Risco de AVC Aumenta no Inverno

AVC – Por Que o Risco de AVC Aumenta no Inverno

Se você quer saber sobre porque o Risco de AVC Aumenta no Inverno, o que tem de relação entre inverno e AVC, fique até o final deste artigo, porque o Dr. Willian Rezende do Carmo, que no seu canal do YouTube fala sobre Dor, Sono, Parkinson, Emoções e Neurologia Geral, vai abordar sobre isso.

Maior Risco de AVC no Inverno

Neste artigo, vamos explicar sobre a relação entre AVC e Inverno. Você sabia que o inverno pode aumentar o risco de AVC? Estudos científicos mostram que as baixas temperaturas podem aumentar o risco de AVC em até 20%, sendo que o tipo isquêmico, que é causado pela formação de um coágulo que bloqueia o fluxo sanguíneo no cérebro, é mais afetado e aumenta em até 30%.

Ou seja, o AVC isquêmico, que é do coágulo que impede o fluxo sanguíneo, entope uma artéria e a quebra, daquele ponto em diante não chega mais sangue no cérebro e morre aquele tecido cerebral, podendo aumentar em até 30% esse risco de AVC.

Já o AVC hemorrágico, que é causado pelo rompimento de um vaso ou de um aneurisma, é o chamado “derrame”, que esse também tem o derramamento de sangue para fora do vaso, é mais leve, mas igualmente tem o aumento do AVC hemorrágico.

Mas por que isso acontece? Existem alguns fatores que contribuem para o aumento desse risco.

Vasoconstrição

Primeiro é a vasoconstrição. O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, o que pode aumentar a pressão arterial e possivelmente facilitar a formação de coágulos que aumentam o risco de AVC isquêmico.

Já a vasoconstrição também aumenta a pressão arterial porque os vasos se constringem, apertam para que não tenha perda de calor para o meio ambiente. Isso faz com que o sangue fique mais centrado no corpo e acaba aumentando a pressão arterial e também a chance de um AVC hemorrágico, porque o aumento da pressão arterial é mais fácil de romper o vaso também.

A vasoconstrição é uma resposta natural do corpo para que não perca tanto calor durante os dias frios, mas pode acontecer, em algumas pessoas, de ter essa resposta negativa de acabar aumentando muito a pressão arterial e também possivelmente aumentar a formação de coágulos.

Um estudo publicado pelo “Journal of the American Heart Association” analisou dados de mais de 547 mil hospitalizações por AVC isquêmico e encontrou um aumento significativo do risco em dias mais frios. Especialmente, em regiões com maior variação de temperatura, tipo, estava quente em um dia, no outro ficou muito gelado, quanto maior a diferença de uma temperatura, maior o risco de acontecer o AVC.

Em outro estudo publicado pelo “European Heart Journal”, em 2015, também observou um aumento do risco de AVC isquêmico em temperaturas mais baixas em pacientes com fibrilação atrial (o estudo foi com 290 mil pacientes).

A fibrilação atrial é uma doença em que o átrio, em vez de estar contraindo normalmente, não tem uma contração direito. Isso por si só já é um fator de risco para a pessoa ter um AVC. Acontece que as pessoas com fibrilação atrial acabam tendo maior risco de ter um AVC quando estão nos dias bem mais frios.

Doenças Respiratórias

As doenças respiratórias também são um fator de risco para explicar a maior quantidade de AVCs no inverno. Assim como a vasoconstrição, doenças respiratórias como gripes, resfriados comuns e outras doenças respiratórias que são mais comuns no inverno, podem desencadear processos inflamatórios que ativam a coagulação sanguínea e danificam as paredes do vaso, aumentando, assim, o risco de AVC isquêmico.

Isso foi muito observado na Covid, mas não é somente com ela que isso acontece, outras doenças viróticas comuns também podem aumentar a chance de AVC por cerca de duas semanas após o início da virose.

Além disso, a tosse muito intensa, muito forte, o espirro muito forte podem elevar a pressão arterial momentaneamente, o que tende a contribuir para o rompimento de algum vaso e causar o AVC hemorrágico.

Desidratação

Também tem o fator de risco da desidratação, que pode aumentar o risco de AVC, especialmente o isquêmico, pois o sangue torna-se mais viscoso, facilitando a formação de coágulos.

Embora não haja estudos científicos demonstrando um aumento direto do risco de AVC no inverno devido à desidratação, a associação entre desidratação e AVC isquêmico é muito bem estabelecida na literatura científica.

