Sonhos e Pesadelos

Sonhos e Pesadelos – Papel dos Sonhos e Pesadelos na Saúde Mental

Se você quer saber qual é o Papel dos Sonhos e Pesadelos para a Saúde Mental, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e que no canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai explicar sobre isso.

Papel dos Sonhos e Pesadelos para a Saúde Mental

Neste artigo, vamos detalhar sobre os Sonhos e Pesadelos, como isso acontece, qual é o papel deles na saúde mental e como é o processo dos sonhos e pesadelos no cérebro.

Esse assunto intriga a humanidade há séculos, o mundo dos sonhos e dos pesadelos. Aqui, preparamos um conteúdo especial para vocês, baseado em algumas perguntas e respostas que vão explorar a Neurociência por trás desses fenômenos, a relação deles com a saúde mental e dicas para como ter uma noite de sono mais tranquila e proveitosa.

01. Neurologicamente, como os Sonhos são Definidos? E Qual sua Importância?

Neurologicamente, como os sonhos são definidos e qual sua importância? Os sonhos são experiências mentais que ocorrem durante o sono, principalmente na fase REM, que é de Rapid Eye Movements, do olho mexendo rápido.

Eles se manifestam como as sequências de imagens que vão tendo uma atrás da outra, às vezes, sons, emoções, sensações que podem ser vividas, de forma complexa, vaga ou até mesmo fragmentada.

Então, o sonho pode ser algo bem vívido, a pessoa ter um sonho, tipo em 8K, com o som estéreo surround e com, inclusive, sensações físicas, ou pode ser um sonho “mixuruca”, em uma tela daquelas quase preta e branca, meio colorida fraca, daquelas televisões de antigamente, com um sonzinho muito “furreca” ou até sem som também, e é algo até meio fragmentado.

Eles desempenham um papel crucial na nossa vida, atuando na consolidação da memória, no processamento emocional e na regulação do humor. Os sonhos podem ajudar a integrar novas informações com memórias já existentes e processar eventos emocionais do dia a dia, e até mesmo servir como uma válvula de escape emocional.

Então, tudo que vivenciamos durante o dia, o que aprendemos, assimilamos de informação durante a noite, durante os sonhos, faz parte da consolidação da memória, da integração daquelas novas informações com informações já prévias, com o que já tinha de informações ou até mesmo um momento para o cérebro processar vivências emocionais que temos do nosso dia a dia e até mesmo ser válvula de escape. Às vezes, a pessoa teve angústia, teve alguma coisa e durante o sonho, consegue processar de maneira melhor.

Às vezes, o sonho pode simplesmente refletir sensações físicas também, podendo ser muito simples, como, por exemplo, quando a pessoa está de bexiga muito cheia e acaba sonhando com água, cachoeira, vazamento, ou quando o quarto está muito frio e ela sonha que está no ártico, em um local muito frio.

Sensações físicas igualmente podem direcionar nosso cérebro ao sonho. Até mesmo, por exemplo, quando a pessoa grava um áudio da própria voz falando de algum tema e fica ouvindo aquilo durante a noite, em looping, pode ajudar a induzi-la a sonhar com aquele tema, mesmo porque está o cérebro ouvindo aquilo durante o sonho também.

02. Neurologicamente, como os Pesadelos são Definidos?

Os pesadelos também são um tipo de sonho, mas como conteúdo angustiante, perturbador, amedrontador, isso vem da amígdala, uma região do cérebro que faz parte do sistema límbico, que fica na pontinha, e é responsável pelo processamento do medo, da ansiedade e tem participação importante nos pesadelos.

Quando a amígdala está muito hiperativada, acaba influenciando e direcionando o conteúdo dos sonhos para virar pesadelo. Diferentemente dos sonhos comuns, os pesadelos são guiados por medos, ansiedades, estresse, depressão, traumas, como transtorno de estresse pós-traumático, que dá muito pesadelo, o TEPT.

Além disso, os pesadelos podem ser causados também por medicamentos como os betabloqueadores, como o propanolol, medicamentos anti-histamínicos, como os para alergia, o consumo de álcool e drogas (o consumo de álcool à noite é bem comum, é bem fácil de induzir pesadelos).

Ou até mesmo por doenças neurológicas, como Doença de Parkinson, que causa frequentemente pesadelos, Doença de Alzheimer também e até narcolepsia. Então, presença de pesadelos é importante de ser investigada alguma causa, especialmente se tem pesadelos recorrentes.

03. Quais são as Diferentes Fases do Sono e em Qual Delas os Sonhos Acontecem?

O sono tem diferentes fases. Na arquitetura normal, o sono é dividido em fases N1, N2, N3 e sono REM. O estágio N1 é a fase de transição entre a vigília e o sono, é caracterizado por uma sonolência e um relaxamento leve. Na fase N2, o sono se aprofunda, a atividade cerebral diminui, a pessoa percebe menos estímulos externos, já está mais aprofundada e não está quase percebendo mais nada dos estímulos externos.

No estágio N3, o sono já é profundo, igualmente com a atividade cerebral bem lenta, é chamado sono de ondas lentas, é onde mais ocorre a recuperação física do corpo e a recuperação do cérebro também, é quando o sistema glinfático entra no cérebro para fazer a limpeza do cérebro, é o sono mais profundo.

O estágio REM é a fase dos sonhos mais vívidos e mais memoráveis, com a atividade cerebral próxima da vigília. Os músculos estão completamente paralisados, o corpo todo está completamente paralisado, exceto os músculos dos olhos e os músculos da respiração.

