Dor Neuropática

Dor Neuropática – Causas, Sintomas e Tratamento da Dor Neuropática

Se quer saber sobre Dor Neuropática, de uma maneira mais profunda, mais completa, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Neurologia Geral e todos assuntos do seu interesse, vai explicar sobre isso.

Se você ou alguém que conhece sente dores que parecem diferentes, como queimação, formigamento, choques ou até mesmo sensações estranhas que nem sequer são descritas como dor, esse artigo é para você.

O que é Dor Neuropática e Como Ela se Diferencia da Dor Nociceptiva?

A dor neuropática não é apenas uma dor intensa, mas, sim, um sinal de alerta de que algo não vai bem com o sistema nervoso.

Imagine seus nervos como fios condutores de informação: quando esses fios são danificados ou sofrem alguma disfunção, a comunicação se torna confusa, gerando sinais de dor mesmo na ausência de uma lesão real, ou seja, não tem uma lesão tecidual, no músculo, na pele ou que seja, tem uma disfunção ou alguma lesão nos nervos que faz com que enviem sinais errados e esses são interpretados como dor.

Teste de Dor Neuropática Lanns-Eva
Esse teste auxilia a determinar se uma dor é neuropática ou não.

Essa é a principal diferença entre a dor neuropática e a dor nociceptiva. A dor nociceptiva é aquela dor aguda que sentimos quando nos machucamos, é um mecanismo de proteção, nos alerta de um perigo iminente. Já a dor neuropática é como um alarme disparado sem motivo aparente, um curto-circuito nos fios da comunicação nervosa.

E existem dois tipos principais de dor neuropática:

  • Dor neuropática periférica: ocorre quando a lesão ou disfunção está nos nervos periféricos, aqueles que se ramificam da medula espinhal para o resto do corpo, como diabetes, herpes-zóster ou lesões diretas no nervo como compressão;
  • Dor neuropática central: ocorre quando a lesão ou disfunção está no sistema nervoso central, que inclui o cérebro e a medula espinhal. Exemplos de causas incluem esclerose múltipla, AVC até Doença de Parkinson.

As Muitas Faces da Dor Neuropática: Causas e Exemplos

A dor neuropática pode ter diversas apresentações, são diversas condições que podem desencadear e causar a dor neuropática. Muitas vezes, a causa exata permanece um mistério, mas vamos explorar algumas das causas mais comuns, por exemplo:

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  • Diabetes ou neuropatia diabética: é quando o excesso de açúcar no sangue danifica os nervos, especialmente das pernas e dos pés;
  • Herpes-zóster ou neuralgia pós-herpética: a pessoa teve o zóster, passaram as bolhas e depois ainda fica a dor. É o mesmo vírus da catapora que quase todo mundo tem no corpo, ele fica latente, mesmo que tenha curado já a catapora, depois sai desse estado adormecido e ativa, inflamando os nervos e causando uma dor muito intensa;
  • Lesão na medula espinhal: como acidentes de moto, traumas, quedas ou doenças degenerativas de artrose, que vai comprimindo a medula, eles podem danificar a medula espinhal, interrompendo a comunicação nervosa e gerando dor;
  • Esclerose múltipla: uma doença autoimune que ataca a capa que envolve os nervos, fazendo a desmielinização, causando inflamação e dor;
  • Acidente vascular cerebral (AVC): a falta de oxigênio no cérebro durante o AVC pode danificar áreas responsáveis pela percepção de dor e gerar uma dor neuropática central;
  • Infecções: algumas infecções como HIV, por exemplo, podem afetar os nervos periféricos e causar dor neuropática;
  • Deficiências nutricionais: a falta de vitamina B12, por exemplo, pode prejudicar a função nervosa e levar à dor;
  • Doenças autoimunes: lúpus, artrite reumatoide e outras doenças autoimunes podem atacar os nervos, causando dor neuropática;
  • Câncer e seus tratamentos: o próprio câncer como um tumor pode comprimir e invadir o nervo, e também, de maneira mais comum, a quimioterapia ou a radioterapia pode danificar os nervos e causar dor neuropática;
  • Doença de Parkinson: a degeneração das células nervosas no cérebro pode levar a um tipo de dor neuropática central.

