Alterações Cognitivas no Parkinson

Parkinson – Alterações Cognitivas no Parkinson

Se você quer saber sobre as **Alterações Cognitivas** que podem acontecer nos estágios iniciais da Doença de Parkinson, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia como um todo, vai abordar sobre isso.

Alterações Cognitivas no Parkinson em Estágios Iniciais

Neste conteúdo, vamos explicar sobre Alterações Cognitivas no Parkinson, especialmente nos Estágios Iniciais, que podem, não é obrigatório, ocorrer nos estágios iniciais da doença e é importante termos consciência delas para sabermos quando acontecem.

Parkinson x Alzheimer: Diferenças Fundamentais

É crucial entendermos que o Parkinson não é Alzheimer e existem diferenças muito significativas entre as duas doenças, que são completamente diferentes. E quais são as principais diferenças entre Parkinson e Alzheimer? Embora ambas doenças afetem o cérebro, se manifestam de maneiras muito distintas.

No Parkinson, as alterações motoras, como o tremor, a rigidez, a lentidão, são elementos definidores da doença. Enquanto no Alzheimer, problemas de memória são os primeiros e principais sinais. Então, o Parkinson é uma doença muito mais motora e o Alzheimer, este sim, é uma doença que afeta a questão da memória, do raciocínio e tudo mais da parte cognitiva.

Alterações Cognitivas Precoces no Parkinson: Exemplos Práticos

Quais são as alterações cognitivas que podem acontecer no Parkinson in estágios iniciais? No Parkinson, as alterações cognitivas podem surgir precocemente, mesmo antes, às vezes, dos sintomas motores se tornarem evidentes. Vamos entender um pouco mais sobre elas de uma maneira prática.

Processamento Visual

Processamento visual, por exemplo. A capacidade de processamento visual talvez seja a alteração cognitiva mais comum de ser acometida no paciente Parkinsoniano. E qual é o conceito? Ele tem dificuldades em interpretar informações visuais; enxerga normalmente, mas a interpretação, o processamento das informações visuais, às vezes, fica comprometido.

Vamos dar alguns exemplos para entender. O paciente parkinsoniano está em um salão muito grande, com o piso de uma cor muito homogênea, o lugar é muito profundo, ele fica com dificuldade de processar a profundidade do piso, às vezes, dá um passo que parece que está meio desengonçado ou dá uma sensação ruim, errada da questão de profundidade.

Outro exemplo, o paciente tem dificuldade de encontrar objetos dentro de uma gaveta ou um armário, mesmo que esteja à vista. Tem uma gaveta com vários objetos, está procurando tesoura, “está na cara dele”, ele olha e não vê, isso também é uma dificuldade de processamento visual que acontece no Parkinson.

Outra seria, por exemplo, ao dirigir ou estacionar um carro, ter uma dificuldade em estimar a distância do outro carro e interpretar os sinais de trânsito que são mais complexos.

Por exemplo, tem muita placa direcionando, tem três opções, o carro da frente está em ‘X’ distância ou não com o do lado, ou quando vai estacionar, aquele golpe de vista para fazer a baliza, ele tem mais dificuldade nessa interpretação de distâncias e interpretação de sinais, especialmente quando estão mais complexas as situações. O que podemos fazer?

A principal orientação, de início, é consultar um oftalmologista para descartar problemas visuais. Outro é também adaptar o ambiente com uma iluminação muito boa, porque quanto maior é a iluminação, maior a capacidade do paciente em distinguir as coisas. E até, em alguns casos, colocar piso que tenha contrastes, tipo, branco e preto, fazer uma alternação de cores, porque quanto mais forte é o contraste, mais ajuda o cérebro do paciente parkinsoniano.

Em alguns casos, se necessário, restringir a condução de veículos em lugares muito complexos e também colocar para utilizar aplicativo de GPS e mapas, porque ajuda o paciente a se guiar e não ter que depender tanto somente das placas e da sinalização das vias.

Por exemplo, o lugar que tem uma condução muito complexa, como uma Marginal ou nas vias que são mais rápidas, com muitas entradas, muitas saídas, tentar evitar essas regiões e tentar dirigir em lugares que são mais fáceis de navegar com o carro e ter um pouco de paciência com o carro que pode acabar dando umas “raladinhas” também.

Dificuldades de Atenção (Semelhantes às de TDAH)

Outro elemento que pode acontecer é dificuldade de atenção também vemos bastante e é muito semelhante a um paciente com TDAH. Qual é o conceito? Os problemas para manter o foco, a distração fácil, impulsividade, tudo isso é característica igual do TDAH, o paciente parkinsoniano pode desenvolver isso, a dificuldade do foco, distratibilidade, impulsividade, dificuldade em dar continuidade a algum projeto.

