Cirurgia Para Estenose de Canal Lombar

Cirurgia Para Estenose de Canal Lombar


Cirurgia Para Estenose de Canal Lombar. Com uma boa reabilitação e uma cirurgia pouco invasiva, é possível ter os mesmos resultados, e até superiores, do que uma abordagem ampla com uma grande descompressão e artrodese.

E quem vai detalhar melhor essa possibilidade é o Dr. Victor Rossetto, médico neurocirurgião, especialista em Neurocirurgia Funcional, área responsável por tentar melhorar a função das pessoas, através do controle da dor, e dos pacientes diagnosticados com epilepsia e com distúrbios do movimento. E que, além disso, trabalha no Grupo de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo e na Clínica Regenerati.

Tratamento Cirúrgico da Estenose de Canal Vertebral

Primeiramente, é importante explicar que o canal vertebral é uma estrutura óssea ligamentar – ou seja, é composta por ossos e ligamentos – que envolve a medula e os nervos que dela derivam, que é uma cauda equina. E, normalmente, para funcionar adequadamente, esse canal tem um diâmetro maior do que 1 cm² e um espaço para que chegue o suprimento sanguíneo adequado a essas estruturas.

Já, na estenose de canal vertebral, essa estrutura apresenta um estreitamento. Ou seja, há uma diminuição do tamanho do canal vertebral a ponto de que o ligamento e as estruturas ósseas comprimam a medula e os nervos, e o paciente sinta os sintomas decorrentes dessa compressão.

No caso da estenose de canal lombar, os sintomas são: lombalgia; dormência e dor que vão das costas aos membros inferiores – normalmente, descem para as pernas pela parte posterior da coxa –, formigamento; queimação, que tem uma característica de claudicação.

A claudicação, por sua vez, é uma dor para andar. Então, o paciente anda, para e descansa. Quando a dor melhora, ele levanta e volta a andar. E com isso, fica nesse ciclo de parar e andar. Algumas vezes, por dor, os pacientes chegam até a sentar ou a deitar na rua quando não encontram nenhum lugar para descansar.

Isso ocorre porque um canal estreito faz com que os nervos estejam sob compressão no momento em que precisamos utilizá-los, ou seja, quando necessitamos de sangue para eles funcionarem adequadamente. Com isso, ao chegar no suprimento sanguíneo, vão dilatar os vasos daquela região.

Como não há espaço, o nervo não funcionará adequadamente e mandará um sinal de dor, em que o paciente vai interpretar como uma dor lombar que desce para a perna em forma de queimação.

Veja abaixo o infográfico que resume as características da Estenose do Canal Lombar:

Estenose de Canal Lombar

Formas de Tratamento

Neste caso, o tratamento é melhorar o tamanho desse canal vertebral ou fazer com que o nervo aprenda a trabalhar sob esse regime de pressão. E para isso, existem alguns truques para os pacientes. Um deles é que muitas pessoas andam inclinadas no carrinho de mercado, porque isso aumenta o tamanho do canal vertebral, o que proporciona um alívio para a dor delas.

Os pacientes também têm um quadro interessante de apresentar uma melhora ao andar de bicicleta – em que ficam em uma posição curvada – do que pra descer uma rampa – no qual é preciso esticar a coluna e acabarão tendo uma piora do quadro.

E nós treinamos cada um deles para aprenderem a trabalhar nesse regime na reabilitação. Por meio dela, algumas pessoas apresentam melhora e evitam o tratamento cirúrgico, que é o esperado para todo mundo: trabalhar possivelmente sem uma cirurgia.

Mas, em alguns casos, não há como. Apesar da medicação e da reabilitação, a pessoa tem uma qualidade de vida ruim: não consegue andar para fazer suas coisas e ao percorrer curtas distâncias, começa a ter dor. Então, nesses pacientes refratários – que não melhoram com medicação e nem com reabilitação –, temos a opção da cirurgia.

A cirurgia se renovou muito nos últimos anos, mais precisamente, a partir de 2016, em que houve uma mudança muito intensa. Até então, acreditava-se que era preciso fazer uma cirurgia extensa de descompressão da coluna lombar: retirar o canal vertebral – a parte posterior dele –, ossos e ligamentos para gerar espaço para que houvesse o fluxo sanguíneo adequado e o paciente não sentisse dor.

