Alterações Emocionais no Parkinson

Doença de Parkinson – Alterações Emocionais no Parkinson

Alterações Emocionais no Parkinson. Se você quer saber sobre as Alterações Psíquicas que podem ocorrer na Doença de Parkinson, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende, médico neurologista e que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai abordar sobre isso.

Alterações Psíquicas na Doença de Parkinson: um Guia Completo

O tema são as alterações psíquicas na Doença de Parkinson, que não afetam apenas o movimento, mas também a mente e as emoções, impactando significativamente na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Então, vamos entender quais são essas alterações, como identificá-las e, o mais importante, como tratá-las.

Alterações Emocionais na DP

Neste conteúdo, o tema são as alterações psíquicas na Doença de Parkinson.

Depressão

A primeira alteração psíquica, que é uma das mais comuns na Doença de Parkinson, é a depressão, em que a pessoa vai manifestar sentimentos persistentes de tristeza, perda de interesse, alterações no sono, no apetite e apatia, que costuma ser a manifestação mais comum da DP.

Teste de Depressão (PDQ-9)
Esse teste é adaptado do PDQ-9 para quantificação do grau de depressão

A depressão no paciente parkinsoniano dificilmente é aquela em que fica chorando pelos cantos. É muito comum a apatia, que é a falta de motivação, o desinteresse, a dificuldade em iniciar e persistir nas atividades.

Ela pode surgir em qualquer fase da doença, até mesmo antes dos sintomas motores, e não é apenas um reflexo da dificuldade de lidar com a condição; não é porque a doença é pesada, é a própria doença que também causa a depressão.

Como um familiar pode reconhecer a depressão no parkinsoniano? Você tem que observar mudanças do humor, tendências ao isolamento social, dificuldade de concentração, apatia, perda de iniciativa e prazer nas atividades que eram antes apreciadas, aquelas coisas que ele antes tinha prazer em fazer, já não está tendo mais aquele prazer em realizá-las.

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Ansiedade

Também tem a ansiedade, que é a preocupação excessiva, com uma inquietação, sintomas físicos como taquicardia, falta de ar e, às vezes, piora dos tremores. Na Doença de Parkinson, a ansiedade pode se manifestar como “off psíquico”. Nos referimos ao off fazendo paralelo com o on, quando a medicação está funcionando. O off é quando a medicação não está funcionando.

O “off psíquico” pode se manifestar com crises intensas de falta de ar, taquicardia e isso vem tipicamente durante a flutuação dos sintomas motores ou quando o medicamento está perdendo o efeito. Às vezes, nem afeta tanto a parte motora, mas pode ter o off psíquico, que dá tipo uma crise de “ansiedade” no paciente.

Como o familiar reconhece? Identificando gatilhos, como, possivelmente, o fim do efeito da medicação, observando sintomas físicos no paciente, como transpiração, tremores, taquicardia, alterações na respiração e também tem sintomas emocionais como aumento do medo, preocupações excessivas, impaciência.

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Sintomas Psicóticos

Igualmente podem acontecer sintomas psicóticos no paciente parkinsoniano, como, por exemplo, alucinações visuais, que é ver coisas que não existem como insetos, animals, vultos de pessoas, ou ilusões que vão confundir objetos com outras coisas, como ver um casaco no lugar de alguém; tipo está lá o casaco no cabide, ela olha de relance e vê uma pessoa, depois olha de novo, “ah, é o casaco”.

Delírios são crenças falsas, como acreditar que está sendo perseguido; paranoia, que é uma desconfiança excessiva, como achar que o cônjuge está sendo infiel, que é a chamada “síndrome de hotel”.

Na Doença de Parkinson, esses sintomas podem ser causados pela própria condição, por medicamentos ou outros fatores, então, não necessariamente porque está tendo sintomas psicóticos que o paciente está com esses sintomas por conta da doença propriamente; é muito comum ter alucinações visuais e ilusões com o uso dos próprios medicamentos da DP.

