de um lado do corpo, e pode afetar qualquer região do corpo.
E este conteúdo é sobre as sequelas.
Sequela da Dor: Neuralgia Pós-Herpética
A sequela mais comum e debilitante do zóster é a neuralgia pós-herpética. A dor do zóster é aguda e intensa, mas a neuralgia pós-herpética, essa dor, persiste mesmo após as lesões de pele desaparecerem.
Estudos mostram que 70% dos pacientes com neuralgia pós-herpética experimentam a dor e melhoram em até três meses. 90% melhora em até seis meses, mas após esse período, a dor tende a se tornar crônica.
Agora, a dor da neuralgia pós-herpética é descrita em forma de queimação, choque, pontadas, coceira, formigamento e pode ser desencadeada pelo toque leve sobre a pele ou, às vezes, simplesmente, por causa de anoitecer, mudança de temperatura, certos movimentos ou do nada, simplesmente vem a dor.
Essa dor nem sempre é dor, ela pode ter outros nomes, mas, na neuralgia, chamamos assim porque é uma sensação desagradável. E essa dor crônica impacta significativamente na qualidade de vida do paciente, às vezes, causando insônia, depressão, ansiedade, isolamento social.
Por que a dor persiste após a infecção? O vírus Varicela-Zóster causa inflamação e lesão nos nervos. E a neuralgia pós-herpética é resultado da lesão do nervo que é persistente, fica o nervo defeituoso mandando um sinal defeituoso e esse sinal defeituoso é traduzido como sinal de dor.
O tratamento precoce do zóster com antivirais pode reduzir o risco da neuralgia pós-herpética, mas não há cura necessariamente para uma dor crônica, no entanto, tem um controle muito bom, é possível zerar a dor com tratamentos.
Maior Risco de Infarto e AVC
Outros riscos de sequelas, por exemplo, são maior risco de infarto e AVC. Muita gente não sabe, mas o Herpes-Zóster aumenta o risco de infarto e AVC, com estudos recentes revelando uma ligação preocupante entre o zóster e o aumento do risco de infartos e AVCs.
Um estudo publicado no Journal of American College of Cardiology mostrou que a pessoa que teve Herpes-Zóster tem 2.4 vezes maior risco de ter um AVC, em relação a quem não tem, e um 1.7 vez maior risco de um infarto em relação a quem não teve – isso no primeiro ano após a infecção.
Acredita-se que a inflamação causada pelo vírus contribui para formação de placas de gordura ou maior inflamação das próprias placas e dos próprios vasos, então, isso aumenta o risco cardiovascular.
É fundamental que os pacientes com o zóster sejam monitorados de perto e recebam um tratamento preventivo para doenças cardiovasculares também.
Maior Risco de Doença de Parkinson
Outra sequela: o Herpes-Zóster aumenta o risco de Doença de Parkinson. Um estudo coreano publicado no Journal Infectious Disease descobriu que pessoas que tiveram zóster apresentaram um risco 40% maior de desenvolver uma Doença de Parkinson em comparação às pessoas que nunca tiveram.
A razão exata dessa ligação ainda não está clara, mas a inflamação crônica causada pelo vírus pode desempenhar um papel importante na questão da dopamina no cérebro. Essa descoberta reforça a necessidade de acompanhamento neurológico a longo prazo para monitorar os pacientes, se eles também não estão com risco de desenvolver Doença de Parkinson no momento pós-zóster.
Eu já peguei vários pacientes em que fiz diagnóstico de Parkinson no pós-zóster, especialmente aqueles que têm uma refratariedade muito grande ao tratamento da dor pós-herpética mesmo dando o tratamento completo e todo certinho; às vezes, vão melhorar da dor pós-herpética só quando entra com a levodopa, isso não é tão incomum.
Maior Risco de Demência
Tem outro risco de sequela do zóster que é maior risco de demência. Um estudo publicado na revista Neurology, que é uma das mais importantes do mundo em Neurologia, mostrou que pessoas com zóster tiveram um risco 50% maior de desenvolver demência, especialmente demência vascular, em comparação com pessoas que nunca tiveram zóster.
Novamente, a inflamação crônica parece ser o fator-chave, o vírus pode causar dano nos vasos e nos microvasos do cérebro, aumentando o risco de demência vascular.
Sequelas Oftalmológicas, Dermatológicas e Outras
Outras sequelas: oftalmológicas, dermatológicas e de outros tipos. O zóster pode causar diversas sequelas oftalmológicas, especialmente se a erupção ocorre perto ou dentro dos olhos mesmo, pode dar ceratite herpética, que é uma inflamação na córnea e pode levar a perda de visão se não tratada. Outras complicações podem incluir uma uveíte, um glaucoma e uma paralisia de nervos oculares também.
Podem acontecer sequelas dermatológicas que incluem cicatrizes, alterações na pigmentação da pele. Não são tão mais graves, mas a pessoa fica com cicatrizes na pele também.
Em casos mais raros, o zóster pode causar uma síndrome que chama síndrome de Ramsay Hunt, que vai vai pegar nervos além da sensibilidade, pode causar também paralisia facial (a pessoa fica com o rosto torto, parecendo que teve AVC) e perda auditiva igualmente pode afetar.
Além de afetar o nervo facial, que é da musculatura do rosto, pode afetar o nervo da audição e do labirinto, e a pessoa pode ter perda auditiva do lado afetado. Então, o zóster pode também causar paralisia facial, perda auditiva e alteração do equilíbrio.
Conclusão
O Herpes-Zóster tem maior risco de sequela de dor, que é a principal, aumento do risco de Parkinson, AVC, demência, sequelas dermatológicas, oftalmológicas e também, em casos mais raros, paralisia do nervo facial e alterações nas partes de audição e de equilíbrio.
Só para concluir, o Herpes-Zóster é muito mais do que as erupções cutâneas e dolorosas. As sequelas podem ser graves, duradouras, impactando a qualidade de vida em diversos aspectos.
É fundamental os pacientes com zóster receberem tratamento extremamente precoce, com acompanhamento médico, de longo prazo, receberem os antivirais na dose exata, que são doses mais altas, muitas vezes, intravenosos, e fundamentalmente tomarem a vacina de prevenção do vírus do herpes, que é a melhor coisa que tem contra o Herpes-Zóster, porque previne mais de 90% dos casos, das pessoas que foram vacinadas.
Se você já teve zóster ou conhece alguém que teve, converse com essa pessoa, mande o link deste conteúdo, converse com o neurologista da sua confiança para investigar sobre possíveis outras sequelas do vírus do Herpes-Zóster, porque se não investigar, às vezes, tem um problema que não está sendo diagnosticado e quanto mais cedo é realizado o diagnóstico, maior a chance de ter um bom tratamento e um bom desfecho também.
Se conhece pessoas que já tiveram Herpes-Zóster e se você já teve Herpes-Zóster, conte como foi seu caso, teve alguma sequela, essa pessoa teve alguma sequela do Herpes-Zóster, escreva nos comentários como foi a experiência, sua ou da pessoa que já teve. E se gostou do artigo, fique atento para compartilhar, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.