Só que isso era feito de uma maneira muito agressiva e com ampla retirada de ossos e ligamentos, o que acabava resultando em uma instabilidade da coluna – ela ficava sem suporte e, consequentemente, bamba – e em cifose, que é quando a pessoa curva para frente. Então, era realizada uma prevenção para isso, que é a colocação de parafusos e de uma haste ligando-os, a famosa artrodese.

Uma das vantagens é que com a artrodese era possível evitar a deformidade pós-cirúrgica: o paciente ficava com a coluna instável e curvava para frente. Porém, era uma cirurgia grande; tinha muita agressão ao corpo; maior tempo de internação e de recuperação; um risco aumentado de complicação cirúrgica, de perda sanguínea e de infecção; e, por fim, era uma abordagem cara. Precisava colocar mais material no paciente e ainda havia os riscos de ter uma imobilização de um segmento na coluna.

Se um pedaço da coluna está imobilizado, outro tem que fazer o trabalho dele. Com isso, há o risco de uma coisa chamada Doença do Nível Adjacente, em que desgasta mais rápido outro nível da coluna e acaba piorando a dor crônica.

Então, em 2016, um trabalho sueco publicado no The New England Journal of Medicine, mudou a visão da cirurgia para estenose de canal lombar. Basicamente, eles mostraram que com uma boa reabilitação e com uma cirurgia pouco invasiva, é possível ter os mesmos resultados, e até superiores, do que uma cirurgia ampla com grande descompressão e artrodese.

Com isso, não precisariam colocar pinos, nem haveria muita agressividade e teriam um corte pequeno, de 3 cm. Assim, seria possível fazer a descompressão adequada dos nervos que saem da cauda equina, que são os nervos que estão comprimidos na estenose de canal lombar.

Isso, porque provaram que caso a coluna não esteja instável no pré-operatório, se com o Raio-X – chamado de dinâmico, que faz com o corpo dobrado para frente, para trás e neutro –, a coluna não está escorregando, ela não tem tendência a ter deformidade pós-operatório.

E uma cirurgia que proporciona pouca lesão aos ligamentos e aos ossos, resulta em menor risco de deformidade, em melhor recuperação do paciente, não fixa nenhum segmento da coluna e nem corre o risco de ter a Doença do Nível Adjacente posteriormente.

Normalmente, é uma doença que acomete os idosos, então quanto menos agressão, melhor. Fora que um corte pequeno vai proporcionar menos dano muscular e menor risco de lombalgia no futuro.

Assim sendo, eles mostraram que uma descompressão entre as lâminas vertebrais pode resultar em uma descompressão tão adequada quanto a descompressão ampla e em uma menor agressão cirúrgica. Inclusive, esse trabalho foi muito debatido entre as escolas americana, que é mais agressiva, e europeia, que é mais conservadora.

E com um número significativo de pacientes, os suecos conseguiram demonstrar que uma cirurgia minimamente invasiva para uma estenose de canal lombar tem um resultado melhor ou superior do que uma cirurgia muito invasiva com instrumentação, mas desde que se tenha um bom manejo de medicação e uma boa reabilitação associada. Além do mais, é importante esclarecer que não trabalhamos sozinhos, nós precisamos de um time por trás.

Portanto, ocorreu uma mudança muito significativa de paradigma, que é: cirurgia de coluna precisa de parafuso ou de artrodese. Então, ela pode ser minimamente invasiva e ter bons resultados, fazendo com que muitos pacientes que tinham um risco proibitivo para as cirurgias amplas, possam ser operados e ter a oportunidade de tratamento.

Resumidamente, essa é a grande mudança que teve na cirurgia para estenose de canal vertebral. Então, se você gostou do artigo, dê um like e compartilhe com mais pessoas que podem estar precisando de ajuda e ainda não sabem disso.

Abaixo, assista ao nosso vídeo, para compreender melhor a estenose do canal lombar e seu tratamento cirúrgico:

Mais Informações sobre Cirurgia Para Estenose de Canal Lombar na Internet:

Sobre o Autor:
Victor Rossetto Barboza

CRM: 136.078
RQE:61.813-1

Neurocirurgião do Grupo de dor do HC-FMUSP e Leforte. Especialista em cirurgia da dor, cirurgia do Parkinson, cirurgia Epilepsia e dor Oncológica.









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