Não se sabe exatamente o motivo desse distúrbio, acreditasse que com o envelhecimento encefálico, este não pulsa de maneira correta, ocorrendo a disfunção de circulação liquórica. O nome deriva do fato de ser observado um aumento no volume total do líquor (hidrocefalia), porém sem evidência de aumento da pressão deste (pelo menos não quando a mensuração é realizada de de forma isolada e não contínua), ou seja, pressão normal.

O diagnóstico é dado pela combinação quadro clínico e exames complementares. Os pacientes se apresentam com um quadro alteração cognitiva, alteração da marcha e distúrbio de retenção urinária. Já os exames de imagem evidenciam uma dilatação do sistema ventricular desproporcional à atrofia cerebral encontrada normalmente nesses pacientes mais idosos. Ainda que as imagens de ressonância ou tomografia sejam muito sugestivas de hidrocefalia de pressão normal, o diagnóstico de HPN e a indicação de tratamento cirúrgico dependem de um procedimento conhecido como TAP test. Por serem pacientes idosos, não necessariamente o paciente possui apenas uma patologia neurológica, então o teste ajuda na previsão de um bom resultado em um possível procedimento cirúrgico.

Pelo fato de se os sintomas serem causados pelo acúmulo de líquor, o tratamento cirúrgico consiste numa cirurgia chamada de derivação ventrículo-peritoneal. Nessa cirurgia, um cateter drena o líquor em excesso para o abdome, sendo o resultado cirúrgico previsto com o TAP test.

 Pelo fato de a pressão do líquor estar normal nesses pacientes, um teste pontual não tem sensibilidade para diagnosticar esses pacientes, sendo realizado um teste prolongado (TAP test). Esse teste consiste em executar uma avaliação motora (teste de marcha) e cognitiva antes e após a retirada de líquor. A avaliação da marcha pode ser feita com o teste “Up and Go”. O paciente, sentado numa cadeira, levanta-se, caminha três metros, gira 180 graus, volta caminhando para a cadeira e senta novamente. Nossa equipe filma todo o processo e o procedimento é efetuado pelo menos três vezes.

Adicionalmente, realizamos uma avaliação neuro cognitiva, na qual realizamos o mini exame do estado mental, juntamente com o teste do relógio, o teste de nomeação de animais e palavras com a letra F. Também quantificamos a urgência ou a frequência de micção antes da realização do teste como por exemplo quantas vezes tem que parar o carro para que o paciente vá ao banheiro durante as viagens de ida e volta para a clínica.

Como citado anteriormente, realiza-se uma punção lombar com o uso de uma agulha longa e fina que entra por entre os ossos (ela não entra dentro do osso), semelhante à anestesia de raqui que as mulheres recebem durante o parto. A agulha fica no espaço onde tem um líquido que banha os neurônios e o sistema nervoso central, esse líquido é chamado de líquor, todo mundo possui esse líquido no cérebro e quando ele está em excesso é uma hidrocefalia. É administrada ao paciente uma anestesia local e após introduzir a agulha no local correto e o líquido começar a pingar, retira-se o maior volume possível, idealmente cerca de 40 ml de líquor ou até o paciente apresentar dor de cabeça. Assim que se introduz a agulha e começa a gotejar o líquor, se aferir a pressão do líquor, verificará que ela está normal. Em oposição à hidrocefalia clássica, na qual a pressão de abertura do líquor está elevada.

Então, aguarda-se duas horas após a retirada do líquor e realiza-se novo exame de marcha, o teste de “Up and Go” e ele é filmado três vezes e realiza-se novo teste de mini mental relógio e palavras.

No outro dia, com 24 horas após a retirada do líquor, repete-se novamente todos o testes: marcha “Up and Go”, pelo menos três vezes, teste de mini exame do estado mental, relógio e palavras. Também é quantificado junto com os familiares a frequência de micção e a urgência urinária de um dia para o outro, por exemplo na ida e vinda para Clínica e qual foi o número de paradas do carropara ir ao banheiro.

Caso tenha uma melhora de pelo menos 30% em um ou mais parâmetros avaliados, está indicada a cirurgia de derivação ventricular, que é a cirurgia na qual coloca-se uma válvula no cérebro para drenar o excesso de líquor para outro lugar do corpo, por exemplo o peritônio (um espaço por fora dos órgãos do abdome) ou no átrio do coração. Desse maneiro o excesso de líquor é retirada em segurança por um circuito interno de tubos e não fica risco de infecção, como de alguma bactéria subir pelo tubo e infectar o cérebro.

Caso não tenha uma melhora significativa com o TAP test e a suspeita diagnóstica é muito forte, pode-se realizar outro TAP test num segundo momento. Caso esse ainda seja duvidoso, também pode-se internar o paciente e colocar um cateter (um pequeno tubo flexível, igual ao que se implanta nas gestantes para dar anestesia do parto), dentro do saco dural e assim fica possível retirar líquor todos os dias sem ter que ficar agulhando diariamente. Realiza-se diariamente os testes de marcha, cognitivo e o diário de percepção de controle urinário. Assim podemos ter uma percepção muito mais acurada sobre o benefício ou não do procedimento.

Também está em pesquisa métodos como a ressonância de fluxo cerebral, que é realizada antes do TAP test e horas após o mesmo. Se tiver um grande aumento de fluxo sanguíneo cerebral é mais um sinal de que haverá benefício com o procedimento, nem que seja no aspecto da irrigação cerebral.

Realizado por Victor Rossetto, Marcelo Canella, Willian Rezende

Referências:

Entre em contato pelo WhatsApp! (11) 96581-5547