Constipação na Doença de Parkinson

Doença de Parkinson – Constipação Intestinal na Doença de Parkinson


Se você quer saber sobre a Constipação na Doença de Parkinson, o intestino preso, que é tão comum nessa doença, fique até o final deste artigo que o Dr. Felipe Borelli Del Guerra, neurologista da Clínica Regenerati, formado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, especialista em Doenças Cerebrovasculares, vai abordar sobre o tema.

Definição de Constipação Intestinal

E hoje, vamos estar explicando para vocês um tema muito importante que é a constipação na Doença de Parkinson. Então, o que é constipação intestinal? É também conhecida pela obstipação intestinal, mas, mais popularmente, chamamos de intestino preso ou prisão de ventre.

E o que é exatamente isso? Como eu sei que posso ter? Isso é caracterizado quando temos uma dificuldade constante ou eventual na eliminação das fezes. Pelo menos, você tem menos do que três evacuações por semana ou alteração de fezes ressecadas, uma sensação de evacuação incompleta.

E isso por um período de três a seis meses pelo menos. Se é só uma vez, eventual, uma semana que você passa com o intestino mais preso, não chamamos isso de constipação intestinal, como sintoma definido.

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Ela é um sintoma e não é uma doença específica; isso é mais importante de saber: constipação é um sintoma, tem várias doenças que causam constipação. E hoje, neste conteúdo, vamos estar destrinchando a constipação na Doença de Parkinson especificamente.

Constipação na Doença de Parkinson

Na Doença de Parkinson, esse sintoma, a constipação, é decorrente de um comprometimento autonômico, que falamos de disautonomia, que ocorre lesão de neurônios que acabam fazendo o ritmo de marca-passo do intestino ou participam desse ritmo de marca-passo do intestino.

Por isso, a pessoa vai ter um intestino preso. Ela não tem, igual as pessoas normais, esse mesmo ritmo de marca-passo no intestino, que vai fazer com que ele seja mais trabalhado, tenha mais contrações do peristaltismo habitual, os movimentos habituais do intestino.

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E essa constipação, em específico na Doença de Parkinson, pode estar precedendo os sintomas motores da doença que seriam a lentidão, a rigidez e o tremor, em vários anos antes de surgirem esses sintomas.

E é um sintoma que vai se tornando cada vez mais importante com o evoluir da doença, principalmente, após cinco, 15 anos da Doença de Parkinson, que é quando esses sintomas, falamos de não motores, em especial a constipação, acabam tendo um destaque.

Assim, o paciente que tem a Doença de Parkinson e está constipado, tem maior dificuldade de absorção das medicações e acaba tendo muita dificuldade no controle dos seus sintomas motores, justamente porque essas medicações, embora, às vezes, estejam em dose adequada, otimizada, não vão chegar na corrente sanguínea, porque a absorção é dificultada pelo intestino lento, que também vai prejudicar a absorção do estômago.

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Então, esse sintoma tem que estar sempre manejado corretamente, porque senão vamos estar prejudicando o tratamento dos sintomas motores, que é o que vai dar mais qualidade de vida para você que tem Doença de Parkinson.

Logo, intestino preso não pode ficar na Doença de Parkinson, tem que estar sempre corrigindo, tem que ter o intestino de preferência regular para ajudar no seu tratamento.

Dicas para Melhorar da Constipação Intestinal?

E como é que vamos conseguir fazer isso? O manejo do intestino preso, da constipação, acaba que é semelhante em pessoas que têm Parkinson e sem Doença de Parkinson.

Usamos as mesmas medidas, em especial, eventualmente, algumas coisas vão ser mais eficazes para quem tem Parkinson e vamos estar comentando isso mais para frente no artigo.

Medidas Não-Farmacológicas

Então, as medidas não-farmacológicas são o primeiro passo. Elas são essenciais para o tratamento, sem elas não vamos conseguir melhorar o intestino preso.

Basicamente, são algumas delas: temos que ter uma ingesta hídrica, tomar bastante líquido, isso vai ajudar a hidratar o bolo fecal, reduzir o ressecamento dele – não tem uma quantidade, mas as sociedades da literatura, as sociedades médicas, sempre falam que você tem que ter o consumo hídrico no mínimo de dois litros por dia e para quem tem intestino preso, isso vai ser necessário ser um pouquinho mais, cerca de três a quatro litros por dia.