Por exemplo, o paciente perde o “fio da meada” em conversas e precisa pedir para repetir, dificuldade em cozinhar, pois se distrai com outros estímulos, esquece uma panela no fogo, sai para comprar pão, volta com outros itens e esquece o pão, é muito comum. Não significa que ele está ficando esquecido, tipo demente, significa que está ficando desatento.

Qual é o tratamento? Medicamentos para TDAH podem melhorar os sintomas de uma maneira muito importante, como, por exemplo, a Ritalina ou o Venvanse, e para isso você tem que conversar com seu médico neurologista, especialista em Distúrbios do Movimento, para tentar essa possibilidade de medicamentos estimulantes para tratar o déficit de atenção. E também Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar a desenvolver estratégias de atenção para o paciente.

Alterações na Função Executiva

Alterações na função executiva, o que é isso? A dificuldade em planejar, organizar e tomar decisões. A pessoa que tem dificuldade em planejar o cardápio da semana, de organizar uma lista de compras ou atrasar os pagamentos de contas por dificuldade de se organizar, em decidir o que vai vestir ou que presente vai comprar para um amigo, fica com dificuldade de organização, de execução e até de escolhas.

Para isso, às vezes, até o medicamento para TDAH ajuda, mas também ajuda muito Terapia Ocupacional a desenvolver habilidades de organização, planejamento e execução. A Terapia Ocupacional é extremamente útil para esse tipo de problema, fazer criação de listas e rotinas, uso de agendas e até mesmo aplicativos que acabam ajudando muito o paciente.

Essas dificuldades não são perda de memória, não é demência, são alguma alteração cognitiva.

Velocidade de Processamento Mental

Outra coisa que pode acontecer é a velocidade de processamento mental. O paciente está conseguindo fazer todo o raciocínio, tem o raciocínio lógico correto, não tem defasagem de inteligência, mas uma lentidão no pensamento e na realização de tarefas, igual o corpo fica mais lento, o pensamento pode ficar um pouco mais lento.

Por exemplo, demorar para responder perguntas simples como, ‘que dia é hoje?’ Então, ele raciocina, ‘ah, hoje é Quinta-Feira’, por exemplo. Sentir-se sobrecarregado com o ambiente com muitos estímulos como o supermercado ou shopping, em que tem que ficar processando muitas coisas ao mesmo tempo. Ou ter dificuldade em acompanhar o ritmo de uma conversa de grupo, em que um fala uma coisa, o outro fala, ele raciocina certinho, mas um pouco devagar.

O que pode ser feito? Uma coisa interessante é que essa lentidão, muitas vezes, tem uma melhora com a otimização dos medicamentos do próprio Parkinson. Otimiza a medicação dopaminérgica, a medicação própria do Parkinson, isso costuma também dar uma melhorada na velocidade e no raciocínio do paciente parkinsoniano, e fazer exercícios cognitivos, como palavras cruzadas, jogos de tabuleiro, várias orientações que o terapeuta ocupacional pode passar também.

É importante lembrar que esses sintomas podem acontecer e, normalmente, no início da patologia, o paciente tem um ou dois, quando muito, desses sintomas, não costuma ter uma gama grande de sintomas.

Ansiedade, Depressão e Sintomas Cognitivos

Temos que ressaltar que o Parkinson pode desencadear a ansiedade e depressão. Faz parte da definição da Doença de Parkinson também a presença da ansiedade muito fortemente e, muitas vezes, depressão,

E a ansiedade e depressão podem causar sintomas cognitivos, não significa que o paciente esteja demente, às vezes, está com alterações cognitivas, esquecimentos, ruim de memória, mas, muitas vezes, está depressivo / ansioso, e isso está afetando a capacidade cognitiva dele, como afeta de qualquer outra pessoa e não significa demência. O tratamento adequado da ansiedade e da depressão pode melhorar muito esses sintomas cognitivos associados à depressão ou à ansiedade.

Impacto no Dia a Dia

Geralmente, os pacientes apresentam apenas uma, duas formas dessas alterações cognitivas e, muitas vezes, não causam grande impacto no dia a dia da pessoa. É fundamental conversar com seu médico sobre qualquer dificuldade que esteja tendo para que possa te orientar e indicar o tratamento mais adequado.

As alterações cognitivas no Parkinson são comuns, isso não significa demência, mas podem ser gerenciadas com o tratamento adequado, com medicamentos e devidas orientações para cada coisa.

Conclusão

Se você ou alguém que conhece tem Parkinson, fique atento a esses sinais e procure ajuda especializada, um neurologista especialista em Distúrbios do Movimento, e que fique atento também aos sintomas cognitivos. Converse com ele sobre esses problemas, as possibilidades que descrevemos neste artigo e procure ter uma qualidade de vida melhor.

Se gostou do conteúdo e ficou intrigado com isso, escreva nos comentários se tem ou já teve algum deles, se conhece alguém que tem e o que acha desses Sintomas Cognitivos no Parkinson, especialmente no Início Precoce, conte sua história! E lembre, compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.

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