Alterações Intestinais e Gástricas no Paciente Parkinsoniano

Parkinson – como Tratar o Intestino Preso na Doença de Parkinson

Se você quer saber sobre as Alterações Intestinais e Gástricas no Paciente Parkinsoniano, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende do Carmo, médico neurologista e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai explicar sobre isso.

Alterações Intestinais e Gástricas no Paciente Parkinsoniano

As alterações intestinais no paciente parkinsoniano, tanto as intestinais quanto gástricas, que são complicações mais comuns do que imaginamos, podem impactar significativamente a qualidade de vida do paciente por conta desses problemas que não podem ser colocados de lado. Mas não se preocupe, existem soluções para esses problemas.

Gastroparesia e o “Delayed On”da Levodopa

A gastroparesia, ou seja, o esvaziamento gástrico lento, o tubo digestivo inteiro do paciente parkinsoniano fica lento, (igual o paciente parkinsoniano fica lento, o tubo digestivo fica lento), incluindo o estômago e tudo que cai ali, em vez dele movimentar rápido para poder passar logo o conteúdo para o intestino, ele vai muito lento, devagarinho.
Às vezes, a coisa fica muito tempo lá, tanto alimento quanto medicamentos, e o esvaziamento gástrico lento é uma queixa frequente em pacientes parkinsonianos.
Ela pode causar náuseas, vômitos, eructações (a pessoa pode ficar arrotando facilmente), sensação de estômago cheio (tipo, ela tomou café da manhã, chega no almoço, ainda está de estômago cheio, sentindo e arrotando o café da manhã, por exemplo).
O mais importante: atrasa a absorção da levodopa e isso é tão verdade que já tem vários elementos mostrando, de tipo, o paciente que tomou a levodopa de noite e foi de manhã cedo em jejum fazer uma endoscopia, chegando lá, está no estômago a levodopa da noite anterior que ele tomou e o estômago não conseguiu ainda levar para frente.
Isso atrasa a absorção da levodopa e o início do efeito do medicamento, que é o principal medicamento para o controle dos sintomas motores do paciente parkinsoniano, e esse atraso, no início do efeito, é conhecido como “delayed on”.

Estudos demonstram que a gastroparesia afeta de 30% a 50% dos pacientes parkinsonianos, especialmente nos estágios mais avançados da doença. A boa notícia é que o tratamento com a domperidona, um medicamento pró-cinético, pode ser eficaz em acelerar o esvaziamento gástrico e melhorar a absorção da levodopa.

Constipação e Fatores Agravantes

Vamos primeiro abordar sobre os fatores agravantes. A constipação intestinal é outro problema comum no Parkinson, afetando cerca de 60% a 80% dos pacientes, muitas vezes, pode vir até antes de manifestarem-se os sintomas motores da doença. Então, a constipação é um sintoma do Parkinson, a própria doença causa a constipação, e afeta uma parcela muito grande dos pacientes parkinsonianos.
Além disso, da própria doença, tem alguns outros fatores que podem contribuir para piorar a constipação do paciente parkinsoniano, como:

  • Ingesta reduzida de líquidos: a desidratação resseca as fezes e dificulta sua passagem;
  • Dieta pobre em fibras: as fibras aumentam o volume das fezes e estimulam o intestino;
  • Sedentarismo: a falta de atividade física piora a função intestinal;
  • Medicamentos: alguns medicamentos para o Parkinson e outras condições podem causar constipação e o paciente piorar o quadro dele.

Tratamentos Naturais para a Constipação

Temos tratamentos naturais para constipação e tratamentos medicamentosos. Vamos destacar vários tratamentos naturais para que você possa já usar tranquilamente e, depois, se for necessário, converse com seu médico sobre tratamentos medicamentosos.
Felizmente, existem diversas abordagens naturais que podem auxiliar no combate à constipação.
Por exemplo, a hidratação, obviamente. Basta que uma pessoa beba ao longo do dia cerca de dois litros de líquido, como chá, água, água de coco, sucos naturais, tudo isso conta também.
Exercícios físicos, caminhadas, no mínimo, ioga, pilates, corrida, academia e outras atividades físicas que a pessoa goste de fazer (e faça) fazem diferença. E atividade física para o paciente parkinsoniano é, assim, fundamental.
Dieta rica em fibras. Inclua frutas como ameixas, mamão, peras; verduras como brócolis, espinafre; legumes como abobrinha, chuchu; grãos integrais como arroz integral, quinoa, grão de bico; leguminosas como feijão e lentilha, semente de linhaça, chia, tudo isso faz muita diferença, aveia também.
A presença de alimentos mais ricos em fibras e naturais, além de melhorar a função intestinal, é melhor para a saúde como um todo do paciente. Então, não fuja dos legumes, não fuja das frutas, saiba escolher aquelas que tenham a preferência maior para função intestinal. E tem componente individual, têm pessoas que respondem melhor a um do que a outro.
O Psyllium vem da casca de uma árvore e é um elemento natural que faz um efeito no intestino muito bom: ele absorve o líquido. Tipicamente, você pega o psyllium e o dissolve na água; aquela água que está cheia de psyllium vai ser carreada durante todo o processo digestivo e ele vai fazer o aumento da hidratação das fezes.
Isso vai facilitar o trânsito intestinal, além dele contar também como fibra, mas igualmente tem o elemento muito importante de não deixar que as fezes fiquem desidratadas.
O magnésio, vem desde aquele leite de magnésio, que o pessoal usava antigamente para soltar o intestino de criança, ‘não sei o que’, todo mundo já usou um leite de magnésio.
E tem também o famoso sal amargo, que é ‘baratinho que só’ e consegue ir dosando para ver como pode por a quantidade de magnésio ideal para você.
O óleo mineral você vai usar com moderação, pois o excesso dele pode atrapalhar a absorção de algumas vitaminas e, às vezes, dá até um pouco de diarreia, mas ele também lubrifica as fezes e facilita o trânsito intestinal.
Igualmente temos o humectol, que pode ser na forma Muvinlax, PEG-Lax, ‘não sei o que’ “lax”, tem vários produtos que tem o humectol, um ‘pozinho’ que dissolve na água, também mantém a hidratação das fezes e funciona muito bem, você pode usar de uma, duas até três vezes por dia, a depender do tanto que está constipado.

