Café e o Cérebro – Tudo Sobre o Café e o Cérebro
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Se você quer saber o que é a Coluna Torta na Doença de Parkinson, a Síndrome de Pisa e/ou Camptocormia, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e qu...

Se você quer saber o que é a Coluna Torta na Doença de Parkinson, a Síndrome de Pisa e/ou Camptocormia, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções, Neurologia Geral e todos os assuntos que são do seu interesse, vai abordar sobre isso.
Neste artigo, vamos explicar sobre um tema que é extremamente importante para os familiares e pacientes da Doença de Parkinson, que é a coluna torta. É aquele que vai ficando com a coluna torta, mas especificamente a Síndrome de Pisa e a Camptocormia.
Isso é extremamente importante porque pode afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes e acabar causando dor, dificuldades na locomoção ou até mesmo problemas respiratórios e maiores chances até mesmo de quedas, porque já tem estudos mostrando que quando está extremamente torta a coluna, é mais fácil, sim, o paciente também ter quedas.
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E o objetivo deste conteúdo é explicar quais são essas condições, suas causas e as principais opções de tratamento disponíveis.
A Síndrome de Pisa é uma inclinação lateral do tronco, como a famosa Torre de Pisa, pode ser leve ou grave, e, geralmente, se manifesta durante a fase em pé ou andando. Em alguns casos, quando vai passando muito tempo, pode ficar até mesmo quando a pessoa está sentada.
É como se ela estivesse com o tronco mais para o lado, em que fica inclinada ao invés de estar reta, fica com a coluna cada vez mais inclinada, lateralmente, que nem a Torre de Pisa. Então, a coluna está reta e começa a ficar inclinada, como a Torre de Pisa, é uma inclinação lateral do tronco.
E a camptocormia é uma curvatura anormal da coluna para frente, que piora quando o paciente está de pé ou está andando. A coluna normal é ficar reta, o paciente parkinsoniano vai ficando cada vez mais inclinado para frente, ele vai tendo essa postura.
Essa postura de ficar inclinado para frente, nesse formato, é a camptocormia; isso não é ser velhinho, não quer dizer que a pessoa está ficando curvada para frente porque é velhinha, isso é uma alteração da Doença de Parkinson, tanto que é uma causa neurológica, não é ortopédica.
E é importante destacar que essas condições são causadas por um distúrbio neurológico e não por um problema ortopédico, como muita gente pensa, porque a coluna torta, o pessoal imagina, “ah, é algo ortopédico”, não, é de causa neurológica, isso devido à atividade distônica dos músculos.
Ou seja, contraturas musculares involuntárias, sustentadas, que são a principal responsável pelas deformidades, a pessoa não quer, mas tem o músculo puxando-a para o lado ou para frente. Esses músculos estão contraídos de forma desnecessária. Então, quando relaxa e deita, até volta para o local, mas ela começa a querer ficar de pé para andar, fica torta para frente ou torta lateralmente.
É o músculo que está contraindo de maneira involuntária, desnecessária, em que o nome disso é distonia, uma contratura muscular involuntária, de maneira sustentada. Então, a atividade muscular distônica causa a deformidade da postura da coluna.
Obviamente, quanto mais passa o tempo e a pessoa continuamente vai ficando torta, é mais fácil de ter deformidades ósseas, porque ela está por cinco, sete anos com a coluna torta, os ossos vão se remodelando e isso tem muito mais chance de causar alterações estruturais, depois, a coluna literalmente está deformada, as vértebras estão com deformidades fixas e é bem mais difícil de tratar, mesmo que soltemos a musculatura, os ossos já ficaram deformados.
E quais são as opções de tratamento para Síndrome de Pisa e Camptocormia?
Primeiro de tudo, tem que ser uma abordagem multidisciplinar, que vai estar envolvendo diversos profissionais e diversas áreas como neurologistas, médicos fisiatras, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e, em alguns casos, até o ortopedista.
Primeiramente, começamos com o ‘beabá’, que é o mais básico de todos, que são os medicamentos. Tanto a Camptocormia quanto a Pisa melhoram bastante com o tratamento do Parkinson. É muito comum, chega o paciente com a coluna para frente, colocamos os medicamentos do Parkinson, ele fica ereto na hora, é rápido, é quase imediato.
Então, quando o paciente está chegando com esses sintomas, em que a coluna está tão torta e não é de tão longa data e não é tão grave, só de aumentar a dose, ajustar os horários ou a carga da Levodopa, já costuma desempenar bem a coluna que está inclinada, melhora na hora ou se está curvada, mais para frente, já desencurva.