Mas, isso pode variar conforme cada um, então o dia a dia, se a pessoa tem mais atividade física, maiores perdas hídricas; se exercita menos, fica mais parada, talvez não seja necessário um consumo tão elevado de litros. Então, varia de cada pessoa a cada pessoa, por isso é importante sempre conversar com o seu médico.

Outra coisa que é necessária fazer: o consumo das fibras vegetais. Isso é cerca de 20 a 30 gramas por dia de fibras vegetais. E no início desse ajuste, para quem não tenha esse consumo, pode haver um pouco de cólica ou flatulência – é uma coisa esperada, não precisa ficar preocupado com isso.

E é importante, especialmente quem tem a Doença de Parkinson, evitar refeições grandes e com excesso de gordura, pois vão prejudicar o intestino e também a absorção das medicações que ajudam no controle do Parkinson, principalmente da levodopa. Pois as refeições muito grandes e pesadas retardam o esvaziamento gástrico e dificultam a absorção dessa medicação.

A prática de atividade regular de atividade física ajuda nos movimentos intestinais e é essencial para o controle da Doença de Parkinson, seja para reabilitação do equilíbrio, da força no tronco… Então, isso é muito importante de se estar sendo feito, seja pilates, o Tai Chi, o ioga, pelo menos uma caminhada; tem que ter atividade física regular para ajudar no ritmo do controle do intestino.

Então, você que está lendo o artigo, escreva nos comentários o que está achando, se está gostando, conte a história sobre o seu problema de intestino preso e vamos discutir esse tema.

Outra coisa que é muito importante sempre, que eu falo para os meus pacientes, tenham Doença de Parkinson ou não, é que têm que ter um horário para ir ao banheiro; por que, o que acontece?

Você vai educar o seu intestino que tem um horário, que especialmente naquele horário ele vai estar mais apto a tentar fazer a evacuação. Geralmente, o melhor horário acaba sendo pelo período da manhã, pois logo após acordar, nosso intestino está mais acelerado, ou logo após uma refeição, principalmente o café da manhã.

Porque depois da refeição, temos um reflexo fisiológico, que é natural do nosso corpo: quando a comida bate no estômago, o cólon tende a contrair, o que aumenta a chance da pessoa conseguir evacuar.

E esse horário para o toilette, a pessoa deve ir mesmo que não tenha vontade, então se marcou 8h da manhã esse horário no dia a dia dela, logo após ter acordado, logo após o café dela da manhã, seja uma refeição ou só o café, ela vai tentar sentar no vaso sanitário e ficar esperando de cinco a dez minutos, ver se consegue evacuar.

Não necessariamente precisa ficar fazendo força; você vai sentar e criar um hábito para o seu cólon. Ele vai entender que aquele é o momento do dia que você vai estar apto a tentar fazer o cocô. Então, isso é muito importante, esse horário é essencial para poder tratar a constipação.

É muito importante também fazermos, às vezes o médico estar buscando junto com o paciente, ajuste ou troca de medicações que podem estar prejudicando o intestino ou aumentando a constipação.

Geralmente, as principais são drogas anticolinérgicas, principalmente são algumas drogas antidepressivas, remédios para dor, do tipo opioides, ou outras medicações, que podem estar contribuindo para o intestino preso.

As drogas utilizadas no tratamento da Doença de Parkinson raramente costumam prejudicar esses sintomas da constipação. A levodopa, que seria o principal remédio que usamos para tratar o Parkinson, costuma dar mais náuseas no início, mas não prejudica a questão do intestino para levar à constipação.

E tem uma das medicações do arsenal terapêutico que é o biperideno, que usamos em alguns casos só de Parkinson que, principalmente na pessoa que tem tremor e é jovem, pode trazer constipação. Mas as outras raramente vão ter esse problema como efeito colateral.

Medidas Farmacológicas

Vamos abordar um pouquinho agora da parte farmacológica: tentamos o arsenal não-farmacológico, o paciente realmente está fazendo atividade física, melhorou a dieta, está fazendo o horário do banheiro, mas mesmo assim está tendo muita dificuldade para fazer o cocô, vai menos do que três vezes na semana. Então, podemos sim lançar mão de algumas medidas farmacológicas.