Desvendando os Sintomas da Dor Neuropática: um Estigma Sensorial

Vamos entender mais sobre as características da dor neuropática, que pode se manifestar de diversas formas, muitas vezes, confundindo pacientes e médicos. E alguns dos sintomas mais comuns incluem:

  • Dor em queimação: uma sensação de ardência intensa, como se a pele estivesse em contato com fogo;
  • Dor lancinante: é uma dor aguda, penetrante, como se tivessem facas sendo cravadas na pele;
  • Formigamento: uma sensação de agulhadas, alfinetadas ou formigas andando pela pele, muitas vezes, acompanhada de dormência;
  • Dormência: perda da sensibilidade na área afetada, como se a região estivesse adormecida ou “meio que morta”;
  • Sensibilidade ao toque: o toque leve, que normalmente não causaria dor, se torna insuportável, como de um lençol, por exemplo;
  • Sensibilidade à temperatura: a pele se torna extremamente sensível às mudanças de temperatura como frio ou calor;
  • Alodínia: estímulos que, normalmente, não causariam dor, como o toque de um lençol ou o toque do vento, desencadeiam dor intensa;
  • Hiperalgesia: a resposta à dor é aumentada, fazendo com que uma dor leve seja sentida de uma maneira muito intensa, então, como um riscado na pele ou qualquer pressãozinha faz com que a pessoa sinta uma percepção dolorosa muito maior.

Tratando a Dor Neuropática: um Arsenal de Opções

O que temos de arsenal terapêutico para tratar a dor neuropática? O tratamento da dor neuropática é um desafio, mas com paciência e persistência é possível encontrar a combinação ideal das terapias para cada paciente.

  • Medicamentos orais, como, por exemplo:
    • Antidepressivos tricíclicos: como a amitriptilina, nortriptilina tem uma eficácia entre 40% e 60%;
    • Inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina: os duais, como a Duloxetina, a venlafaxina, por exemplo, eficácia em torno de 40% a 50%;
    • Anticonvulsivantes: como a gabapentina e pregabalina, eficácia em torno de 30% a 50%.

E podem ter combinações de todos estes e também medicamento oral, como os opioides, especialmente o tramadol, em alguns casos, a oxicodona; utilizados em casos selecionados, sob supervisão médica, mas é uma opção e pode ser utilizada tranquila e normalmente. Em alguns tipos de dor neuropática, eu uso bastante.

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  • Tratamento tópicos, ou seja, aqueles que passam na pele, por exemplo:
    • Lidocaína tanto em emplastro, em que você põe, quanto em gel, que você passa: ela alivia a dor localmente e vai dessensibilizando os nervos. Muito boa a lidocaína;
    • Creme de canabidiol: estudos recentes mostraram o potencial no alívio da dor neuropática; o creme de canabidiol, particularmente uso bastante.

Temos também os procedimentos não intervencionistas, que são procedimentos não invasivos que igualmente ajudam no tratamento da dor, como a estimulação magnética transcraniana.

É um tratamento não invasivo que utiliza campos magnéticos para modular a atividade cerebral, embora ainda em fase de pesquisa para o tratamento da dor neuropática, vários estudos já demonstram resultados promissores, como taxas de melhora da dor variando entre 40% e 60% em alguns pacientes. A estimulação magnética transcraniana pode ser especialmente eficaz em pacientes com dor neuropática central, como, por exemplo, dor pós-AVC.

E temos também a eletroacupuntura, que combina acupuntura com estímulos elétricos para o alívio da dor e estimula também o brotamento dos nervos, ajudando na reabilitação da dor neuropática.

Temos as terapias não farmacológicas, como, por exemplo, Fisioterapia, exercícios, massagens, especialmente quando tem dor miofascial secundária e também tem os processos de dessensibilização que a Fisioterapia realiza. Há igualmente a Terapia Cognitivo-Comportamental, que ajuda o paciente a lidar com a dor e os impactos emocionais da dor.