Como a sede é menor no inverno, é plausível que a menor ingestão de líquidos durante o inverno possa contribuir para o aumento do risco de AVC isquêmico, especialmente em pessoas com outros fatores de risco.

Também existem outras possíveis explicações para o aumento do risco de AVC no inverno, que essas não são colocadas como uma coisa direta já em estudo científicos, mas como uma especulação, como, por exemplo, mudanças na dieta.

No inverno, as pessoas tendem a consumir alimentos mais calóricos, ricos em gorduras e açúcares, o que pode aumentar o colesterol, a glicemia e, assim, contribuir para formação / inflamação, especialmente a inflamação de placas de gordura na artéria, aumentando o risco do AVC isquêmico.

A pessoa já tinha uma placa de gordura, come alimentos com muito mais colesterol, mais açúcar, que acaba inflamando mais e facilita daquela placa acabar formando o coágulo que acaba levando ao AVC; é muito real a questão do AVC no inverno.

Uma paciente que é uma colega médica, jovem, que tinha recém-operado o nariz para uma cirurgia de septo e rinoplastia, fez isso no inverno, no período de inverno que estava extremamente intenso. Ela também teve a indicação de pingar aquelas gotas de vasoconstritor nasal, justamente para diminuir o sangramento pós-operatório.

E aconteceu que a paciente já estava irritada e com aumento de adrenalina no sangue, por causa da dor e do pós-operatório imediato, não respirava direito, tinha que ficar respirando pela boca, a própria manipulação do corpo aumenta a adrenalina, porque é o trauma cirúrgico, além da irritabilidade do pós-operatório, que por si só eleva a quantidade de adrenalina no sangue e, por consequência, tem tendência a aumentar um pouco a pressão arterial.

Estava no inverno em dias muito frios, o que também aumentou a vasoconstrição e a pressão arterial. Além disso tudo, aconteceu que para ser a ‘cereja do bolo’, o vasoconstritor que era para pingar uma gota em cada narina, ela acabou pingando mais do que deveria, porque queria que abrisse o nariz para conseguir respirar e acabou exagerando no vasoconstritor.

E o que aconteceu? Inverno, adrenalina do pós-operatório mais vasoconstritor, subiu a pressão de maneira tal que teve um AVC hemorrágico. Ela foi prontamente atendida, sobreviveu, mas acabou ficando com sequelas.

Então, é importante ressaltar que esse aumento do risco é significativo em pessoas que já possuem fatores de risco e até mesmo para quem não possui fatores de risco, especialmente se têm histórico de hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, isso tudo aumenta muito o risco, tem que ‘ficar de olho’.

Mas não se preocupe, existem algumas medidas a serem tomadas para se proteger:

  • Mantenha-se com uma alimentação saudável: consuma frutas, verduras, legumes, alimentos ricos em fibras e evite alimentos processados, gordurosos, com muito sal;
  • Beba bastante água: a hidratação adequada é fundamental para a saúde cardiovascular, especialmente no inverno;
  • Controle a pressão arterial: monitore regularmente sua pressão arterial e siga as orientações médicas para mantê-las sob controle;
  • Pratique atividade física regularmente: o exercício físico ajuda a controlar a pressão arterial, o colesterol, o peso, além de fortalecer o sistema imunológico;
  • Evite o tabagismo: o cigarro é um dos principais fatores de risco para o AVC e outras doenças cardiovasculares;
  • Vacine-se contra gripe, Covid e demais doenças: a vacina contra a gripe é importante medida de prevenção, especialmente para pessoas com doenças crônicas e idosos.

E lembre-se, o AVC é uma emergência médica. Se você ou alguém próximo apresentar sintomas, como dor de cabeça súbita, muito intensa, fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender o que é falado, procure atendimento médico imediatamente. Lembre-se, o tempo é sério, não espere para buscar ajuda.

Escreva nos comentários o que achou dessa relação do AVC com o Inverno. Conte um pouco como foi sua experiência ou o que conhece, se já conheceu alguém que teve um AVC? Pode ser que ele tenha tido no inverno, tinha fatores e coisas que poderia ter feito diferente.

Se conhece alguém que fuma, é hipertenso, diabético, sedentário, mande o link deste artigo para essa pessoa, você pode estar, às vezes, ajudando-a a conseguir evitar um AVC. E compartilhe, pois conhecimento, quanto mais compartilhado, melhor para todos.

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