Como o familiar reconhece esses sintomas? Ele observa comportamentos estranhos, relatos de alucinações, ilusões, ideias delirantes e desconfiança excessiva, e, com isso, pode perceber que está tendo sintomas psicóticos, devendo agir rapidamente.

Outras Alterações

Podem ter outras alterações, como, por exemplo, as de personalidade, virar uma pessoa extremamente irritadiça e mais impulsiva, pode ter a perseveração, em que fica repetindo ideias e comportamentos.

E como o familiar reconhece? Ele vai observar a mudança do comportamento e da personalidade da pessoa, porque tem dificuldade de adaptação de situações novas, por exemplo.

Tratamento das Alterações Emocionais na DP

Como é realizado o tratamento das alterações emocionais na Doença de Parkinson?

Abordagem Multidisciplinar

Primeiro ponto é que tem que ter uma abordagem multidisciplinar. A combinação de diferentes estratégias é fundamental para um tratamento eficaz.

Medicamentos

Os antidepressivos são a primeira linha de escolha para tratamento da depressão e, muitas vezes, da ansiedade também. Eles chegam a ter uma eficácia entre 50% e 60% na redução dos sintomas depressivos e ansiosos na DP. Exemplo, sertralina, escitalopram e vários outros.

Pode ser realizado simplesmente o ajuste da terapia dopaminérgica, então, otimizar as medicações próprias do Parkinson, como levodopa ou pramipexol, pode melhorar a ansiedade e outros sintomas emocionais também do paciente parkinsoniano.

E temos outros medicamentos, claro, que podem ser utilizados, como os ansiolíticos, os benzodiazepínicos, que tem que usar com cautela devido ao risco de dependência e efeitos colaterais, mas são permitidos e até desejados em alguns casos, como o Clonazepam ou o Alprazolam.

Também podem ser usados até antipsicóticos atípicos para sintomas de psicose de alguns tipos de ansiedade, em doses baixas, lógico, com monitoramento cuidadoso, como, por exemplo, a quetiapina ou a própria clozapina, que pode ser em doses muito baixas, como 6,25 mg.

E tem, recentemente, o canabidiol, em que estudos preliminares sugerem potencial para reduzir a ansiedade e a depressão na Doença de Parkinson, mas ainda tem que ter mais pesquisas para validar todos os dados. No entanto, na minha experiência, junto com os meus pacientes, tenho já uma boa percepção do canabidiol para ajudar a controlar a ansiedade.

Psicoterapia

Terapias não medicamentosas, como a psicoterapia; por exemplo, a Terapia Cognitivo-Comportamental, que ajuda a identificar e modificar pensamentos e comportamentos negativos.

Quais são os pensamentos que são gatilhos da ansiedade e quais são as situações que são gatilhos da ansiedade e de pensamentos negativos no paciente? Identificar e modificar isso. E a eficácia é em torno de 40% a 50% na redução dos sintomas depressivos e da ansiedade na Doença de Parkinson.

Outras Terapias

Outras terapias, como a atividade física, que melhora o humor, a qualidade do sono, a função cognitiva, são fundamentais para os pacientes parkinsonianos. E a acupuntura pode ajudar a reduzir a ansiedade e a dor neles.

Importância do Suporte Familiar e Social

E também é muito importante o suporte social e o suporte familiar do paciente parkinsoniano. O apoio de familiares e amigos é fundamental para o bem-estar emocional do paciente.

Conclusão

As alterações emocionais na Doença de Parkinson são comuns e merecem atenção. O diagnóstico correto e o tratamento precoce são essenciais para melhorar a qualidade de vida do paciente e até mesmo a capacidade de adesão dele às outras terapêuticas, como atividade física e Fisioterapia.

Se você conhece alguém que tenha Doença de Parkinson e eventualmente possa ter alguma alteração psíquica, uma ansiedade, depressão ou até mesmo algum sintoma psicótico, encaminhe o link deste artigo para essa pessoa, porque você pode estar ajudando-a a reconhecer ou até mesmo aos familiares de pacientes parkinsonianos.

E lembre, compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.

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