Tratamento Cirúrgico da Neuralgia do Trigêmeo

Tratamento Cirúrgico da Neuralgia do Trigêmeo


Se você quer saber quais são as possíveis formas de Tratamento Cirúrgico da Neuralgia do Trigêmeo, fique até o final deste artigo que o Dr. Victor Rossetto, que é neurocirurgião funcional (trata de epilepsia, dor e distúrbios do movimento) da Clínica Regenerati, médico assistente do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo e com grande experiência na técnica, irá falar mais sobre isso hoje.

O que é a Neuralgia do Trigêmeo?

Para começar, o que é a neuralgia do trigêmeo ou neuralgia essencial do trigêmeo? É uma doença em que se manifestam os sintomas de choque ou, como dizemos, paroxismos, é um sintoma que vem e vai embora muito rápido, em territórios do rosto, que são inervados pelo nervo trigêmeo.

Esses choques são bem incapacitantes, uma dor de forte intensidade, e normalmente não têm uma causa aparente, começou do nada e vai piorando com a idade. Então, o que nós vemos no exame desses pacientes? Eles não têm uma lesão que identificamos, uma alteração de sensibilidade, alguma coisa diferente no exame físico. O que tem é sensibilidade ao toque, que chamamos de ponto gatilho.

Neuralgia do Trigêmeo Tem uma Causa Definida?

Não tem uma causa bem definida. O que nós sabemos é: existe uma associação de neuralgia do trigêmeo com compressão neurovascular do nervo trigêmeo. Nem todo mundo que tem uma alteração na ressonância, como um vaso tocando o nervo trigêmeo, vai ter a neuralgia do trigêmeo e nem todas as neuralgias do trigêmeo têm esse vaso próximo do nervo.

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Mas o que se sabe é que quando existe a neuralgia do trigêmeo e tem esse vaso próximo ao nervo, uma descompressão desse nervo pode ser um dos tratamentos.

Outra teoria é que existem pessoas que têm distúrbio de canal de sódio, o que faz com que o nervo seja mais sensível a qualquer coisa, então um vaso que encoste naquele nervo que é mais sensível começa a disparar sinal de dor.
Isso bate com o fato de que nem todo mundo que tem o vaso tem neuralgia do trigêmeo. Mas as pessoas que são mais sensíveis que têm esse distúrbio do canal de sódio são mais suscetíveis a terem neuralgia do trigêmeo.

Quando Optar Pelo Tratamento Cirúrgico?

E então? Começou uma neuralgia do trigêmeo, ela vai piorando com o tempo, evolui em crises – tem períodos de crise, melhoria, crise, melhoria –, mas tende a ir piorando com o tempo e, algumas vezes, se torna refratária – não melhora com a medicação.

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Nesses casos, estão indicados os tratamentos cirúrgicos. O paciente não está tendo uma boa resposta com medicação, então vamos ter que partir para o plano da cirurgia para melhorar a dor dele.

Quais os Tipos de Cirurgia?

Depende do que acreditamos que seja a etiologia da doença e da condição clínica da pessoa, da idade, e de outras doenças que ela tenha.

Se o paciente tem uma boa condição clínica, é jovem, não tem muitas doenças, tem um baixo risco cirúrgico e um exame que mostra uma compressão do nervo trigêmeo por um vaso ou até mesmo por uma coisa que se chama aracnoide – que é uma fibrose em volta do nervo por uma membrana natural do encéfalo – temos a opção de fazer uma coisa chamada descompressão neurovascular.

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Um corte no crânio, um furo no crânio, que conseguimos chegar naquele nervo que está sendo apertado por um vaso e colocar uma espuma que separa os dois – o vaso e o nervo. E isso faz com que o vaso cada vez que pulse, não vá tocar naquele nervo, então não tem mais a compreensão neurovascular.

