6 Mitos Sobre Dor Crônica
Se você quer saber sobre Mitos e verdades sobre a Dor, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai explicar sobre isso.
Mitos e Verdades Sobre a Dor
Neste artigo, vamos abordar sobre mitos e verdades sobre a dor, um tema muito importante porque tem muitas crenças a respeito da dor e temos que entender o que é verdade para a pessoa que luta para ter uma vida livre da dor e uma vida mais saudável.
Então, a dor é uma experiência universal, mas tem muitos mitos, equívocos, preconceitos acerca desse tema e um dos principais objetivos deste conteúdo é desmistificar crenças comuns e oferecer informações baseadas em evidências científicas para que você possa tomar decisões informadas sobre sua saúde.
Mito 1: a Dor é Inevitável com a Idade
Muita gente acredita que, com o passar do tempo, com a idade, vai vir a dor e isso é algo certo, obrigatório com a idade, tipo, vem a idade, a pessoa envelhece e velho tem que ter dor mesmo.
A dor não é uma consequência natural do envelhecimento. Embora algumas condições dolorosas sejam mais comuns em pessoas mais velhas, ela não deve ser ignorada ou aceita como parte do processo de envelhecimento.
Por exemplo, pessoas mais velhas podem sentir dor devido a condições como artrite, artrose, neuropatia diabética ou outras doenças degenerativas, essas condições podem ser tratadas e gerenciadas, ou seja, não é porque é comum, que é obrigatório a pessoa ter a dor, aceitar e não fazer nada.
Se você está sentindo uma dor, não importa a sua idade, procure ajuda médica; existem diversas opções de tratamentos disponíveis para aliviar a dor.
Mito 2: a Dor é Sinal de Fraqueza
Como os meus pacientes sofrem com esse preconceito e o pior é que eles têm preconceito contra si, de ficar sentindo que são fracos, porque estão sentindo dor, e os outros ao redor os julgam também, achando que são fracos por terem dor.
A dor é um sinal de alerta do corpo, indicando que algo não está bem. Sentir dor não é sinal de fraqueza, mas, sim, um mecanismo de proteção que nos ajuda a identificar e tratar problemas de saúde. Ignorar a dor pode levar a complicações e piorar condições subjacentes.
É importante procurar ajuda médica para identificar a causa da dor e receber o tratamento adequado. Não tenha medo ou vergonha de admitir que está com dor, buscar ajuda médica é um ato de coragem e cuidado com a sua própria saúde.
Mito 3: a Dor só Pode Ser Tratada com Medicamentos
Embora os medicamentos possam ser úteis no controle da dor, existem diversas outras opções de tratamento disponíveis, como Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Acupuntura, massagem terapêutica, técnicas de relaxamento, mudança de estilo de vida, estimulação magnética transcraniana… são muitas terapêuticas que não são apenas medicamentos.
Por exemplo, a Fisioterapia pode ajudar a fortalecer os músculos, soltar os pontos-gatilho, dessensibilizar neuropatias, melhorar a flexibilidade e, assim, reduzir a dor e também prevenir novas dores; ela pode tanto reduzir quanto ajudar a prevenir a dor.
A Terapia Ocupacional pode ensinar técnicas para realizar atividades diárias com menos dor. Acupuntura e a massagem terapêutica tendem a aliviar a dor. A estimulação magnética transcraniana atua já diretamente no cérebro para inibir a dor onde é processada.
O que tem que lembrar? O tratamento da dor é individualizado e pode envolver uma combinação de diferentes abordagens. Converse com seu médico sobre as opções de tratamento disponíveis e qual é a melhor solução para o seu caso, ou as melhores soluções.
Mito 4: a Dor Crônica é Apenas Psicológica
Nossa, mas isso ‘pega’ para os coitados dos pacientes. A dor crônica é uma condição complexa, de múltiplas causas, incluindo fatores biológicos, psicológicos e sociais. Embora fatores psicológicos possam influenciar na percepção e intensidade da dor, a dor crônica não é apenas uma coisa da cabeça.
Isso fica muito difícil para quem não tem dor crônica entender como outra pessoa está tendo dor por tanto tempo. A pessoa fala, “eu tenho dor de cabeça, tomo uma Neosaldina, depois passa, no outro dia ou quando muito tenho a dor em um dia, no outro, no terceiro, já vai diminuindo, no quarto já não tem mais nada”.
As outras que não têm dores crônicas têm muita dificuldade de entender como ela está com dor por um mês, dois, três meses, um ano, dois, cinco anos, porque começam a achar que está fingindo dor, fazendo aquilo para ter dó dela ou outras coisas do tipo, e isso acaba deixando os coitados dos pacientes com muita vergonha da própria dor, se sentindo muito isolados.