E pode usar mais do que um elemento combinado desses. A pessoa pode também somar o humectol com o Psyllium e o óleo mineral, ou somente, às vezes, as fibras e a hidratação já são suficientes, isso depende do quão grave é a constipação do paciente para saber o tanto de ferramentas que vão ser utilizadas.

Alternância Entre Constipação e Diarreia

Igualmente acontece no paciente parkinsoniano a alternância entre constipação e diarreia. Alguns pacientes com Parkinson podem experimentar uma alternância entre constipação e diarreia, o que pode ser bastante desconfortável e preocupante. Essa flutuação tende a estar relacionada a diversos fatores, como, por exemplo, a gastroparesia, o esvaziamento gástrico irregular pode levar a episódios de diarreia após período de constipação.
Assim como tem a disbiose intestinal, em que o desequilíbrio da flora intestinal pode causar tanto a constipação quanto a diarreia. Nesses casos, os probióticos tendem a ser muito interessantes, especialmente os com dez cepas ou mais. E é fácil, você digita ‘probiótico dez cepas’ no Google, vai aparecer uma gama de opções para poder escolher.
Tem a questão de sensibilidade alimentar, uma vez que alguns alimentos são capazes de comumente desencadear diarreia em pacientes parkinsonianos. Por exemplo, elementos derivados do leite ou leite propriamente dito, ou outros alimentos que fermentem muito, por exemplo.
E também certos medicamentos podem ter efeitos colaterais gastrointestinais, incluindo a diarreia, e isso tem que ser verificado com seu médico também.

Se você sofre com essa alternância, é fundamental buscar o neurologista que cuida disso.

Pode buscar o ‘gastro’ também, mas o neurologista que trabalha com Parkinson tem que saber investigar as causas e encontrar o tratamento adequado. E, muitas vezes, se não resolveu isso com as medidas normais que o ‘neuro’ faz, busque a ajuda de um ‘gastro’ ou coloproctologista para ajustar a frequência intestinal.

Atenção aos Laxantes Irritativos

Precisamos alertar também sobre os laxantes irritativos, que são muito utilizados, porque são de fácil acesso, a maior parte deles é natural e as pessoas acabam usando, assim, muito indiscriminadamente.
Tem o problema do efeito do uso prolongado deles, porque vão irritando o tubo digestivo e isso vai levar a problemas de inflamação no próprio tubo digestivo. Laxantes irritativos não podem ser de uso prolongado, como, por exemplo, o sene 46, que é tido como um medicamento homeopático que não dá nada.
A própria cáscara sagrada, o sene, o ruibarbo, bisacodil, picossulfato de sódio, tamarine, todos esses são laxativos irritativos e podem causar dependência, irritação intestinal e até desequilíbrio eletrolítico. Então, eles todos não devem ser utilizados cronicamente, porque a constipação do paciente parkinsoniano é crônica.

Domperidona para a Constipação

Agora, tem um medicamento que, normalmente, pode ser utilizado e é muito bem tolerado, como, por exemplo, a domperidona. Em alguns casos, ela pode ser uma opção para tratar a constipação, que além de melhorar a mobilidade gástrica do tubo digestivo, melhora a mobilidade do próprio intestino também. Então, ajuda tanto no estômago quanto no intestino. E, de maneira geral, ela é segura e não atrapalha os sintomas parkinsonianos.

Conclusão

Para concluir, as Alterações Intestinais e Gástricas são desafios enfrentados por muitos pacientes com a Doença de Parkinson, mas com o tratamento adequado e a adoção de hábitos saudáveis, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida.
Lembre-se de consultar seu neurologista especialista em Parkinson para obter um plano de tratamento individualizado para você.
E se gostou do conteúdo, escreva nos comentários se já teve algum problema de constipação, o que colocou de alimento, de fibra, o que fez para solucionar seu problema ou se não foi solucionado, o que achou dessas dicas que foram dadas aqui?
Se conhece alguém que tem Parkinson e problema de constipação, envie o link deste artigo para essa pessoa, porque você pode estar ajudando-a a ter uma solução para o problema dela. E também lembre-se: compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.

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