Uso de Antidepressivos Vicia? – Neurologista Explica
Antidepressivos Viciam? Se você quiser saber essa resposta e entender sobre o Vício e se Antidepressivo Vicia ou não, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai abordar sobre isso.
Antidepressivos Viciam?
Conceito de Vício ou Dependência
Primeiramente, qual é o conceito de vício ou dependência? A definição de vício ou dependência química vem com as seguintes características: tem que ter tolerância (precisa de doses cada vez maiores para ter o mesmo efeito); abstinência (significa que se faltar a substância, o paciente tem sintomas contrários ao efeito da substância, além disso, vários sintomas físicos como vômitos, dores, mal-estar extremo) e, terceiro, comportamento de busca (assim que se vê sem a substância, inicia um comportamento de busca pela substância de maneira obsessiva e compulsiva).
Para definir que a pessoa tem vício ou dependência, tem que ter tolerância, abstinência e comportamento de busca.
Substâncias como cocaína, álcool, nicotina, açúcar, benzodiazepínicos, como clonazepam, todos esses provocam mudanças químicas no cérebro que causam a clínica de dependência química.
Se passa de um nível de quantidade e frequência de uso, essa substância acaba necessitando de doses cada vez maiores. Tem abstinência quando fica sem e faz comportamento de busca pela substância.
Até alguns pesquisadores afirmam que o processo da paixão causa as mesmas alterações químicas relacionadas ao vício. A pessoa precisa de doses cada vez maiores da outra, ela tem abstinência caso fique sem a pessoa e tem comportamento de busca caso fique sem a pessoa pela qual é apaixonada. Então, lidamos com várias coisas passíveis de dependência no nosso dia a dia.
E só para refrisar: o clonazepam, o Rivotril, não é um antidepressivo. Os medicamentos benzodiazepínicos são os de receita azul, eles não são antidepressivos.
Antidepressivos e Vício
O antidepressivo é utilizado para diversos fins, como para tratamento de depressão, ansiedade, dores, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, várias outras finalidades. Ele, normalmente, funciona aumentando a quantidade de serotonina na fenda sináptica e outros neurotransmissores também como a noradrenalina, a dopamina e assim por diante.
Já é consenso na comunidade científica que o antidepressivo não causa dependência química. O paciente pode continuar tomando a mesma dose do antidepressivo por meses ou anos a fio sem que haja necessidade de constantemente aumentar a dose.
Se é retirado o medicamento de forma correta, o paciente não tem sintomas de abstinência e, em muitos tipos de antidepressivo, até mesmo em uma retirada abrupta, também não causa nenhum sintoma.
E o mais importante, quando se para o antidepressivo, mesmo de forma abrupta, nunca há comportamento de busca pela substância. A pessoa não fica, “ah, eu tenho que ir numa “boca” conseguir um antidepressivo”.
Sensação dos Antidepressivos no Corpo
Se ele não causa dependência química, por que todo mundo já ouviu falar de alguém que tentou parar e não conseguiu? O primeiro ponto é que alguns medicamentos antidepressivos, especialmente os de meia-vida curta (significa que a molécula do medicamento é metabolizada rapidamente em poucas horas, então, se uma pessoa toma algum medicamento de manhã, já no final do dia, não tem mais medicamento no sangue), causam síndrome da retirada aguda ou da retirada rápida.
Isso significa que o paciente sente mal especialmente como tontura, algum tipo de mal-estar, só que de uma maneira não tão intensa quando para abruptamente o medicamento e este rapidamente no sangue.
Essa queda rápida da concentração de medicamento no sangue é chamada de síndrome da retirada aguda, não é abstinência. Ela é comum de se ver em medicamentos duais como a venlafaxina, a desvenlafaxina e a duloxetina.
Já em medicamentos de meia-vida longa, como a vortioxetina, por exemplo, a pessoa pode esquecer de tomar o medicamento ou simplesmente parar por completo que não tem sintomas de retirada aguda, porque demoram dias para o medicamento sair completamente do sangue. Então, existe uma gama muito grande de medicamentos que nem sequer dão síndrome de retirada aguda.
Alguns antidepressivos causam a síndrome da retirada aguda, que é ter uma tontura, um pouco de mal-estar, quando é retirado de forma abrupta e vários outros medicamentos não causam nem isso, porque têm a meia-vida longa, demoram a sair do sangue.
O segundo ponto em relação às pessoas acreditarem que antidepressivo causa vício, talvez seja o mais comum, é quando o paciente já se sente bem porque realizou o tratamento por alguns meses, como uns quatro ou seis meses, resolve retirar o medicamento por conta própria e depois de algum tempo, os sintomas da ansiedade e/ou da depressão retornam. Então, ele acaba concluindo que ficou dependente do medicamento. Isso não é verdade.
O tratamento com antidepressivo requer, no mínimo, um ano completo de sucesso terapêutico. Ou seja, assim que o paciente atinge o ponto de melhora (ele subiu, chegou no ponto de melhora completa), tem que ser mantido o tratamento por 12 meses seguidos em sucesso terapêutico para realizar a primeira tentativa de retirada do tratamento.
Em outros casos, mesmo que ele já tenha feito correto tratamento e ganhado critérios para a retirada do medicamento, sintomas podem retornar porque existe uma tendência genética muito importante em alguns casos.
Seja em um ou em outro, a retirada dos medicamentos e o retorno dos sintomas não significa que está dependente do medicamento, significa que o tratamento não foi completo ou que ele tem uma tendência muito grande para estados psíquicos alterados e vai ter mais benefício com o uso contínuo dos medicamentos do que sem ele.
É como retirar o medicamento e a pessoa voltar para a programação de fábrica dela, que é com a patologia de ansiedade ou depressão. Não é que ela ficou dependente, é que se tira o tratamento, volta a manifestar a doença. Tem que ter a necessidade do tratamento de novo.
Como em diversos casos quando algumas doenças se instauram, como, por exemplo, diabetes. O diabético usa o tratamento, se para o tratamento do diabetes, a glicose volta a subir ou dá pressão alta também.
Tem vários outros casos que são assim também e isso não significa que é dependente, a pessoa pode retirar o medicamento na hora que quiser, só que podem acabar voltando os sintomas.
Escreva nos comentários o que achou sobre a dependência de Medicamentos, o que é a relação do Antidepressivo com o Vício para entender melhor a questão do uso do medicamento, que não causa vício, não causa dependência.
Comente se você já usou antidepressivo e como foi sua experiência. E compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.