Por exemplo, estudos mostram que a dor crônica pode causar alterações no sistema nervoso, tornando-a mais sensível aos estímulos dolorosos. Isso é a sensibilização central. Em quem tem dor crônica, o cérebro já começa a funcionar diferente, fica bom para perceber dor.
O cérebro é bom naquilo que faz todo dia. Se ele sente dor todo dia, vai ficando bom em quê? Em sentir dor e isso vai desenvolvendo a chamada sensibilização central. Além disso, a dor crônica pode levar a problemas de saúde mental também, como depressão e ansiedade, que podem piorar a dor.
Se você sofre de dor crônica, é importante procurar ajuda médica para receber um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado, que aborde aspectos físicos e psicológicos da dor.
Mito 5: a Cirurgia é a Única Solução para a Dor Crônica
Esse é muito comum porque os pacientes falam, “é tanta dor que só vai resolver com cirurgia, doutor”. Isso eu vejo muito, porque eles têm uma crença de que a cirurgia é o fator decisivo para resolver a dor, isso é muito comum.
A cirurgia pode ser uma opção em alguns casos de dor crônica, especialmente quando há uma causa específica e tratável como uma hérnia de disco comprimindo uma raíz, uma medula ou um tumor.
No entanto, ela nem sempre é a melhor ou a única opção. Em muitos casos, a dor crônica pode ser gerenciada com sucesso por meio de tratamentos não cirúrgicos, como medicamentos, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Acupuntura, massagens, etc.
Até mesmo pacientes que têm uma hérnia, se ela não ganha critérios de cirurgia, que seriam perda de força e função neurológica, e/ou refratariedade ao tratamento clínico, muitas vezes, não tem que ser operada.
Estamos dando exemplo da hérnia, mas tem muitos outros tipos de situações as quais facilmente o paciente já tem ofertado logo de cara a cirurgia, sendo que também existem opções de tratamento não medicamentosos.
É importante lembrar que antes de considerar uma cirurgia, deve discutir todas as opções de tratamento com o seu médico e, muitas vezes, até mesmo pedir uma segunda opinião de algum médico clínico, algum que não seja cirurgião, e pesar os riscos e benefícios de cada abordagem.
Mito 6: a Dor é Algo que Você Tem que Aprender a Conviver
Esse mito é interessante, porque tem parte verdade e parte que é falsa. Aprender a conviver com a dor tem dois significados.
Primeiramente, a pessoa não pode ficar passiva frente à dor e, sim, buscar tratamentos e soluções para ela. Não aprender a conviver com a dor não pode ser visto como uma desculpa para não buscar a dor. Ela fala assim “ah, tenho que aprender a conviver com a dor” e ficar em uma postura passiva, isso é um mito, porque tem que ter uma postura ativa, sim, de buscar tratamento para sua dor.
Só que tem outro significado também para o ‘aprender a conviver com a dor’ que é, por outro lado, o paciente também tem que aprender a lidar psicologicamente com a dor, não criar catástrofes, porque pode criar uma catástrofe psicológica, mental com a presença da dor ou com cada crise de dor, ela não se desesperar, não entrar em pânico, tem que aprender a ter um convívio com a dor, de saber que ela está lá, mas vai ser tratada. E esse é o aprender a conviver com a dor na forma positiva.
Então, com o tratamento adequado, muitas pessoas com dor crônica conseguem reduzir significativamente a intensidade e frequência da dor, e retomar suas atividades normais, por mais que o processo seja relativamente lento e ainda haja dor no processo da reabilitação.
Não aceite a dor como um fardo inevitável, procure ajuda médica, explore as opções de tratamento disponíveis para você e aprenda a lidar com a dor da maneira mais positiva possível enquanto está no processo de reabilitação da mesma.
Conclusão
Queremos reforçar quão importante é procurar ajuda médica. Se você está sentindo dor, não hesite em procurar ajuda médica. Existem diversas opções de tratamento disponíveis para aliviar a dor e melhorar sua qualidade de vida.
Lembrem-se, se tem dor crônica ou conhece alguém que tenha, compartilhe o link deste artigo com essa pessoa, porque pode estar ajudando-a a abrir a mente para que consiga se ver e ver a dor de outra maneira.
Escreva nos comentários o que acha desses mitos. Você já teve algum pensamento sobre esses mitos? Já chegou ou chega a se ver com alguma dessas crenças? E se gostou do conteúdo, compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.