Se parasse tudo, a pessoa ia parar de respirar? Mas é chamada de estágio REM, que é de Rapid Eyes Moviment, que são movimentos oculares rápidos, em que o olho fica mexendo rapidinho e a pessoa mantém a respiração e o cérebro está altamente ativo, bem próximo do estado de vigília.

Temos as fases N1, que é mais superficial, N2, mais profunda, N3, que é a mais profunda de todas e o REM, que é próximo do estado de vigília.

Os sonhos podem ocorrer em todas as fases do sono, mas são mais frequentes, vívidos e mais complexos durante o sono REM, que não é o mais profundo (o mais profundo é o sono N3, é o de ondas lentas), mas é o que tem os sonhos mais vívidos, mais complexos. E lembre-se que simplesmente os sonhos mais simples, sonhos menos vívidos também podem ocorrer em outros estágios do sono.

04. Como é o Funcionamento do Cérebro Consciente e Inconsciente? O Inconsciente tem sua Linguagem Própria?

Primeiramente, vamos fazer uma separação, porque o cérebro consciente é o estado de vigília e o cérebro inconsciente seria o estado de sono.

Vigília

No cérebro em estado de vigília, modo consciente, ele tem atividade cerebral com predomínio de ondas rápidas, ondas betas e gamas. É uma atividade elétrica mais rápida do cérebro, especialmente focado para foco. Os neurotransmissores têm a maior parte de liberação de noradrenalina, serotonina, dopamina, é uma maior liberação desses neurotransmissores.

Na conectividade cerebral, tem maior integração entre áreas do cérebro. Uma área está conectando mais com a outra, o número de conexões ativas entre áreas do cérebro é muito maior e especialmente tem o Sistema Ativador Reticular Ascendente, o SARA, um sistema reticular que sobe do tronco para o cérebro e ativa as demais áreas corticais cerebrais, é ele que faz várias áreas do córtex cerebrais ficarem ativas, tipo, é ele que acorda “ou, vá trabalhar”, começa a ativar e ter conexão entre áreas.

E a experiência subjetiva é a sensação de presença no momento, a pessoa sente que está presente naquele momento, tem percepção consciente do ambiente e controle voluntário sobre pensamentos e ações.

Sono (Modo Inconsciente)

Agora, o sono que seria o modo inconsciente do cérebro, tem uma atividade cerebral com predomínio de ondas lentas, como delta, especialmente no sono profundo, e alguns momentos de sono de ondas rápidas como teta e alfa nos estágios mais leves do sono REM e no sono REM.

Nos neurotransmissores, têm diminuição da noradrenalina, da serotonina e da dopamina, e um aumento da melatonina, que atua sobre as vias melatoninérgicas, que modifica a atividade do cérebro para o sono.

Tem a conectividade cerebral, que tem uma redução da comunicação entre áreas do cérebro, por isso, a pessoa não fica com o pensamento livre, deliberado, durante o sono e tem uma inibição da rede SARA, que é a rede ativadora ascendente, ela não vai estar ativando áreas corticais; justamente por não estar ativando as áreas corticais, que não vão ficar interagindo entre elas.

A experiência subjetiva é de perda da consciência e do ambiente externo, a mente imersa em sonhos e sensações, e até mesmo quando a pessoa tem alguma lembrança, é como se mais tivesse assistindo ao sonho do que literalmente vivenciando e interagindo ao sonho.

O inconsciente possui sua própria linguagem, expressa através de símbolos, metáforas, imagens oníricas. Essa linguagem é mais intuitiva, emocional, associativa do que uma linguagem verbal, semântica, racional e consciente. O que, muitas vezes, é utilizado e explorado, os sonhos, em algumas linhas de Psicoterapia, para ajudar a ter acesso ao inconsciente da pessoa e ajudar a compreender mais o funcionamento da mente do paciente.

Os sonhos e pesadelos são a janela para o nosso mundo interior, revelando informações importantes sobre nossa saúde mental e emocional. Ao compreendermos melhor esses fenômenos, podemos utilizar esse conhecimento para promover bem-estar e qualidade de vida.

E, assim, sabermos, termos uma noção melhor do que é o conteúdo dos sonhos, porque não é todo sonho que é simbólico, tem sonho em que a pessoa sonha no gelo e simplesmente dormiu no quarto gelado, tem sonhos que são pesadelos, mas não são de significados, porque, às vezes, são causados por alguma doença neurológica como o Parkinson, por exemplo, ou, simplesmente medicamentos que estão alterando o funcionamento do cérebro e também estão dando pesadelos.

E tem muitos sonhos, sim, que podem trazer significados clínicos, pesadelos recorrentes como transtorno de estresse pós-traumático, sonhos que tenham coisas bem mais elaboradas que podem ter conteúdo simbólicos também, quando a pessoa está com questões psíquicas e emocionais.

E vale a pena, sim, conhecermos mais nosso universo onírico, nosso mundo dos sonhos, para que tenhamos uma maior intimidade com o funcionamento do nosso cérebro e cada vez mais a Neurociência conhece o funcionamento do cérebro e explica melhor o fenômeno dos sonhos.

Se você já teve sonhos muito vívidos, muito diferentes, com simbolismo que você achou que realmente “ah, esse sonho tem algum significado simbólico”, escreva nos comentários como foi sua experiência com o sonho, já teve sonho que foi uma premonição, que foi de alguma coisa que aconteceu, também é muito dito isso por aí ou tenha pesadelos recorrentes.

E se gostou do artigo, compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.

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