Assim como os procedimentos intervencionistas ou os procedimentos invasivos, que são em casos mais graves, como também temos o bloqueio de nervos, realizado através de injeção de anestésicos locais e corticoides bem próximos ao nervo afetado.

Isso junta um anestésico como ropivacaína, lidocaína e algum corticoide como dexametasona, betametasona, que podem proporcionar um alívio significativo da dor neuropática em muitos pacientes. A taxa de melhora varia dependendo do tipo da dor neuropática, da localização do bloqueio e da técnica utilizada, mas estudos clínicos indicam que cerca de 50% a 80% dos pacientes experimentam uma redução da dor após o procedimento, ou seja, normalmente, tem uma taxa de eficácia muito boa.

Em alguns casos, o alívio da dor pode ser temporário, durando apenas semanas ou alguns meses, enquanto em outros casos, pode durar muito mais tempo, mais de anos.

Tem também a estimulação medular, um procedimento intervencionista, minimamente invasivo, que coloca através de uma agulha, um implante ou eletrodo na medula espinhal para modular os sinais de dor. Ele emite um sinal elétrico que modula a sinalização de dor que é enviada para a medula e para o cérebro. Essa terapia tem se mostrado eficaz em pacientes com dor neuropática refratária aos outros tratamentos, com taxa de sucesso variando entre 50% e 80%, em termos de alívio da dor.

Igualmente tem a toxina botulínica, conhecida como Botox, que tem se mostrado uma opção promissora no tratamento da dor neuropática. Estudos indicam que a aplicação local da toxina pode reduzir a intensidade da dor em 30% a 50% dos pacientes, especialmente, naqueles que têm alodinia, que têm uma alteração da sensibilidade, em que um toque normal gera dor.

Então, quando os pacientes têm aldoínia, a aplicação da toxina botulínica é especialmente benéfica no controle da dor neuropática.

São vários pacientes que eu atendo com dor neuropática, no entanto, tem um caso, por exemplo, que estou lembrando de um paciente com neuralgia pós-herpética ou neuralgia pós-zoster crônica que chegou aqui tomando pregabalina e lisador, ainda estava com muita dor.

Quando fiz o exame clínico, já não tinha mais nada, tinha tudo ido embora, mas tinha alodinia local; se tocava o local, a pessoa sentia choque, sentia muita dor. Além disso, tinha pontos-gatilho miofasciais (se você aperta o músculo, tem os pontos-gatilho, que são comuns de ter após dor neuropática).

E o tratamento eu realizei com amitriptilina, pregabalina, vitaminas para estimular o brotamento neural, lidocaína tópica, Cannabidiol tópico, eletroacupuntura para estimular o brotamento neural e também para melhorar a sinalização dos nervos, e Fisioterapia para os pontos-gatilho.

Só isso já resolveu geral a dor pós-herpética do paciente que já estava vindo de muitos e muitos meses, e estava insuportável. Fora que ainda tinha um arsenal imenso de coisas que poderiam ser feitas caso não fosse possível.

Conclusão: a Esperança Além da Dor

A dor neuropática pode ser um fardo pesado, mas não precisa ser uma sentença de sofrimento. Com o diagnóstico correto e um plano de tratamento individualizado, é possível controlar a dor e recuperar a qualidade de vida.

Se você se identificou com algum dos sintomas descritos aqui no conteúdo, não hesite em procurar ajuda de um médico da sua confiança, de um médico especialista em Dor. A dor neuropática é um desafio, mas com conhecimento, apoio e ferramentas corretas, pode trilhar o caminho ao success de alívio da dor e ter o bem-estar.

Escreva nos comentários o que achou deste tema, relate aqui se conhece o caso de alguma Dor Neuropática ou se você tem a dor neuropática. Conhece alguém que tem a dor neuropática? Compartilhe o link deste artigo com essa pessoa, porque pode estar ajudando-a ou se também sabe de pessoas que conhecem, são familiares, mande o link para elas.

E lembre, compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.

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