Junto da levodopa igualmente tem os agonistas dopaminérgicos, são outros medicamentos que também atuam no lugar da dopamina, fazendo o papel dela e podem ser úteis também para ajudar nos sintomas parkinsonianos.
Outra opção é a toxina botulínica: fazemos um mapeamento dos músculos com um exame de miografia, em que colocamos agulhas e vemos quais músculos estão ativados, com atividade de distonia.
Sabendo quais músculos estão com atividade de distonia, aplicamos toxina botulínica. As injeções nos músculos afetados podem reduzir as contrações musculares para melhorar a postura. Igual toxina que usa para estética, que relaxa os músculos do rosto, só que em uma quantidade bem maior; aplicamos toxina nos músculos, eles relaxam e a pessoa desempena a coluna.
Tem outros medicamentos que são em casos mais graves e é bem mais raro utilizarmos por conta dos possíveis efeitos colaterais, que nem o triexifenidil, baclofeno e até os benzodiazepínicos, em doses mais altas, e todos esses acabam tendo efeito de relaxamento muscular e o triexifenidil ajuda na distonia.
Também utilizamos, obviamente, terapia física, como Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Exercícios de alongamento e fortalecimento ajudam a melhorar a flexibilidade e a força muscular, contribuindo para melhorar a postura, o treinamento de marcha para melhorar o equilíbrio, facilitar a locomoção e evitar que a pessoa caia.
Às vezes, até usar órteses e coletes; a pessoa que está muito inclinada para o lado pode usar uma bengala ou um colete que ajuda a melhorar a postura do paciente e, assim, reduzir a dor, ficar com uma postura mais ereta e ter, às vezes, menos dor. Tanto o uso de órteses, coletes, bengalas e treinos com a Fisioterapia são extremamente importantes e fazem toda a diferença.
E igualmente temos a questão de cirurgias. A cirurgia é primordial, porque é uma consequência do Parkinson, então, a primeira cirurgia que tem que vir é a do Parkinson. Se a pessoa ganha critérios para a indicação da estimulação cerebral profunda, o DBS, pode ser indicada muito bem, pode ser utilizada, porque auxilia no controle dos sintomas motores do Parkinson, incluindo a distonia e, consequentemente, pode melhorar a postura.
Tem até trabalhos que mostram que o DBS acaba melhorando também a postura da coluna e faz diferença, mas somente se não está com tanta deformidade óssea da coluna. Agora, se tem muita deformidade óssea, é o caso de cirurgia ortopédica.
Essas deformidades que são mais graves, em que a coluna já ficou torta, mesmo que soltemos os músculos todos, ajustemos os remédios, coloquemos a toxina botulínica, a coluna óssea já está torta, às vezes, é necessário fazer a cirurgia para corrigir a curvatura da coluna.
Essa é uma cirurgia grande, que coloca hastes e parafusos em toda a coluna; literalmente você fixa a coluna em todo um trajeto e, normalmente, é recomendada quando o quadro de sintomas parkinsonianos está muito bem controlado e, muitas vezes, após uma cirurgia de DBS. A pessoa, às vezes, tem que fazer primeiro a cirurgia de DBS para controlar o Parkinson, depois pode fazer a cirurgia da coluna para ajustá-la.
Temos que saber que esse tratamento é individualizado, não é todo mundo que chega com a coluna torta que já vai parafusar. Temos que saber que para esse tratamento precisa ser visto como é o caso de cada paciente, qual é o problema que a coluna torta traz para ele, se é dificuldade na marcha, risco de queda, dor, vergonha, porque, às vezes, a pessoa sente que está chegando nos lugares e está totalmente torta, e isso tudo vemos gravidade do sintoma e a saúde geral do paciente.
Não dá para eu mandar algum senhorzinho de oitenta, noventa anos fazer uma cirurgia de parafusar a coluna inteira de cima embaixo, porque dificilmente vai ter saúde para aguentar uma cirurgia tão grande como essa.
Sabendo que é um tratamento individualizado, vemos caso a caso, usando todos os recursos, é muito provável que consigamos trazer alguma ajuda para os pacientes com o embasamento na ciência, com o passo a passo, com a metodologia de ação e poder ajudar os pacientes a ter um dia a dia mais feliz, mais agradável, com menos incômodos e uma coluna menos torta.
Se gostou do conteúdo, escreva nos comentários o que acha sobre a Coluna Torta do paciente de Parkinson, Síndrome de Pisa. Já ouviu falar disso, a Camptocormia? Você achava que a coluna torta para frente era comum dos velhinhos? Conte o que achou deste conteúdo, quais são suas dúvidas e compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.