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Após um AVC alguns pacientes desenvolvem dores crônicas

Após um AVC alguns pacientes desenvolvem dores crônicas

Após um AVC alguns pacientes desenvolvem dores crônicas

Após um AVC alguns pacientes desenvolvem dores crônicas

Um em cada 10 pacientes que sofreu um acidente vascular cerebral, AVC, sofre de dor crônica e debilitante, tipicamente descrita como “uma dor afiada” ou “uma queimação”. O problema é denominado síndrome de dor central após acidente vascular cerebral (CPSP). Foi descrito pela primeira vez há mais de 100 anos. É tratável com medicamentos e estimulação magnética ou elétrica do cérebro. Mas os médicos hoje, muitas vezes, não conseguem diagnosticar corretamente a doença, segundo defende um artigo  publicado na revista Topics in Stroke Rehabilitation.

A CPSP é uma forma de dor neuropática causada por dano ou disfunção no sistema nervoso central. Normalmente começa dias ou semanas após um acidente vascular cerebral. Um estudo encontrou que 63% dos pacientes foram afetados dentro de um mês, 18% dentro de seis meses e os restantes, 18%, após seis meses.

“Os pacientes podem experimentar hiperalgesia (reação anormalmente dolorosa a um estímulo doloroso) ou alodinia (dor em resposta a um toque leve, contato com roupas ou lençóis, correntes de ar, etc.). A alodinia é relatada em dois terços dos pacientes com CPSP”, explica o neurocirurgião Victor Barboza.

A prevalência de CPSP entre pacientes com AVC é de 8%, mas pode variar de 1-12%. É uma dentre as várias dores pós-derrame,  que também incluem dor de cabeça e dor musculoesquelética, especialmente a dor relacionada ao movimento anormal do ombro.

“Há muitas causas para o aparecimento das dores pós-derrame e elas coexistem frequentemente em nossos pacientes. É crucial reconhecer a CPSP e diferenciá-la de dor musculoesquelética ou dor associada à espasticidade”, diz o médico.

Os tratamentos medicamentosos de primeira linha para a CPSP incluem amitriptilina (um antidepressivo) e gabapentinoides (anticonvulsivantes). O tratamento de segunda linha inclui opioides (como o tramadol) e outros anticonvulsivantes (como lamotrigina e carbamazepina). Se os medicamentos não funcionarem, uma terapia não invasiva chamada estimulação magnética transcraniana (TMS) deve ser considerada. A TMS envia pulsos curtos de campos magnéticos para o cérebro.

“Os pacientes que não respondem de forma satisfatória ao tratamento medicamentoso, porém que apresentam resposta ao TMS podem ser considerados candidatos ao tratamento cirúrgico definitivo. Os tratamentos envolvem a inserção de eletrodos na membrana que cobre o cérebro (estimulação do córtex motor) ou no próprio cérebro (estimulação cerebral profunda)”, explica o neurocirurgião.

A CPSP foi descrita pela primeira vez em uma revista médica em 1906. (Era então chamado de “síndrome talâmica”.) Mais de um século mais tarde, a CPSP ainda é frequentemente diagnosticada. A CPSP é tratável.  O reconhecimento da síndrome por si só pode ser tranquilizador para o paciente.

 

Por Dr Victor Barboza

Link Original: https://victorbarboza.com.br/apos-um-avc-alguns-pacientes-desenvolvem-dores-cronicas/

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