E para aqueles pacientes que não toleram uma cirurgia mais invasiva como a descompressão vascular? Nós temos opções menos invasivas que são as opções percutâneas. Podemos fazer via uma agulha, que entra por um buraco natural do crânio, que chama forame oval, conseguimos fazer uma lesão do nervo trigêmeo que pode ser por radiofrequência – que é um eletrodo que esquenta aquele nervo.

Ou pode ser uma lesão por balão. Por meio da agulha colocamos um balão que infla o balão lá dentro, ele esmaga o nervo e vai fazer uma lesão do nervo para tentar tratar esses sintomas.

Ruim: essas cirurgias percutâneas fazem uma lesão de nervo; não é igual uma cirurgia de descompressão em que você põe uma espuma que separa o vaso e não lesa o nervo; você deixou de agredi-lo com o vaso.

Agora, as cirurgias percutâneas você faz uma lesão de nervo, pode ter um efeito colateral que é perder a sensibilidade na região do nervo, pode perder força na mastigação, dá mais assimetrias de mandíbula. Não é muito perceptível para quem está fora, mas para quem mastiga, ao longo do tempo, pode ter umas dores musculares.

Os pacientes podem ter uma complicação que chama anestesia dolorosa: perde a sensibilidade, não sente aquela região do nervo que foi tratada, porém pode ter dor em uma região que não sente; uma complicação dessas lesões de nervo.

E também tem uma opção que é pouco invasiva, que é a radiocirurgia, em que jogamos uma quantidade de radiação bem grande no nervo. Legal que não vai ter que fazer nenhum furo no paciente; tem as complicações de dor por lesão de nervo.

Como os outros, é um procedimento que lesa o nervo e isso pode levar a dor; tem o efeito que demora: o paciente está com muita dor do trigêmeo – uma das piores dores que têm – e vai ter que esperar de dois a seis meses para fazer efeito essa radiocirurgia; e pode ter perda de sensibilidade e dor refratária à anestesia dolorosa depois. Se o paciente tolera, consideramos padrão ouro a descompressão neurovascular.

Todos os procedimentos para neuralgia do trigêmeo podem perder efeito com o tempo. Padrão ouro: descompressão neurovascular, que costuma ter uma melhora de 80% em 10 anos; melhora parcial, vai começar a ter recidivas.

Radiofrequência, rizotomia por radiofrequência, começa a ter uma melhora por volta dos cinco anos e vai tendo piora; o balão, em uns três a cinco anos começa a perder efeito. E temos a radiocirurgia que começa a perder efeito também rápido: ela demora a fazer efeito, mas depois também desses três anos já começa a perder efeito. Então, padrão ouro, se o paciente tolera e tiver uma compressão, a descompressão neurovascular.

Como Escolher o Melhor Tipo de Tratamento?

No final, nós temos que pesar entre condição do paciente e duração da terapia. São pacientes de idade mais avançada, com uma condição mais limitada; procedimentos de curta duração, mas pouco invasivos são melhores para eles, que não têm uma perspectiva muito grande de vida. Se voltar, depois de cinco anos já vão ter tratado a condição deles pelo período que precisavam.

E os padrões ouro, as descompressões neurovasculares, os pacientes mais jovens, com melhores condições clínicas, vão ter uma resposta mais a longo prazo, menos risco de efeito colateral; então ajustamos o procedimento de acordo com cada paciente.

Neste artigo, tentei esclarecer dúvidas sobre neuralgia do trigêmeo e sua abordagem cirúrgica. Se você tiver alguma dúvida, escreva nos comentários e quem sabe isso pode ser a pauta de um próximo artigo. E se conhece alguém que se interessa por esse assunto, por favor, compartilhe o artigo com essa pessoa.

Assista ao vídeo e saiba mais informações:

Mais Informações sobre este assunto na Internet:

Sobre o Autor:
Victor Rossetto Barboza

CRM: 136.078
RQE:61.813-1

Neurocirurgião do Grupo de dor do HC-FMUSP e Leforte. Especialista em cirurgia da dor, cirurgia do Parkinson, cirurgia Epilepsia e dor Oncológica.







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