Temos uma ordem de preferência, vamos tentar coisas, vamos dizer assim, mais naturais antes de usar medicamentos propriamente ditos para ajudar no seu hábito intestinal.

Então, vamos usar a primeira linha: são os laxativos formadores de bolo fecal, como metilcelulose, psyllium, Benefiber. Esses, vocês devem encontrar na farmácia, porque podem ser comprados até sem receituário médico, mas sempre importante que tenha uma orientação médica.

E qual é a ação deles? Eles vão aumentar a absorção de água pelo bolo fecal, facilitando sua eliminação. Você vai tomar, geralmente, após as refeições, com um copo generoso de água, algumas vezes ao dia. Costumam ajudar bastante no início e podem ser a única medida farmacológica a se tomar.

Caso não funcionem, vamos lançar mão de outras medicações. A segunda linha seriam os laxativos osmóticos, que são substâncias que vão puxar água para o bolo fecal. Diferenciam um pouquinho dos anteriores que explicamos, porque eles são fibras naturais ou sintéticas, esses já são medicamentos mesmo que vão estar puxando a água.

Os mais clássicos são a lactulose e o PEG, que é o polietilenoglicol. O PEG é uma substância que é um pozinho, diluído em água, e parece, em especial, mais eficaz para os pacientes que têm Doença de Parkinson para o auxílio na constipação.

É importante saber que a lactulose e o PEG, no início, também podem dar cólica, flatulência, em especial a lactulose.

Tendo feito isso e não tendo obtido eficácia na melhora do controle desse sintoma, podemos lançar mão de laxativos estimulantes, como o Senna e o Bisacodil, que são substâncias que estimulam, propriamente dito, a motilidade do cólon.

Eles não devem ser usados por períodos prolongados, pois após a sua retirada, podem deixar o cólon um pouco preguiçoso e piorar a constipação de maneira paradoxal.

E também não sabemos a segurança do uso prolongado dessas medicações, então o ideal é que se use por um curto período de tempo. O Bisacodil, talvez algumas pessoas já tenham ouvido falar, é a mesma medicação que se usa no preparo de colonoscopia.

Também temos algumas outras medicações: em especial, os probióticos vêm sendo estudados na constipação da Doença de Parkinson e aparentemente têm tido uma eficácia em melhorar esse tipo de sintoma nos pacientes. Dentro dos probióticos tem o próprio leite fermentado, que contém probiótico, ou cápsulas com os probióticos.

Os enemas, supositórios, que vendem facilmente na farmácia, muitas pessoas acabam fazendo uso indiscriminado; eles não devem ser usados de rotina, sem orientação médica e só devem ser usados após muitos dias de intestino preso, em que não teve melhoras com outras medidas, para prevenir a formação do fecaloma, que são aquelas fezes duras, impactadas, que têm dificuldade de sair.

E essa, inclusive, às vezes, tem que ser retirada manualmente. E devem ser usados com muita cautela, pois podem ter efeitos colaterais, podem levar a desidratação e outros problemas mais.

E tem uma última medicação, que eu particularmente não tenho muita experiência, nunca precisei prescrevê-la, mas a nossa literatura médica a deixa como uma alternativa, que chama Lubiprostona.

É uma droga que ativa, especialmente, canais de cloreto intestinal e esses canais de cloreto vão aumentar a secreção de cloro e água na luz do intestino, melhorando também a hidratação do bolo fecal, facilitando que seja expelido.
E essa é uma droga que só usamos em casos severos de constipação, quando outras medidas falharam, por conta dos efeitos colaterais que tem.

Assista ao vídeo e saiba mais:

Conclusão

Assim, pessoal, achamos que fizemos um conteúdo bem completo sobre esse sintoma: ele deve ser manejado com auxílio do médico e é essencial que seja manejado para sua saúde, tanto no tratamento do Parkinson também.

Então, espero que vocês tenham gostado. E lembrem-se das pessoas que possam se interessar por esse tema e compartilhem o link do artigo com elas. Curtam o artigo também.

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Sobre o Autor:
Felipe Borelli Del Guerra

CRM: 185.538

Neurologista Clínico do HCFMUSP e Hospital Santa Paula. Especialista em doenças cérebrovasculares.








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